BRASIL
O bigode e o atraso Os recentes escândalos de nepotismo e abuso da máquina pública protagonizados pelo presidente do Senado, José Sarney, mostram o quanto o coronelismo ainda maltrata o Brasil. A exemplo de Renan Calheiros, por mais que seu nome se veja envolvido em negócios bastante obscuros, o velho Ribamar se agarra como pode ao cargo. O motivo é simples: sabe que se permanecer na presidência da Casa poderá, como Calheiros, controlar os processos investigativos conforme sua conveniência e livrar sua cara. Estes dias, Sarney fugiu da imprensa como o Diabo da cruz, para não ter que dar explicações aos jornalistas. Também mirando no correligionário Renan, que blindou a própria sessão de cassação para deixar os colegas mais seguros para lhe salvar o pescoço, Sarney cercou-se de um exército de brutamontes. Um repórter do CQC chegou a ser agredido e os leões de chácara de Ribamar avisaram aos fotógrafos que nem se engraçassem em chegar muito perto. Essa é mais uma faceta do coronelismo que nos momentos de desespero o presidente do Senado deixar aflorar, ainda que goste de posar de bom moço, intelectual, articulista e poeta. Poupe-nos, por favor. Não canso de me recordar do genial Paulo Francis, que descia o sarrafo impiedosamente em Sarney apontando-o apenas como o endinheirado provinciano autor de Os Marimbondos de Fogo. Aff!! Achei ótimo um comentário que escutei dia desses na CBN de Lúcia Hipólito, em que ela acusou Sarney de privatizar o Senado, como fez com o governo do Maranhão. Privatizar porque o que deveria ser bem comum passa para o usufruto de espertalhões, que nomeiam parentes e amigos no Legislativo. No final, Lúcia perguntou por que Sarney, um homem tão rico, não usou as próprias empresas para empregar a parentada e os amigos. Simples: melhor fazer isso com o dinheiro público. Lembremos também que o Maranhão, estado controlado há décadas pela oligarquia de seu José, apresenta vergonhosos indicadores sociais como o elevado grau de trabalho infantil. O Maranhão ostenta o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País não à toa. 
Mas por que estou tendo o desprazer de falar sobre este senhor? Tentando escapar um pouco de tantas notícias ruins me dedicava à leitura de O Coronel de Macambira, texto de um espetáculo de bumba-meu-boi escrito há algumas décadas pelo pernambucano Joaquim Cardozo. O tal coronel é um homem rico que controla terras no interior do Nordeste. Alguma semelhança com figuras reais? Sim e não é mera coincidência. Cardozo tece ali crítica ferrenha a um sistema social que massacra os mais humildes em benefício de alguns poucos e que até hoje insiste em se perpetuar. O coronelismo permeia a obra de Jorge Amado e se manifesta em Incidente em Antares, do gaúcho Érico Veríssimo. Tantos autores souberam traduzir com primor para as letras o que os Ribamares fazem com o Brasil há séculos. Se poderia haver herança boa em meio a tantas mazelas, ela está nestas críticas construídas pelos mestres da Literatura Brasileira. A arte é uma das coisas que ainda nos faz orgulhosos de ter nascido nestas terras, apesar de tanta notícia ruim.
Escrito por Marcelinho às 22h44
[]
[envie esta mensagem]
[link]
VIAGEM
Un poquito más de Uruguay

No verão, Punta Del Este atrai turistas do mundo inteiro
Para concluir a série de textos que comecei a escrever sobre minha viagem ao Uruguai, vou dar duas dicas de passeios turísticos próximos a Montevidéu. Neles você sai de manhã. Por volta de umas 8h30 uma van te pega e te devolve ao fim do dia. Estas breves viagens têm como destino Punta Del Este e Colonia Del Sacramento. Compramos os pacotes no próprio Hotel Europa. Para Punta custa US$ 35 e para Colonia, US$ 50 por pessoa. Quem nos conduziu nesta viagem foi Cecília, uma figura simpaticíssima e, como devem ser todos os guias turísticos, profunda conhecedora da história e da cultura de seu país. No primeiro dia, partimos para Punta. Havia enorme neblina pela manhã e mal víamos a estrada. Nesta rota, beirando o Rio da Prata, passamos por duas cidades antes de chegarmos ao ponto final. Na primeira delas, Piriápolis, chama a atenção o Hotel Argentino, enorme construção dos anos 40 onde ainda há um famoso cassino. Também subimos uma montanha e no topo dela há vista para a cidade e o rio. Porém, não vimos nada. Eu e Carla, minha prima, nos contentamos em entrar numa pequena capela dedicada a Santo Antônio. De lá passamos por Punta Ballena. O principal atrativo da cidade é o Museu Casapueblo, do artista plástico Carlos Paéz Vilaró. Com estilo semelhante às obras de Gaudí, o local serve como espaço cultural e residência de Vilaró. Abriga além das obras dele, peças de Pablo Picasso. Amigo do artista de Málaga, Vilaró foi presenteado com várias peças de Picasso, como cerâmicas e gravuras que encontram-se no Casapueblo. 
Museu Casapueblo de Carlos Paéz Vilaró, em Punta Ballena
Em Punta Del Este, no inverno, o visitante talvez tenha a impressão de estar numa cidade fantasma. Difícil acreditar que ali, onde o Rio da Prata encontra o mar, seja o mesmo lugar disputadíssimo por gente do mundo inteiro. Boa parte das lojas e restaurantes funcionam apenas durante o verão, de janeiro a março. O luxo da cidade se vê nas griffes espalhadas por todos os lados, como a Louis Vuitton. Punta conta com uma população aproximada de oito mil pessoas. O luxo se reflete nas gigantescas residências. Surpreende saber que algumas têm ocupação em poucos dias do ano com um custo de manutenção astronômico. “Quem realmente desfruta destas residências são os caseiros”, diz em tom bem humorado a nossa guia, Cecília. No dia seguinte, o passeio vai para Colonia Del Sacramento, a 180 quilômetros da capital do Uruguai. Antes, uma passada por uma vila de colonização suíça-alemã e pela Granja Colonia Arenas. O proprietário, Emilio Arenas Florin, guarda um museu com coleções gigantescas de chaveiros e lápis, entre outras peças. A delícia do passeio fica com uma degustação de queijos e doces. Não deixo de trazer para casa potes de um maravilhoso doce de leite, uma delícia inigualável. Colonia Del Sacramento constitui uma cidade absolutamente aconchegante. Fundada pelos portugueses, foi disputada durante muito tempo entre lusos e espanhóis, tendo a vitória final cabido a estes últimos. Num estilo literalmente colonial, a localidade se divide na arquitetura de casas e igrejas, no chão e nas ruínas entre resquícios hispânicos e portugueses. O charme também aparece em peças artesanais. De barco Colonia está a apenas 50 minutos de Buenos Aires e os argentinos costumam a ir passar os fins-de-semana por ali. Muitos têm casa por lá. 
O charme de Colonia Del Sacramento
No sábado, ainda ganhamos mais um passeio turístico. Nosso voo de volta ao Brasil, previsto para as 6h é cancelado pelo mau tempo. A viagem fica para de tarde. Ganhamos como compensação uma estadia no Hotel Argentino, em Piriapolis, com café da manhã. Deliciamo-nos ao andar pelos corredores longos e desertos, que lembram muito o cenário do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Do hotel ganhamos um passeio novamente à montanha onde havíamos estado dias antes. Desta vez, para nosso júbilo, a neblina se foi e podemos ver uma paisagem estonteante do alto, com a cidade e o Rio da Prata à frente.
Escrito por Marcelinho às 21h51
[]
[envie esta mensagem]
[link]
EM MEMÓRIA
E Farrah Fawcett também se foi 
Longos cabelos loiros, olhos claros, sorriso encantador, carismática. Farrah Fawcett é uma das imagens mais belas dos anos 70. A atriz morreu hoje, aos 62 anos, como Michael Jackson, também em Los Angeles. Ela lutou durante dois anos e meio contra um câncer. Na última quarta-feira foi transferida para a UTI, de onde não saiu mais. Esta linda mulher ficou famosa em 1976, quando estreou o seriado de TV Charlie’s Angels (As Panteras aqui no Brasil) junto a Jaclyn Smith e Kate Jackson. Farrah participou da primeira temporada das Panteras. Deixou a produção em 77, quando foi substituída por Cheryl Ladd. Os episódios mais lembrados do trio são sem dúvida os que têm Farrah no elenco. Ex-policiais, eram contratadas como investigadoras particulares pelo misterioso Charlie, que nunca aparecia e do qual apenas se conhecia a voz. Com seu jeito meigo, Fawcett interpretou a personagem Jill Munroe. Era o auge desse tipo de filme na TV, como Baretta, Starsky & Hutch e Swatt. Farrah Fawcett foi casada com Lee Majors, o Homem de Seis Milhões de Dólares. Teve um longo romance com o ator Ryan O’Neal, que a acompanhou até os últimos momentos. No final dos anos 90, chocou o mundo ao aparecer publicamente toda machucada para denunciar a violência que sofreu por parte de um namorado. Guardo boas lembranças das Panteras, seriado que assisti bastante nos anos 70, se não me falha a memória, nas noites de quarta-feira, na Globo, em versão dublada. Em 2003, passei por um revival desses filmes ao comprar uma caixa de DVDs com a primeira temporada completa. Diverti-me bastante. Embora minha favorita fosse a morena Jaclyn Smith, Farrah me agradava com seu ar ingênuo de garota texana. Ainda que sua morte fosse esperada, dado seu delicado estado de saúde, o fato não provoca menos tristeza. Lamento muito.
Escrito por Marcelinho às 23h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
LUTO
Morre Michael Jackson

Não poderia haver notícia mais triste nesta quinta-feira (25). Um dos ícones da música pop, Michael Jackson morreu à tarde, após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Ele chegou a ser socorrido por paramédicos, porém não resistiu. Segundo o hospital da Universidade da Califórnia, onde foi atendido, Michael chegou ao local em coma profundo. Poucos artistas conseguem rivalizar em termos de sucesso com Michael Jackson. Ele transformou-se uma lenda da música popular mundial ao lado de nomes como os Beatles, Elvis Presley e Frank Sinatra. Thriller, seu álbum de 1983, é o mais vendido da história. Até 2006, mais de 104 milhões de pessoas compraram este disco. Todos os seus álbuns somam cerca de um bilhão de unidades comercializadas. As cifras astronômicas na verdade não representam o que há de mais significativo em Jackson. Não existem números capazes de medir seu talento. Um grande cantor, compositor, instrumentista, produtor e dançarino, registrou trabalhos memoráveis ao longo dos anos 60 e 70. Michael Joseph Jackson nasceu no dia 29 de agosto de 1958, na cidade americana de Gary. Aos cinco anos de idade, começou a cantar com os irmãos no Jackson 5 ou The Jacksons. Em 1967, a banda assinou seu primeiro contrato de gravação. No entanto, foi quando migraram para o célebre selo de soul Motown, em 1969, que adquiriram status de astros mundiais, ganhando até um desenho animado. Naquele mesmo ano, conheceram Diana Ross, que se tornou uma espécie de madrinha de Michael. Em 1971, o cantor iniciou sua carreira solo, que durante os anos 70 levaria em paralelo ao trabalho com os Jacksons. O grupo foi um campeão de vendas e lançou hits inesquecíveis como Never can say goodbye, ABC, Can you feel it e Blame it on the boogie. Em sua carreira solo ou com os irmãos, Michael se destacava pela performance contagiante, pelo som com muito suingue e por sua incrível voz. No ano de 1979, com produção de Quincy Jones, lançou aquele que talvez seja seu melhor álbum solo ao lado de Thriller: Off the Wall. Ali estão pérolas como Don’t stop ‘till you get enough, Rock with you e a música que dá nome ao disco. Em 82, gravou Thriller. Nessa época, mais do que nunca, Michael Jackson virou uma febre mundial. Lembro da estréia de cada clipe no Fantástico, sempre com uma aura de grande expectativa. As músicas eram demais e, para aqueles tempos, os vídeos também faziam jus à atenção dos fãs. Billy Jean trazia Jacko perseguido por um investigador particular, com o chão se iluminando por onde ele pisava. Beat it mostrava o cantor em meio a uma briga de gangues, enquanto Thriller, o melhor de todos os clipes, encenava uma historinha de terror. John Landis, o diretor de Um Lobisomem Americano em Londres, assinou o visual morto-vivo da produção. Na segunda metade dos anos 80, a carreira de Jackson começou a entrar em declínio. Passou a gravar cada vez menos. Lançou Bad (87), Dangerous (91) e Invincible (2001), discos onde a velha energia foi sumindo cada vez mais. Chegou a entrar em estúdio há três anos para um novo trabalho, entretanto o material permanece inédito. Pior foi sua vida pessoal. As inúmeras cirurgias e os supostos tratamentos para deixar a pele mais clara desfiguraram o cantor. Some-se a isso o escândalo pela acusação de abuso sexual contra crianças que levou Michael inúmeras vezes aos tribunais. Nos últimos 20 anos, freqüentou mais as páginas de policia dos noticiários do que as colunas de cultura. Em meio a tanta turbulência, ainda passou por um rápido casamento com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie e deixou três filhos, dois com uma médica e um com mãe desconhecida. Problemas à parte, falamos de um artista que irá deixar muitas saudades. Em momentos como esse, e quando vimos partir outros como James Brown, Curtis Mayfield e Ray Charles, é ainda mais deprimente porque, ao contemplarmos o lixo atual do pop, não apenas perdemos grandes nomes, como não vemos outros de igual brilho surgir. Descanse em paz, Michael!
Escrito por Marcelinho às 20h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Turismo e gastronomia
Vinhos, cervejas e massas no Uruguai Falamos da parrillada e de sua importância para a gastronomia do Uruguai. /Como os grelhados, as massas também ocupam um papel de destaque na culinária desse país. Dos restaurantes mais sofisticados até os de aspecto mais humilde é difícil errar ao pedir uma “pasta”, dado o fato de o Uruguai, como a Argentina e partes do Brasil, também ter tido representativa colonização italiana. Lasanhas, sorrentino, espaguetes, canelones e nhoques podem e devem ser pedidos pois irão fazer a alegria de quem os provar.

Para acompanhar nada melhor que um vinho uruguaio. Entre as marcas há a Dom Pascual, a Casa Filgueira e o Pisano. A tannat é a uva número um, mas também encontram-se cabernet sauvignon, malbec, syrah e os combinados. 
Aqui a gente até conhece um pouco as cervejas uruguaias, pois de uns anos para cá passamos a encontrá-las com facilidade em bares, restaurantes e supermercados. Patrícia, Norteña e Pilsen são as mais conhecidas dos brasileiros, porém fico no sabor com Zillerthal, uma cerveja bastante de gosto apurado. 
Voltando ao assunto comida, não deixaria de falar do chivito, o sanduíche nacional, feito com pão e carne, e o pancho, versão argentina e uruguaia para o cachorro quente. E também deixo como dica os chocolates, bons e à venda em qualquer mercadinho como o Ricardi.
Escrito por Marcelinho às 21h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
TURISMO
Uma viagem a Montevidéu 
Para os amantes da carne, nada mais recomendável no Uruguai que a parrillada Na semana passada, eu e minha prima Carla fizemos uma viagem de seis dias ao Uruguai, um país onde há ótimos programas turísticos, culturais e gastronômicos. Saindo de Brasília, fomos de avião para Porto Alegre e de lá para Montevidéu. Da capital do Rio Grande do Sul para Montevidéu leva-se pouco mais de uma hora pelo ar. Isso explica a enorme quantidade de gaúchos cruzando a fronteira. Do aeroporto de Carrasco gasta-se em torno de uma meia hora para ir ao centro da capital uruguaia. O custo disso: pouco mais que uns 400 pesos uruguaios ou algo acima de R$ 40. Para se hospedar lá recomendo o Hotel Europa, onde já fiquei duas vezes. Tem localização privilegiada, próximo à avenida 18 de julho, grande via de comércio, perto de boa parte dos monumentos turísticos e em suas cercanias há bons restaurantes. A diária inclui café da manhã, dá acesso a Internet gratuita em um computador no saguão do Europa e os funcionários são muito prestativos. O Hotel fica na rua Colonia 1441. O e-mail é o reservas@hoteleuropa.com.uy. Já havia falado algum tempo da Ciudad Vieja (Cidade Velha), bairro onde estão museus como o de Arte Decorativa e o Indígena, o Teatro Solis e o Mercado Del Puerto.Gostaria de escrever sobre o Mercado, mas, antes, vou situar um pouquinho a gastronomia uruguaia. Donos de alguns dos melhores rebanhos bovinos do planeta, assim como os gaúchos e os argentinos, os uruguaios se destacam pela excelente qualidade de suas carnes. O prato nacional é a parrillada, o equivalente ao nosso churrasco. Parrillada vem de parrilla, grelha em espanhol. São vários cortes de carne – de boi, frango e porco – assando na brasa. Uma farta parrillada pode custar em torno de uns R$ 60, mas dá com tranquilidade para alimentar três pessoas. E claro, como na Argentina, não se dispensa como acompanhamento as tradicionais papas (batatas) fritas. O Mercado Del Puerto é um paraíso para os carnívoros como este vosso escriba. Você entra no lugar e se depara com uma dezena de restaurantes dedicados a essa maravilhosa iguaria. Fomos dois dias por ali. No primeiro, pedimos uma parrillada e não conseguimos comer tudo. Muita carne. No segundo, me servi de dois nacos de picanha. Perto do nosso hotel já havíamos descoberto da outra vez um restaurante muito bom chamado Locos de Asar, onde além de ótima parrilla há massas, vinhos e cerveja de qualidade. Ficamos amigos de um simpatíssimo garçom, Gonzalo, que lembra muito o ator Rowan Atkinson, o Mr. Bean. Gonzalo, como muitos de seus colegas de profissão, fala muito bem o português. Os brasileiros gostam dele de cara. O Locos de Asar fica na rua San José 1065, paralela à 18 de Julio e à Colonia. O site deles é o www.locosdeasar.com e o e-mail info@locosdeasar.com. Depois posto mais um comentário sobre a gastronomia uruguaia.
Escrito por Marcelinho às 18h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
VIAGEM
De volta Após seis dias em Montevidéu, retornei para Brasília. Vou postar alguns comentários sobre a viagem, com dicas para os que pretendam ir um dia ou simplesmente saber um pouco mais sobre a maravilhosa capital do Uruguai e de outras cidades que tive oportunidade de visitar. Um abraço.
Escrito por Marcelinho às 23h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
VIAGEM
A caminho de Montevidéu Olá, amigos. Neste domingo (7), às 10h, embarco para Montevidéu, onde passarei seis dias. Volto no sábado (13). Até lá é possível que o blog fique desatualizado, pois não sei qual será a disponibilidade de computadores para postar algo. Caso consiga, escreverei. Essa é a minha segunda viagem à capital uruguaia. Pena que chegue no dia seguinte ao jogo em que a Seleção Brasileira meteu uma goleada em nossos vizinhos. Montevidéu é uma cidade simpática, aconchegante, até onde sei segura e com muitas opções culturais e gastronômicas. Está um frio de rachar por lá e a temperatura máxima não está ultrapassando os 15º Celsius. Também quero ver se consigo conhecer algumas cidades próximas. Para todos o meu abraço, um bom domingo e uma ótima semana.
Escrito por Marcelinho às 21h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ECOLOGIA
E no Dia do Meio Ambiente derrubam árvores e matam pássaros Na tarde desta sexta-feira, um amigo meu, o jornalista Fabrício Zago, estava indignado – e com razão. Contou-nos que recebeu um telefonema de um conhecido seu dizendo que funcionários do governo local derrubaram dez árvores no Setor Sudoeste, bairro nobre de Brasília. A empreitada desses homens ainda custou a vida de filhotes de pássaros que estavam em um ninho numa das árvores sacrificadas. Os funcionários públicos sequer se deram ao trabalho de verificar se havia algum ninho nas árvores. O acontecimento não poderia ser mais emblemático do descaso em relação à ecologia: hoje, 5 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Fabrício, perplexo com o fato, enviou e-mails para as redações de vários veículos de comunicação. Contou-nos que o Correio Braziliense teria ido ao local e feito fotos das árvores e dos bichinhos mortos. O que mais choca nesta notícia é o fato de que os funcionários do GDF cortaram as árvores a pedido de um morador do bairro. Sinceramente, queria entender a estupidez deste indivíduo e saber de que maneira as árvores poderiam incomodá-lo. Não basta que imensas áreas verdes do Distrito Federal tenham sido devastadas por grileiros para a construção de condomínios. O custo dessa ganância feroz: mais seca, mais calor, a morte de animais e menos água, com a destruição de nascentes. Como diria um famoso locutor esportivo: é, amigo. Também não basta que irão destruir mais uma preciosa área verde de Brasília para construir outro bairro para gente rica, o tal Setor Noroeste, onde um apartamento não custará menos que R$ 800 mil. É, amigo, não basta. Faltava um patético cidadão indignado com sei lá o quê mandar cortar árvores. Talvez elas estivessem atrapalhando a visão de sua janela. Vai saber. No início desta semana visitei aqui em Brasília, no shopping Conjunto Nacional, para fazer uma reportagem para o portal do Sebrae, a Planeta Renctas. É uma loja ligada à Renctas (www.renctas.org.br), uma ONG sediada na capital que combate o tráfico de animais silvestres. Na Planeta Renctas vendem-se apenas produtos criados de maneira sustentável e com reciclagem, como almofadas de fibras vegetais, biojóias e camisetas cujos tecidos são feitos de garrafas pet, enre outros materiais. O link para a minha reportagem é http://asn.interjornal.com.br/noticia.kmf?noticia=8519116&canal=217. Além de tudo, os produtos comercializados na Planeta Renctas são criados por 51 comunidades de artesãos do Brasil inteiro, que sobrevivem desta venda. Todo o lucro da Planeta Renctas – o que sobra das despesas e do pagamento aos artesãos – destina-se ao combate ao tráfico de animais silvestres, sem dúvida um dos crimes mais hediondos que existem. A Renctas dá um importante exemplo em um mundo onde cada vez mais vale a agressão e a destruição. Não percebem eles mesmos que ao derrubarem estas árvores e matarem filhotes de pássaros sacrificam a si próprios e a todos nós.
Escrito por Marcelinho às 22h34
[]
[envie esta mensagem]
[link]
LETRAS
Escritores argentinos 
Ernesto Sabato participa da série do La Nación O jornal argentino La Nación editou há alguns anos uma série de livros de grandes autores argentinos. Esses títulos, que são excelentes, podem ser adquiridos em lugares como a Livraria Cultura por um preço bem em conta – algo próximo de R$ 14. Passou pela minhas mãos desta série Uno y El Universo, de Ernesto Sabato. Trata-se de um livro de artigos, no qual o autor trata de assuntos como Determinismo, Surrealismo e Ciência e Moral. A obra, de 1945, lançou Sabato como escritor, com um conjunto de textos contemplados com o Primeiro Prêmio em Prosa da Municipalidade da Cidade de Buenos Aires. O livro dá mergulhos na filosofia da ciência. Vale mencionar que o escritor argentino cursou filosofia e trabalhou no Laboratório Curie. Largou a ciência em 1945 para se dedicar às letras, universo para o qual trouxe fortes influências de suas atividades anteriores. Dos textos de Uno y El Universo o que mais me chamou a atenção foi Borges, dedicado ao compatriota Jorge Luís Borges. Logo no começo deste artigo, Ernesto diz com ar sedutor que quando “se faz uma escavação” na obra de Jorge Luis Borges aparecem fósseis díspares como naipes de truco, letras de tango, demonstrações matemáticas, Lewis Carrol, Franz Kafka e labirintos cretenses. Uma frase assim já é suficiente para atiçar imediatamente o interesse sobre a obra de Borges. Já no final do texto, Sabato conclui sobre Jorge de maneira caleidoscópica: “arbitrário, genial, terno, relojoeiro, débil, grande, triunfante, arriscado, temeroso, fracassado, magnífico, infeliz, limitado, infantil e imortal”. E por falar em Borges, na mesma série do La Nación destaca-se História Universal de la Infamia, no qual o escritor se dedica a breves relatos sobre alguns dos maiores meliantes da história. Entre os curiosos tipos desta galeria aparecem a viúva Ching. Esta mulher sobreviveu ao esposo, o pirata Almirante Ching. Após a morte do marido, a viúva demonstrou imenso talento para tocar os negócios escusos do Almirante. Outro malfeitor famoso que ocupa as páginas do livro de Jorge Luis é o gangster norte-americano Monk Eastman. Ele aterrorizou Nova York na virada do século 19 para o 20. Tornou-se notório como assassino profissional e chegou a comandar uma quadrilha de 1.200 homens. Monk teve como fato inusitado em sua biografia a atuação como combatente na I Guerra Mundial. Dizem que não costumava a fazer prisioneiros e fuzilava os alemães que por um acaso caíssem em suas mãos. Terminou a vida literalmente na lama. No Natal de 1920 encontraram seu cadáver em uma rua de Nova York crivado de balas.
Escrito por Marcelinho às 21h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
TRISTEZA
Tragédia no oceano A segunda-feira começou com a terrível notícia do desaparecimento do voo AF447, da Air France. Duzentas e vinte e oito pessoas entre passageiros e tripulantes estavam a bordo do airbus francês, que ia do Rio de Janeiro para Paris. Até o momento, enquanto as buscas prosseguem, há apenas suposições sobre a real causa do acidente. A mais forte hipótese levantada é a de que o avião tenha enfrentado uma poderosa turbulência, que teria provocado uma pane nos equipamentos da aeronave. A tragédia provocou comoção não apenas no Brasil e na França, países com maior número de prováveis vítimas no desastre, como no mundo inteiro. Conhecia um dos passageiros, o maestro Sílvio Barbato, que atuou como regente e diretor da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, aqui em Brasília. Tive a oportunidade de entrevistá-lo diversas vezes quando trabalhava em um jornal da cidade. Era uma pessoa bastante simpática e gentil. Voei em algumas ocasiões pela Air France e sempre achei a companhia uma das melhores. Enfim, é mais uma fatalidade que nos causa espanto e imensa tristeza. Neste momento difícil a única certeza é a dor pela qual passam os familiares e amigos de quem estava no Airbus. Que essas pessoas, de alguma forma, encontrem a força necessária para superar este imenso sofrimento.
Escrito por Marcelinho às 22h52
[]
[envie esta mensagem]
[link]
POEMA
Aí vão uns versos que escrevi em maio de 2001 Na minha época Na minha época Os punks de Los Angeles eram bem mais conscientes do seu papel social Entre gigantes de oito metros Nossa cidade era maior que New York E enquanto bebia dúzias de garrafas de uísque, Armazenava milhares de MP3s Na minha época, na minha época, na minha época, Bandas de rock com 50 integrantes Mas você nem havia nascido
Escrito por Marcelinho às 22h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Na noite
Green Folkies tocam Dylan e mais

Nesta sexta-feira (22), depois do trabalho, já marquei um programa: ir ao Cornhills, um café aqui em Brasília, para ver a apresentação dos Green Folkies. Trata-se de uma dupla formada por Fernando Brasil (voz e violão) e Flávio Pennacchio (violino e banjo). Há dois anos na estrada, o duo se especializou num interessante repertório de folk music de nacionalidade britânica, irlandesa e norte-americana. No repertório não apenas tocam mestres necessariamente ligados ao folk deste lado do Atlântico, como Leonard Cohen, Johnny Cash, Bob Dylan e Neil Young, como também despejam canções tradicionais irlandesas, Van Morrison, Beatles, Rolling Stones e outros. Fernando, que também é líder da banda Phonopop, influenciada por sons britânicos modernos, revelou-se ótimo intérprete folk, tanto na voz quanto no violão. Flávio, por sua vez, demonstra versatilidade no banjo e no violino – que ele prefere chamar de fiddle, versão caipira do instrumento erudito, por aqui conhecido como rabeca. Os arranjos são apurados e a performance empolga. Junto à dupla se apresentará um certo Mud Adams, que não conheço ainda. Fiquei contente que quando cheguei ao Cornhill, há duas semanas, os caras me dedicaram a belíssima Whistle for the Choir, dos escoceses do The Fratellis. Valeu mesmo. Amanhã vou cobrar Whiskey in the Jar, tradicional tema irlandês, imortalizado no universo roqueiro pelo Thin Lizzy. Além do mais, o Cornhills é um lugar agradabilíssimo, com boa comida e cervejas maravilhosas, como a inglesa London Pride e a irlandesa Wexford. O dono é uma figura simpatíssima, Glen. Escocês, trabalhou anos em Londres como advogado, casou-se com uma brasileira e mudou-se para Brasília para tornar-se um empreendedor. Grande Glen. A todos o meu abraço, ótima sexta-feira e um agradável fim de semana.
Escrito por Marcelinho às 22h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Erramos
Ato falho No texto sobre o show do Heaven and Hell, ao citar o repertório, escrevi Children of the Grave, do álbum Master of Reality, ao invés de Children of the Sea, do disco Heaven and Hell. Provavelmente estava com o Ozzy na cabeça (rs). Valeu ao amigo e leitor Pedro e o Lobo por me chamar a atenção sobre o fato. Afinal, já havia dito que o grupo não tocava nenhuma canção da fase Mr. Osbourne. A todos um abraço e bom fim de semana.
Escrito por Marcelinho às 11h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Show
Noite de metal
Divulgação 
Nos palcos, o quarteto Heaven and Hell desfila seu som pesado e sombrio Não poderia ter sido melhor a passagem da banda anglo-americana Heaven Hell por Brasília. O quarteto tocou na capital na noite de quarta-feira (13), no Ginásio Nilson Nelson. No repertório da apresentação, músicas dos álbuns Heaven and Hell, Mob Rules e Dehumanizer, do Black Sabbath, e The Devil You Know, gravado pela bandeira Heaven and Hell. Nesta sexta-feira (14) e sábado (15), a banda toca em São Paulo, no Credicard Hall. No domingo, encerra a digressão no Citibank Hall, no Rio. Como já havia anunciado, minha grande ansiedade era ver o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler, membros originais do Black Sabbath. O som produzido por essa dupla é um dos mais influentes da história do rock. E os caras continuam impressionando, Iommi com seus solos enfurecidos, embebidos em blues, e Geezer com seu baixo matador e veloz. Dio também deixa boquiaberto qualquer um que descubra que ele já conta com 67 anos de idade. O cantor quase septuagenário impressiona pela forma física – magérrimo – e, principalmente pela potência de sua voz. Ainda canta horrores. Pergunto-me se talvez hoje seu vocal não seja ainda mais forte do que quando integrou grupos como o Rainbow e o Sabbath, nos anos 70 e 80. Além de tudo, Dio esbanja simpatia. O cantor comunicou-se bem com a platéia. Abraçou-se a uma bandeira do Brasil e recolheu um pano em que estava escrito o nome da banda. Vinny Appice, o caçula do quarteto, aos 50 anos, não deixa a peteca cair, atacando com precisão seu kit de bateria em cada canção. Para delírio do público, solou em Time Machine, do disco Dehumanizer. A platéia – que ia de miúdos a sessentões – curtiu as canções mais novas, porém se empolgou mesmo com o repertório do álbum Heaven and Hell, em canções como Children of the Sea, Die Young e a faixa título, que encerrou a performance. No bis, voltaram com Kneon Nights. Para frustração de muitos, o grupo não incluiu na performance repertório do Black Sabbath dos anos Ozzy Osbourne. Cerca de cinco mil pessoas compareceram ao show. O público poderia ser maior. Deve-se levar em conta o fato de a apresentação ter ocorrido no meio da semana. O som também significou um problema nas duas primeiras canções. Em Mob Rules, só escutamos a voz e o baixo. Depois, felizmente, a técnica acertou a equalização dos instrumentos. Mesmo com os deslizes, todos voltaram para suas casa com a certeza de terem visto uma das melhores atuações de um grupo de veteranos do rock, que mostram que não vivem só do passado e ainda mandam muito bem.
Escrito por Marcelinho às 16h37
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|