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RETROSPECTIVA
Mostra destaca o polêmico Von Trier Fotos: divulgação 
Ainda dá tempo. Quem não foi à Retrospectiva Lars Von Trier tem até o dia 5 fevereiro para fazê-lo. Os filmes podem ser vistos de graça no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e no Cine Brasília. Polêmico e renovador, o dinamarquês é uma das mentes brilhantes do cinema contemporâneo. A mostra faz parte da programação do CCBB e reúne parte significativa da produção de Lars, iniciada na segunda metade da década de 70. O cineasta ganhou projeção internacional com mais vigor nos anos 90, ao fundar com o colega Thomas Vinterberg o manifesto Dogma 95. O documento dizia que um diretor de cinema deveria seguir dez regras, entre as quais não usar recursos como cenários e trilha sonora. Sem estes acessórios, os filmes do Dogma se assemelhariam a documentários, tendo entre as características cortes abruptos e a câmera no ombro do cinegrafista. A única obra de Von Trier inserida na escola é Os Idiotas, de 1998. Várias das experimentações desta película aparecem até hoje, de alguma forma, nas criações de Lars. Porém, o diretor transcendeu o Dogma 95 e não se cansa de surpreender, tanto pela inventividade quanto pelas polêmicas que cria. Na edição do Festival de Cinema de Cannes do ano passado, terminou expulso após declarações apologéticas a Hitler e ao nazismo. Críticas aos EUA No drama musical Dançando no Escuro, de 2000, estrelado pela cantora Björk, o diretor narrou a dura vida de uma imigrante do leste europeu nos Estados Unidos, entre humilhações e a má fé da sua vizinhança. Criticar o modo de vida americano virou a marca de alguns de seus trabalhos, como o revolucionário Dogville, de 2003, protagonizado por Nicole Kidman. Anunciado como marco inicial de uma trilogia, a “Cidade Cão” apresenta um cenário simples, semelhante ao de uma peça de teatro. A força da história desde os primeiros momentos faz o espectador transcender o visual e se concentrar na crueza exposta nos personagens. Uma jovem se refugia numa pequena cidade americana. Inicialmente tratada com carinho, logo se vê dominada pela brutalidade. Nem tudo é o que parece ser. Os papéis se invertem. Pessoas simples e aparentemente hospitaleiras viram estupradores e exploradores da pior espécie. Lars cômico Talvez por não suportar a ideia de novo convívio com Lars Von Trier, Nicole Kidman não participou da sequência Manderlay e deu lugar a Bryce Dallas Howard. A última parte da trilogia ainda não veio à tona. Aguardamos. Em 2006, Lars Von Trier lançou a comédia O Grande Chefe. No começo da história, o narrador anuncia que o espectador vai se deparar com algo despretensioso, que nada tem de crítica, feito simplesmente para divertir. Difícil crer que o dinamarquês conseguiria um feito destes. Apesar de arrancar gargalhadas do público, o filme não deixa de alfinetar valores, o modo competitivo de se viver, as pressões e as vaidades, desta vez em foco no mundo corporativo. Um ator contratado pelo dono de uma empresa finge ser o poderoso chefe dos negócios e se infiltra entre os gerentes de uma companhia dinamarquesa. O falso grande chefe tem a função de abrir caminho para a venda do negócio. A exemplo de Dogville, Von Trier reforça à plateia que as aparências enganam. Para chocar Em 2009, o cineasta realizou O Anticristo, que na época comentamos aqui no Tijoloblog. Lars deixa a crítica social mais contundente para expor o sofrimento de um casal que perde o filho pequeno. Ele não poupa elementos para chocar, inclusive mutilações sexuais. O mais recente projeto de Trier, Melancolia, com Kirsten Dunst, também faz parte da mostra. Desta vez, o inquieto diretor envereda pela ficção científica para tratar dos seus dramas humanos. Todos os filmes dos quais falei neste texto ainda podem ser vistos na última semana da retrospectiva.
Escrito por Marcelinho às 21h43
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CURSO DE VERÃO
Uma aula de violão brasileiro Divulgação 
O exímio violonista Marcus Tardelli Um dos professores do 34º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra), Marcus Tardelli, de Petrópolis (RJ), apresentou em interpretações um panorama do violão brasileiro. Ele tocou na noite deste domingo (15) na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Claudio Santoro. Entre o popular e o erudito, Tardelli ressaltou que na verdade não existem fronteiras na música brasileira. Executou temas deVilla-Lobos, autor de formação erudita mas com raízes muito fortes na cultura do nosso país, que bebeu no choro, nas modinhas e em tantos outros ritmos. “Se pensarmos bem, Trenzinho Caipira não se encaixa como música clássica”, assinalou. Tardelli abriu o programa com duas peças de Villa, Tristorosa e Ciranda número 2, as duas de extrema complexidade. A plateia, desde esses primeiros momentos, se rendeu ao virtuosismo do músico fluminense. Meu amigo produtor e jornalista Alessandro Soares era um que não economizava nos “bravos”. Daí, passou para uma peça popular que do ponto de vista da estrutura não fica devendo aos eruditos, o choro Cheio de Dedos, do carioca Guinga. O primeiro disco de Marcus, Unha e Carne, de 2006, é dedicado a recriar a obra de Guinga. Tardelli, que toca com o autor de Catavento e Girassol, esbanjou técnica e ritmo num medley de baiões, em Frevos e em Mingus Samba, todos do violonista e compositor carioca. O ritmo pulsante se manifestou ainda em Samba Novo, de Baden Powell. Conhecedor não apenas das partituras, mas da história da música brasileira, Marcus Tardelli apresentou as preciosidades Valsa de Eurídice, de Vinícius de Moraes, Enigma, de Garoto, e Olha Maria, de Tom Jobim e Chico Buarque. Os comentários sobre as peças foram igualmente ricos, uma verdadeira aula. “Vinícius ficou famoso pelas letras, porém compôs alguns instrumentais como esse”, disse. “Esta o Tom gravou originalmente instrumental e anos mais tarde o Chico pôs letra. Tom se tornou famoso pela bossa nova, só que já compunha antes e foi além dela”, observou. Sobre a peça de Garoto, encontrada como manuscrito após a morte do violonista, informou: “Havia dúvidas se esta música tinha sido escrita mesmo para violão, pois ela é em si bemol menor, tom pouco usual para o instrumento. Gravaram-na em outros tons, porém nunca imaginei interpretá-la de forma diferente do original”. E assim o fez. Marcus Tardelli dá aulas no Civebra até a próxima quinta-feira (19), quando retorna ao Rio de Janeiro. Vai se casar. Parabéns e felicidades! Assista a um vídeo de Marcus Tardelli
Escrito por Marcelinho às 22h26
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SOM DE PRIMEIRA
Jazz no ritmo do samba Foto: Michelle Souza 
Duduka e Marcelo Araújo Uma das melhores apresentações da história do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra). Assim podemos nos referir à performance do baterista Duduka da Fonseca e seu grupo na noite deste sábado (14). Por cerca de uma hora e vinte minutos, o batera e seus acompanhantes levaram o público à loucura com uma fusão de jazz, samba e outros elementos no Teatro Carlos Galvão, na escola. Fizeram parte da banda, além de Duduka, o baixista Leonardo Cioglia, o saxofonista Ademir Júnior, o pianista Serge Frasunkiewicz e o trompetista Jessé Sadoc (também no flugelhorn). Com esses virtuoses no palco, o resultado não poderia ser outro: quebradeira total. O guitarrista de Brasília Genil Castro deu uma canja na última música. A noite foi aberta com Terrestris, do trompetista americano Tom Harrell. Bem hard bop, o tema mostrou desde as primeiras notas para que o conjunto veio. Enquanto o suingue de Duduka puxava o quinteto, Júnior e Sadoc introduziam a melodia, para depois mergulharem em solos de delírio total. O espetáculo teve ainda músicas do saxofonista Victor Assis Brasil (Pro Zeca), de Baden Powell e Vinícius de Moraes (Consolação) e de Chico Buarque (Bye Bye Brasil). Ademir Júnior, veterano da cena instrumental brasiliense, era uma usina de solos, mesclando técnica e energia impressionantes. Sadoc começava seus improvisos com ares mais brandos para ir se soltando num crescendo. O pianista Serge Frasunkiewicz é um capítulo à parte, com pé fundo na música de vanguarda. Desfilava suas escalas com elegância, tornando o mosaico da banda ainda mais rico. Radicado há mais de 20 anos em Nova York, o baixista brasiliense Léo Cioglia construía a efervescente base rítmica ao lado de Fonseca para os solos dos colegas, mas ele mesmo também se mostrou excelente improvisador, arranjador e compositor. O quinteto tocou a sua Santa Maria, valsa composta por Cioglia em homenagem à mãe. E o que falar de Duduka da Fonseca, a alma cheia de suingue da noite? Um dos maiores bateristas do mundo, ele apimenta o jazz com o ritmo brasileiro. Sua técnica é puro balanço e não à toa alguns se empolgaram e caíram na dança. Os solos de Fonseca também foram de arrasar, daqueles que temos gosto em ver, que nos fazem bater cabeça como metaleiros para acompanhar os toques na caixa e no bumbo. Que batuque! Ao final da apresentação, fomos lá, eu e Michelle Souza, conversar e tirar fotos com Duduka. Ele autografou para mim o CD Partido Out, do Trio da Paz, grupo formado por Duduka, pelo guitarrista Romero Lubambo e pelo baixista Nilson Matta. Comprei este disco em 2001, quando o Trio da Paz se apresentou em Brasília. Aproveitei para adquirir o excelente Plays Toninho Horta, novo CD de Duduka da Fonseca, dedicado a composições do guitarrista mineiro. O baterista prontamente autografou o álbum. Numa rápida conversa, ele contou que em março irá excursionar pela Europa com sua esposa, a cantora Maúcha Adnet. Perguntei sobre o que estava achando de sua primeira participação no Curso de Verão e ele respondeu: “Maravilhoso. Estou adorando. Os alunos são fantásticos”.
Escrito por Marcelinho às 00h06
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ERUDITO
Virtuose espanhol empolga público do Civebra O segundo dia de apresentações artísticas gratuitas do 34º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra) teve como principal atração o concerto do pianista espanhol Carlos Guerrero. Ele tocou na noite desta sexta-feira (13) no Teatro Levino de Alcântara, na EMB. A performance foi dedicada a compositores conterrâneos do instrumentista. Na lista, Antonio Soler, Federico Mompou e Manuel De Falla. A primeira parte da apresentação teve caráter mais introspectivo. Guerrero executou quatro sonatas de Soler, compositor de transição do barroco para o clássico, e Suburbis, de Mompou, autor nascido no final do século 19. O virtuosismo de Carlos veio à tona com mais força na segunda etapa do concerto, com duas peças do moderno Manuel de Falla, Asturiana – Andaluza e Fantasía Bética. Num espectro rico de notas, escalas, tonalidades, na alternância do andamento mais calmo com o ritmo frenético, o público recebeu um presentão do intérprete. Não poderia deixar de arrancar aplausos e chamadas entusiásticas da plateia. No camarim, este jovem de 25 anos agradecia timidamente os cumprimentos. Infelizmente, não trouxe nenhum CD para vender. Uma oportunidade de ouro para os brasilienses conferirem de graça um talento da música erudita que já frequenta as principais salas de espetáculo do mundo. Neste sábado (14), tem mais Civebra. Às 18h, outra performance imperdível com o baterista Duduka da Fonseca e o baixista Léo Cioglia, músicos brasileiros radicados em Nova York.
Escrito por Marcelinho às 22h44
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OBSERVAÇÃO
No segundo parágrafo, quando cito os nomes que tiveram passagem por Brasília, me refiro a Jorge Helder, Adriano Giffoni e Lula Galvão.
Escrito por Marcelinho às 22h40
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DA SALA DE AULA PARA O PALCO
Verão em notas musicais  Começa nesta quarta-feira (4) um dos eventos mais tradicionais da cidade: o Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (EMB). O festival chega a sua 34º edição. Além das aulas, oferece aos moradores da capital do país extensa programação gratuita com artistas brasileiros e estrangeiros de música popular, jazz e erudito. Ao Curso de Verão da EMB já vieram professores como os contrabaixistas Jorge Helder e Adriano Giffoni, o baterista Carlos Bala e o violonista Lula Galvão. Esses três nomes citados, vale lembrar, tiveram passagem no início de suas carreiras por Brasília, antes de se firmarem no Rio de Janeiro e no Brasil como prestigiados instrumentistas. Foi num Curso de Verão, há mais de uma década, que assisti a uma espetacular apresentação do violonista Alencar Sete Cordas, falecido no ano passado, com o bandolinista Hamilton de Hollanda. Não sei se este show chegou a ser gravado, mas daria um trabalho incrível em estúdio ou em outras performances ao vivo. Quem viu, guarda na memória. A programação de verão da EMB não só dá oportunidade ao público de conferir os grandes como permite mostrar talentos que despontam, jovens de várias naturalidades que aqui aportam para estudar e tocar. Num dos concertos, também há mais de dez anos, assisti ao ainda garoto Daniel Santiago, virtuose do violão e guitarra, no palco com Guinga, que havia vindo a Brasília como professor. Naquela ocasião, tive o privilégio de entrevistar Santiago para o Jornal de Brasília. Não creio que existam tantos espaços para revelações como o curso da Escola de Música da capital federal. Há dez anos radicado no Rio, Daniel é hoje um dos nomes mais respeitados do nosso som instrumental. Louvável que tantas mudanças de governo em 34 anos não mexeram na essência do festival. A gente sabe que num país como o Brasil, infelizmente, quando mudam partidos e governantes, projetos da gestão anterior tendem a desaparecer. Que o Curso de Verão da Escola de Música continue por muito tempo, com a sua nobre tarefa de ensinar e divulgar um dos grandes tesouros da nossa cultura.
Escrito por Marcelinho às 22h32
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BABOSEIRA
Essa é de matar No Uruguai, em Montevidéu e Punta Del Este, escuto o tempo inteiro uma música para lá de chata tocando no som dum carro, num quiosque ou numa loja. O cantor diz: "Assim você me mata". Descubro que se trata de uma canção de um sertanejo paranaense que está sendo tocada exaustivamente mundo afora. Começo a me beliscar para ver se o pesadelo é real. É sim. Divulgada pelo santista Neymar, a “pérola” de um sujeito chamado Michel Teló intitulada Ai se Eu te Pego repercute internacionalmente, com personalidades as mais variadas ensaiando coreografias ao som da melodia. Compreensível o entusiasmo de Neymar, já que nossos jogadores de futebol, em geral, não primam pelo bom gosto e nem pelo amor a manifestações culturais mais elevadas. E entre outros célebres encantados com o sertanejo, o argentino Messi, maior jogador de futebol da Terra. Chega ao cúmulo de aparecer um vídeo na web com soldados israelenses se esbaldando com o hit. Mais absurdo, já colocam o tal Teló como o brasileiro mais influente na nossa música com projeção internacional desde Carmen Miranda. Deu a louca no planeta. Com esta bomba, constatamos que não apenas brasileiros, mas todos os povos, incluindo habitantes de países do Primeiro Mundo, como os da Europa, se amarram num lixo. E que lixo!
Escrito por Marcelinho às 22h11
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PARÓDIA
Frankenstein apastelado Divulgação  Esta trupe não assusta ninguém e sim provoca o riso
O cineasta norte-americano Mel Brooks tem seu nome gravado na história das comédias como produtor da série Agente 86 e diretor de Banzé no Oeste e Primavera para Hitler. Dentre tantas realizações, uma das melhores é O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein), de 1974. Trata-se de uma divertidíssima paródia dos filmes de horror dos anos 30, inspirada (livremente, claro) no clássico da literatura Frankenstein, de Mary Shelley. O impagável Gene Wilder protagoniza o médico Frederick, neto de Victor Frankenstein, cientista que teria dado vida a um monstro assustador. Frederick tem vergonha das ligações com o antepassado e até muda seu nome para Frokensteen com objetivo de fugir do elo. Ao ser questionado sobre os experimentos do avô, refere-se a Victor como “louco”. Transilvânia
No entanto, o destino reserva uma surpresa para o personagem de Wilder. Quando herda a propriedade do avô, na Transilvânia, ele acaba descobrindo anotações de Frankenstein. Ao se deparar com os relatos do vovô, o próprio Frederick passa a acreditar na possibilidade de dar vida a um defunto por meio da eletricidade vinda dos raios. O problema é que seu assistente, Igor, interpretado pelo maravilhoso ator britânico Marty Feldman, rouba o cérebro de um anormal. A criatura se descontrola e sai para aterrorizar o povoado. Até aí poderíamos estar nos referindo ao enredo de um filme de terror, certo? Não quando a direção pertence a Mel Brooks. O diretor transforma um dos clássicos do horror num pastelão de primeira. Com o preto-e-branco, Brooks satiriza os principais clichês de antigos filmes de terror, da criação dos personagens aos cenários. O laboratório, aliás, é o mesmo em que se rodou a célebre versão de Frankenstein nos anos 30. Os tipos são geniais. Gene Wilder arrebenta. Faz o estilo do comediante que muitas vezes apenas com uma sutil expressão, como um revirar de olhos ou um riso irônico, consegue levar o público à loucura. Igor Seu acompanhante não poderia ser melhor. Marty Feldman encarna Igor, o tradicional (apenas em filmes) corcunda auxiliar do cientista louco. Com seus olhos naturalmente esbugalhados e um jeito de fazer piadas com naturalidade, ele monta o circo de trapalhadas ao lado de Wilder. E o que dizer de Frau Blücher (Cloris Leachman), uma governanta que toda vez que seu nome é pronunciado provoca o relinchar dos cavalos? Há ainda Madeleine Kahn como a sedutora assistente do médico e o grandalhão Peter Boyle no papel do monstro. À frente de um elenco desses, Mel Brooks entretém com maestria nos 106 minutos da película. Ele se situa como pioneiro das comédias que mexem com o non sense, o absurdo, que tanto fizeram sucesso a partir dos anos 80, como Top Gang, Corra que a Polícia vem aí e Todo Mundo em Pânico. Numa das cenas iniciais, Frederick viaja num trem que para em Nova York e termina viagem, do outro lado do Atlântico, na Transilvânia! Se puder alugar, comprar ou assistir a uma das eventuais exibições de O Jovem Frankenstein na TV, não perca a oportunidade. Como diria a abertura de Os Três Patetas, uma sessão de bom humor e gargalhadas está garantida.
Escrito por Marcelinho às 22h54
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SAUDOSISMO
Ninguém vai para o trono

Para alguns, a cantora Adele pode ocupar o lugar de Amy Winehouse Quando desaparece personalidade da música, artista de grande sucesso comercial, não tardam a surgir especulações sobre quem será o sucessor do fulano, como se uma carreira artística equivalesse a uma vaga numa empresa ou a um cargo público. Recentemente, após a morte da cantora inglesa Amy Winehouse, começaram a falar sobre a sua possível “substituta”. Uma matéria num jornal brasileiro enumerava cantoras, principalmente no universo do novo soul e R&B. A lista trazia aquela teen (da qual não lembro o nome e nem faço questão de lembrar) que usa smoking e dança. A meu ver, ela parece mais com Jackson Five do que com a finada Winehouse. A reportagem também citava Adele, que estoura nas paradas internacionais na trilha do revival soul puxado por Amy. Mas Adele é uma diva, dessas feitas para impressionar grandes plateias com malabarismos e momentos melosos. Definitivamente, não vai para o trono. A surpresa na relação de “postulantes” ao cargo de nova Amy foi a cantora e guitarrista Anna Calvi. Surpresa porque Anna, musicalmente, nada tem a ver com o estilo da intérprete de Rehab. Influenciada por Leonard Cohen, Nick Cave, Siouxsie e Patti Smith, Calvi se relaciona ao pós-punk e à psicodelia e não aos grupos de rhythm’n’blues que tanto marcaram Winehouse. Por outro lado, Anna Calvi se aproxima de Amy à medida que pratica arte original, que descreve sua própria personalidade e não reproduz padrões do mainstream. Se no segundo CD Amy recuperava muito a atmosfera do rhythm’n’blues do início dos anos 60, suas letras falavam da dureza da própria vida, da solidão, das desilusões amorosas, do vício no álcool e nas drogas pesadas. Não eram as letras de Marvin Gaye ou das Supremes. Amy Winehouse tinha estilo único. Seu talento não comporta substitutos, que interessam principalmente às gravadoras e outras empresas de entretenimento, mais preocupadas com cifras que um novo produto possa render e não com a qualidade.
Escrito por Marcelinho às 19h09
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HISTÓRIA
Um plebeu no gabinete real 
Quem for associado do Real Gabinete Português de Leitura tem acesso aos meus dois livros, Não Abra – Contos de Terror e Pedaço Malpassado. O espaço se mantém exclusivamente com recursos próprios e dos associados, sem qualquer tipo de ingerência de governos. Uma das mais tradicionais e antigas bibliotecas do país, o gabinete foi criado em 1837 por imigrantes portugueses que pretendiam formar um reduto cultural na então capital brasileira. Cento e setenta e dois anos após sua fundação, o Real Gabinete Português de Leitura mantém sua imponência por dentro e por fora, na arquitetura do estilo chamado de neomanuelino. Lá dentro, gigantescas estantes abrigam milhares de livros, entre eles, obras raras como uma edição de Os Lusíadas, de Camões, do ano de 1572. No Real Gabinete, sou recepcionado por uma simpática funcionária chamada Vera, que atenciosamente recebe minhas doações. Ela conta um pouco da história do local e me explica que os livros serão apresentados ao presidente da instituição, Antonio Gomes da Costa. Agradeço a atenção e me entrego a contemplar o ambiente onde a cultura de séculos pulsa com vigor. Dias depois, acesso o site do Gabinete e já encontro meus livros disponíveis. Quem vai ao Rio não pode deixar de visitar este lugar histórico para as relações luso-brasileiras. O Real Gabinete Português de Leitura se localiza no centro do Rio de Janeiro, na rua Luís de Camões (número 30).
Escrito por Marcelinho às 19h13
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Sounds of laughter I cannot control myself Ha, ha, ha, ha, ha May my last laughter echoes for eternal nights In the shadow of a doubt While you shake Inside my smile A little Lucifer shows its teeth Ha, ha, ha, ha, ha, ha
Escrito por Marcelinho às 22h57
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BICHINHOS
Alaíde e Adelaide 
O senhor Claudius Pertubarovsky tem um passatempo um pouco estranho. Coleciona, ou melhor, abriga em sua residência aranhas. Duas delas instalaram-se na parte metálica de uma janela, uma ao lado esquerdo da sala e outra do direito. Do lado direito, está Adelaide, um aracnídeo cinza. Ela fica escondida num pequeno buraco em meio ao ferro. Ao redor, uma imensa teia branca na qual se encontra a carcaça de uma mosca verde. Além dos pequenos insetos que ali caem prisioneiros, Pertubarovsky captura bichos e atira na teia de Adelaide. – Encontrei essa mosca no canto da sala e joguei pra ela – conta. Um besouro tem a infelicidade de passear na parede aos olhos de Claudius. Ele captura o ser e o coloca na teia. O besouro se debate e, num instante, Adelaide deixa seu refúgio para o ataque mortal. Injeta o veneno e paralisa a vítima. Passados alguns minutos, arrasta o inseto para o seu abrigo. – Ela vai sugá-lo e deixar apenas o esqueleto – explica Pertubarovsky, com ar de especialista. Sua filha, a pequena Rebínia, acompanha, fascinada, os experimentos do pai. Os cabelos negros encaracolados caem ao redor do seu rosto alvo. Os olhos claros brilham de satisfação enquanto Adelaide devora o jantar. Pertubarovsky e Rebínia avançam para o extremo oposto. Lá repousa Alaíde, uma aranha menor e de cor negra. Em sua teia, restos de insetos. – Outro dia coloquei uma vespa aqui pra Alaíde. Foi uma briga boa – relata Claudius. – Foi mesmo – confirma Rebínia. Lícia, esposa de Claudius, não aprecia a companhia das aranhas e diz: – Você tem que tirar esses bichos daí. – Conversa! Elas são boazinhas! São minhas amigas. Nem têm veneno – rebate. Nisso Pertubarovsky retorna para onde está Adelaide e a chama: – Toca aqui! Ele estende seu dedo até a aranha que, estranhamente, parece cumprimentá-lo erguendo uma pata. Os dois se tocam nesta amizade nada convencional entre humano e aracnídeo. Adiante, mostra uma terceira teia. – Acho que tinha uma aranha aqui, mas ela foi embora. Não deve ter gostado do meu apartamento – conclui. Claudius aproveita para falar do poder de alguns aracnídeos, como o ácaro, aquele ser microscópico que vive em locais como colchões e se alimenta de restos de pele humana. – Existe um tipo de ácaro que é mortal, na África. Uma vez, houve uma praga deles e mataram chimpanzés. Os ácaros começaram a devorar a pele dos símios. Terrível isso – conta. Para concluir, Claudius pega um CD da banda inglesa The Who e põe para tocar a música Boris The Spider (Bóris, a Aranha). – Preste atenção. Elas adoram essa música. Daqui a pouco Adelaide e Alaíde vão sair pra dançar. São fãs do The Who – finaliza. E o espectador fica em suspense, para ver se as aranhas realmente sairão para curtir esse som.
Escrito por Marcelinho às 23h14
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Nota zero
Feira nada estimulante 
Na manhã de sábado (12), acordei cheio de empolgação para ir à Feira do Livro de Brasília, aberta na sexta (11), no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. O ânimo não resistiu a um passeio pelo evento, que já foi bem melhor e nos últimos anos apresenta fortes sinais de decadência. Neste ritmo, tende a acabar ou a se perpetuar como programação burocrática, apenas para cumprir calendário. Comecei a frequentar a Feira do Livro há 30 anos. Lembro que quando se aproximava o mês de agosto – antiga data do evento –, já ficava animado com a possibilidade de encontrar títulos de excelente qualidade a preços razoáveis. Ia quase todo dia ali e voltava para casa com sacolas cheias. Editoras e livrarias de vários pontos do Brasil vinham até aqui para participar e autores prestigiados lançavam suas obras. De uns anos para cá, o cenário foi mudando para pior. Em 2009, em meio aos escândalos da gestão Arruda, a feira quase não aconteceu, sendo realizada de última hora, com puro improviso. No ano passado, no governo para lá de inerte de Rogério Rosso, a feira adquiriu contornos deprimentes. Parecia um mercadinho de quinta categoria, com meia dúzia de quiosques. Nunca vi tamanho desprezo pela educação e cultura.
Institucional
Na edição 2011, a Feira do Livro se restringe basicamente a sebos. São importantes, porém, para quem busca as novidades, os lançamentos, eles não oferecem nada. Encontro na Livraria da Paola, uma colombiana radicada há mais de 30 anos em Brasília, publicações interessantes por um bom preço, como apontamentos do bailarino russo Nijinski. Fora os sebos, um monte de estandes institucionais que não acrescentam conhecimentos a quem busca boa leitura. E nas livrarias comerciais, sem novidades importantes e preços bem salgados. Para piorar, a praça de alimentação do Pavilhão do Parque é péssima, com restaurantes com opções horríveis. Fazer um lanche ou almoçar ali constitui tarefa árdua.
Pouca representatividade
Vale mencionar que editoras tradicionais da cidade, como a Thesaurus, não participam este ano do evento. Em conversa com donos de livrarias, ouvi queixas sobre os preços elevados dos estandes, inacessíveis aos proprietários de pequenos negócios. É assim que se pretende possibilitar acesso a bem tão precioso quanto a cultura? Brasília faz um papelão ao se comparar sua feira literária com eventos do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e do Nordeste. João Pessoa, na Paraíba, dá exemplo com uma feira internacional de excelente nível. A capital do país, que tem potencial para ser polo cultural e de conhecimento, deve decidir se quer que lembrem dela por aspectos assim ou apenas como cidade de políticos corruptos e parasitas que promovem farra com o suado dinheiro do contribuinte.
Escrito por Marcelinho às 23h20
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Som livre
DJ por uma noite 
Uma seleção musical variada. Esta foi a característica do meu repertório na noite de sexta-feira (11) no restaurante e bistrô Salada Cultural, em Brasília, dentro do projeto DJ por um Dia. Em maio, lancei no Salada meu segundo livro, Pedaço Malpassado. Sérgio Pedrosa, o proprietário, me convidou há algumas semanas para participar do novo projeto. Achei democrático dar oportunidade a pessoas que não são DJs profissionais de rolarem um sonzinho para os frequentadores do local. Na semana passada, estive no Salada Cultural para conferir a performance do meu amigo Luiz Reis, professor e poeta. Ele tocou uma seleção eclética, que incluiu Donny Hathaway, The Impressions, Beatles, AC/DC, Lou Reed com o Meallica e até Slayer. Ontem, chegou minha vez. Levei meu Ipod e notebook e lá fiquei durante quatro horas pondo música. No repertório, Cassiano, Banda Black Rio, o grupo de jazz japonês The Seatbelts, o baixista Adriano Giffoni, João Donato, bandas de garagem obscuras dos anos 60 como The Escapades, grupos contemporâneos que soam como anos 60 tipo Greenhornes e Neanderthals, Lancasters (um dos primeiros grupos do guitarrista Ritchie Blackmore), Bryan Ferry, jazz italiano de Nicola Conte, Tim Maia, Os Diagonais, surf music dos Trashmen e Lively Ones, Black Sabbath, Led Zeppelin, John Lennon... eita!!!!! Luiz Reis, num dado momento, quando mencionei as bandas de garagem menos conhecidas, brincou, citando amigos nossos: “Essas bandas só existem na sua cabeça. Éeeee. Você que gravou essa música aí com o Claudio Perturbado na bateria, o Julie Lollypop no baixo e o Sérgio Cabeça no teclado. Aí tá falando que é som dos anos 60”. Um projeto como o DJ por Um dia abre a possibilidade de o público se deparar com experiências sonoras diferentes do padrão tradicional de discotecagem, baseado apenas em hits radiofônicos e clássicos do rock. Na sua sessão, Luiz Reis tocou versões alternativas do primeiro disco dos Stooges, dando espaço também ao ouvinte de escutar mais músicas de um determinado álbum, ao invés de apenas a faixa mais conhecida. Parabéns ao Sérgio Pedrosa por esse e outros projetos. Mostra ser empreendedor e apaixonado pela cultura. Sucesso!
Escrito por Marcelinho às 22h22
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Culinária do Norte
Delícias de Macapá 
Há dias, postei texto sobre pontos turísticos em Macapá. Falo agora de um dos seus principais atrativos: a gastronomia. Município da Amazônia, região de riqueza hidrográfica, Macapá também é capital de estado litorâneo. Há fartura de peixes, camarões e caranguejos, de água doce e salgada. Os preços são muito menores do que em outras regiões do Brasil. Enquanto o quilo da pescada amarela em Brasília pode chegar a R$ 40, lá paga-se, em média, R$ 10 por esta pesagem. Na capital amapaense, encontramos o Cantinho Baiano, na região da orla. Ali, como a caldeirada, cozido de peixes como o filhote misturado a verduras. Preparam-se vários pratos com o filé dos peixes, com a carne macia e sem espinhas. No Trapiche, também na orla, provo a iguaria mais deliciosa de minha viagem: o pirarucu ao leite de coco. Prato extremamente simples, acompanhado de arroz e pirão, destaca-se pela maciez e sabor da carne, acrescidas com toque diferencial do leite de coco. Como curiosidade no Trapiche, cardápio em português e francês, para atender os numerosos turistas da vizinha Guiana. No Panela de Barro, este que tem como proprietário um pernambucano, dou uma fugida da dieta à base de peixes para me entregar ao cabrito ao molho com leite de coco. Leite de coco sempre me pareceu ideal para temperar peixes. Na carne de bode, considero inusitado e não menos delicioso. Frutas Além menu principal, doces e sucos com frutas regionais constituem atrativo da culinária nortista. Cito mousses, cremes e sorvetes de ingredientes como tapioca, cupuaçu, bacuri e açaí entre as gostosuras obrigatórias para se degustar. Por falar em açaí, no Norte ele apresenta sabor bem melhor que no resto do Brasil. Há duas décadas, a fruta rompeu as fronteiras amazônicas e conquistou o país, porém com o gosto diluído pela polpa e por combinações com banana, guaraná, granola e sei lá mais o quê. Em Macapá, apelar para essas misturas significa heresia. Nem açúcar colocam. Apesar de não misturarem com banana e granola, comem com as refeições, em pratos com peixe e camarão. Não passei por esta experiência, mas adicionei a farinha de tapioca ao açaí. E não deixei de pôr um pouquinho de açúcar. Confesso que gostei. Em restaurantes, é comum o açaí ser oferecido como cortesia junto com a farinha de tapioca. No Mercado Central, por dois dias, no café da manhã, como tapioca recheada de queijo, com gordura da manteiga escorrendo por todos os lados, e um perfeito café com leite. Gosto tanto que repito a dose. As artérias estão a me agradecer! Na hora de pagar, não posso crer no preço: R$ 5 por tudo. Até a próxima, Macapá!
Escrito por Marcelinho às 17h51
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