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INFANTIL
A Testinha de Gabá Enquanto finalizo meu livro de contos de terror, ainda tento me dedicar a mais um projeto, uma história infantil. A narrativa mostra a criatividade vencendo o preconceito e o bullyng. Nela, além do texto, tento faço ilustrações. Não sou profissional no desenho, então, tento, de alguma forma, exprimir minhas ideias, nem que seja por traços primários. Comentaram comigo que meus desenhos parecem os de uma criança, o que me agradou. Já que a história é infantil, nada melhor do que passar a ideia de que uma criança mesmo ilustrou o trabalho. Abaixo, esboços: 

Escrito por Marcelinho às 22h19
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PARA BREVE
De volta ao Sobrenatural

Abaixo, um trecho do meu próximo livro, que espero lançar ainda em 2012. O texto ainda não teve revisão séria, então, por favor, desconsiderem alguns erros Tonzão andava de um lado para outro. Uma hora, foi ao quarto do pequeno Felipe. A criança acordou chorando. Maria seguiu o marido até o quarto do menino e viu uma cena que a deixou emocionada. Ele tirou a criança do berço e pôs a cabeça do menino em seu ombro, fazendo o bebê parar de chorar. Maria se aproximou do marido e disse: – Tonzão, tem alguma coisa em que eu possa te ajudar? –Ele, que estava de costas, virou-se para a mulher, sério, e respondeu: –Ajudar em quê? – Eu não sei. Queria que tudo voltasse a ser que nem era antes, quando você não bebia. – Maria, fique calma. Vai dar tudo certo. Eles apenas se olharam e ninguém disse mais nada. No momento em que Tonzão colocou a criança de volta ao berço, já adormecida, o temporal começou a cair, ao som de trovejadas. O marido fechou a janela do quarto, enquanto Maria correu para a sala. – Preciso fechar a porta. Maria trancou a porta quando a água já começava a entrar na sala. Depois, foi fechar a janela. Olhou para fora de casa. A chuva era tão intensa que mal dava para enxergar além do matagal, à frente. Foi então que, em meio à chuva torrencial, ela pensou ter visto alguém ao longe, no meio do mato. Parecia um homem negro alto e magro, com paletó e chapéu brancos. A impressão que tinha era que esse homem estava parado observando sua casa. – Que diabos que esse homem tá fazendo ali? Vai se molhar todo. – Quem? A pergunta veio de Tonzão, que surgiu atrás dela. – Acho que tem um homem ali fora, perto do mato. – Homem? Tonzão esticou a cabeça e pediu para a esposa se afastar um pouco para ele ver quem era. – Ué! Não tô vendo ninguém, mulher. Maria chegou novamente perto da janela para mostrar ao marido onde estava o homem, porém, não havia mais ninguém no local em que pensou tê-lo visto. – Ele tava bem ali. – Vai ver que você deve ter se confundido. – Eu acho que vi alguém sim, mas deixa pra lá. Preocupado com a possibilidade de haver um estranho rondando a casa, Tonzão perguntou a Maria: – Como é que era essa pessoa? – Era um homem de pele escura, como a gente, alto e magro, de terno e chapéu branco. Após pronunciar a descrição, Maria viu o marido se afastar da janela com rapidez. Sua expressão facial se congelou, num retrato que parecia de medo. – Maria, fecha essa janela. Sem nem pensar, ela obedeceu. – O que aconteceu? – Nada não. Fecha pra não molhar a sala. Só então Maria associou a visão que acabara de ter com o choque do marido. A figura toda vestida de branco. “Fio”, deduziu. Mas se ele era mesmo amigo do seu esposo por que o medo no rosto de Tonzão? – Você não vai me dizer o que aconteceu? – Nada não, Maria. – Por que você ficou desse jeito? É o Fio, não é? – Não é ninguém não, mulher. – Pode falar. Você se meteu em algum problema com ele? Tá devendo aquele dinheiro todo? Ele veio te cobrar? Eu não te falei que isso ia dar problema, homem? Eu não te disse? – Não é isso, Maria. Esquece. – Eu não vou esquecer nada. Fale o que aconteceu. Se for dinheiro, a gente dá um jeito. Eu arrumo nem que tenha que vender até minha roupa do corpo. – Já falei que não é dinheiro. – Então é o quê? – Maria, deixa isso pra lá. Não vou te responder mais nada. Maria olhou para o seu esposo, que permaneceu sério por alguns instantes, até que o choro surgiu no rosto dele. Ela correu para abraçá-lo, sem também conseguir conter as lágrimas. – Fale pra mim o que houve. Choramingando, ele se limitava a dizer. – Não foi nada. Não foi nada não. Não se preocupe comigo, Maria. Não vai ter nada. Fica tranquila. Naquela noite, Tonzão não saiu de casa, para alívio da esposa. O marido mal quis jantar a galinha ao molho pardo que ela preparara. A despeito de estar sem fome, demonstrou ânimo com o filho. Ele brincou como há tempos não fazia com Felipe, com incrível alegria. Pôs o garoto pra dormir às 20h30 e uma hora depois o casal já estava na cama. Maria queria perguntar, mas decidiu não fazer isso. Ia esperar os próximos dias. Quando fechou os olhos, a chuva ainda caia forte lá e não parecia dar sinais de que iria parar tão cedo. Acordou no meio da noite e a chuva ainda estava forte. Mas foi o barulho da porta batendo que a fez levantar. Olhou para Tonzão, que dormia tranquilo ao lado, insensível às pancadas que davam na porta. Maria foi rápido até a sala e abriu a porta, sem pensar em quem batia. Só depois de aberta a porta, pensou que não deveria ter feito isso. Do lado de fora estava o homem que vira horas antes, no matagal em frente à sua casa. Ele vestia o mesmo paletó branco e, apesar da chuva que caía, a roupa não estava molhada. Para seu espanto, não havia uma gota d’água sobre o corpo do homem magro e alto, que olhava para Maria sem mexer um traço no rosto. Ela sentiu temor. Um arrepio percorreu seu corpo no momento em que o homem abriu a boca e falou, com uma voz grave e forte. – Vim buscar seu marido. Ela olhou para o homem de branco, que nem piscava os olhos. Então, reuniu alguma coragem para responder. –Meu marido tá dormindo. O que você quer com ele a essa hora? Passaram-se alguns segundos antes que o homem respondesse. Havia algo muito estranho nos seus olhos e deles parecia sair o terror que afligia a mulher. A voz grave soou novamente. - Eu já falei. Eu vim pra buscar seu marido. Já titubeando, sem a mesma força de antes, Maria disse: – Pois eu já falei que ele tá dormindo e não vai sair. Quase como uma estátua, o homem apenas movia os lábios. Sem fazer qualquer força, sua voz poderosa se expandia por toda a sala e vencia o barulho da chuva lá fora. – Estou aqui pra levar o Tonzão e nada vai me impedir. – Levar? Levar pra onde? – Isso só diz respeito a mim e a ele. – Ele não vai sair. Maria viu que era hora de tomar uma atitude para o homem ir embora. Tentou bater a porta na cara dele, mas, com apenas um leve movimento de sua mão esquerda, o estranho de paletó branco reteve a porta. Maria pôs toda a sua força para empurrar, sem resultado, enquanto o homem permanecia parado, sem esboçar qualquer esforço. Sua mão foi avançando, seguida pelo resto do corpo. Não foi necessário muito para empurrar a porta com Maria para dentro. O homem avançou pela sala ante os olhos incrédulos dela. Como se parecesse conhecer o lugar, caminhou na direção do quarto do casal. A mulher só conseguiu dar um grito, que fez o invasor virar-se para ela. Desta vez, ele não estava mais impassível e trazia um largo sorriso no rosto. – Tarde demais. Após esta frase, o estranho explodiu numa gargalhada, que cresceu ensurdecedora pela casa. Maria, aterrorizada, deu um grito.
Escrito por Marcelinho às 20h18
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LIVROS
Tardes de autógrafos na Bienal Brasil Foto: Michelle Souza 
Durante nove dias, a Bienal Brasil animou Brasília. Quatro pavilhões ofereceram variedade enorme de títulos aos leitores da capital. Junto aos estandes, a feira também foi agitada por shows, palestras, performances teatrais, exposições e sessões de autógrafos. Toda esta programação atraiu milhares de pessoas diariamente à Esplanada dos Ministérios. Para mim, estar na Bienal do Livro significou oportunidade de divulgar mais uma vez meus dois livros, Não Abra – Contos de Terror e Pedaço Malpassado, principalmente para o público jovem (adolescentes e pré-adolescentes), o mais receptivo. O convite para mostrar meus livros veio do paulistano James Misse, proprietário da Editora Pé da Letra. Empreendedor da área de cultura, James escreve livros infantis maravilhosos e inteligentes, que despertam as crianças para o mundo das palavras e para a vida. Ele é autor de obras encantadoras como Coisas pra fazer antes de crescer e Medo no Escuro. Numa atividade que combina literatura com música, Misse já rodou o mundo. Vendeu mais de 400 mil livros e apresentou-se para cerca de 250 mil crianças em escolas e outros ambientes. Atrás do balcão, durante todos os dias da Bienal Brasil, não parou de autografar seus títulos. Velho conhecido, James comercializou Não Abra - Contos de Terror na Feira do Livro de Brasília. No sábado passado (21), ele me cedeu um espaço no seu estande. Contei ainda com o incansável apoio de Rodrigo Karp, parceiro de James na Pé da Letra, e de Michelle “Criança da Vovó” Souza, que fez as fotos do evento e o divulgou pelas redes sociais. Livros e amigos James e Rodrigo têm o lema de que não vendem livros e sim fazem amigos. Apaixonados pelas letras, pegam os livros, mostram aos potenciais leitores, fazem propaganda e chegam a apresentar performances para divulgar o conteúdo das histórias. “Se os contos já são perigosos, imagine o autor”, disse Rodrigo, brincando, em referência a mim. Nestes encontros com o público, conheci jovens figuras fantásticas como Gian, apaixonado pela literatura de terror, e a Débora, que me tratou como seu eu fosse um autor de renome. Em cada autógrafo, foto e abraço, levo comigo a recordação de pessoas que nunca havia visto e que se entusiasmaram com minhas criações. Na segunda-feira (23), nada havia sido planejado. Achei que já tinha encerrado minha participação na Bienal Brasil. Fui ao estande da Pé da Letra despedir-me de James e Rodrigo. Porém, esta derradeira tarde me reservou surpresas. Multidões de alunos, principalmente das escolas públicas do Distrito Federal, circulavam pelos pavilhões. Novamente com a ajuda dos meus grandes divulgadores, James e Rodrigo, quando percebi, estava cercado pela molecada, dezenas de garotos e garotas com meus livros nas mãos. Assim, acabou acontecendo uma sessão improvisada de autógrafos. Foi divertidíssimo. Jamais vou me esquecer de um grupo de crianças de uma escola que me cercou. Nenhuma delas levou um livro – e nem poderia, por conta da idade ainda pequena para ler histórias de horror. Porém, ao saberem que era escritor, correram até mim com agendas, cadernos, folhas de papel e flyers da Bienal para eu assinar. “Autografa logo aí que a gente já tá indo embora”, pediu uma menina. Aquilo me deixou em tamanho estado de felicidade que dei os autógrafos ali com a mesma vontade com que faria se fossem meus próprios livros. As crianças me surpreendem. Além de todo acesso à cultura que se tem à disposição numa feira como essa, guardamos algo muito importante, a possibilidade de encontrar pessoas e compartilhar um monte de experiências legais. Lá na Bienal estava meu amigo poeta Luiz Reis, que apresentou seus belos textos ao público na noite de sexta-feira (20), na Livraria do Chico. No sábado, ele veio até o estande da Pé da Letra com outro amigo, Frederico Condé. Maaaassa! Abraço a todos!
Escrito por Marcelinho às 22h25
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NO PALCO
Bob Dylan faz show marcante em Brasília 
Ontem, pouco depois do show de Bob Dylan no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, meu amigo Fernando Cruz postou no Facebook que em breve iria aparecer gente falando mal da apresentação. Não deu outra. Algumas pessoas comentaram comigo que não valeu a pena ter pago "tanto" para ver e ouvir um sujeito com “voz de velho”. Observações desse tipo somam-se a outras referentes ao show no Rio de Janeiro. Acusaram Dylan de fazer um espetáculo morno, de não ser carismático com o público e de não tocar hits. Essas críticas podem ser facilmente rebatidas. Para começar, elas contrastam fortemente com o clima do show brasiliense. Não assisti à performance do cantor no Rio, mas o que vi ontem foram milhares de pessoas, das mais variadas faixas etárias, dos miúdos aos idosos, aplaudindo com entusiasmo, dançando e entoando coro junto com o compositor americano. Falemos em primeiro lugar da voz. O fato de Bob Dylan cantar como velho não me surpreende, afinal já ultrapassou a faixa dos 70 anos de idade. Seu estilo vocal sempre foi esganiçado e ele jamais se valeu da técnica de usar o diafragma e não a garganta em suas interpretações. Com todas as limitações, vejo em sua voz originalidade semelhante à do canadense Leonard Cohen, que também envelheceu adquirindo timbre gutural. Quanto a dialogar com a plateia, rir, contar piadas e se movimentar no palco, deduzo que quem faz esse tipo de comentário não conhece Bob Dylan, pois ele demonstra esse comportamento há mais de 50 anos. Basta assistir a vídeos e documentários sobre o artista nos anos 60 e 70 para ver que bom humor não se associa ao seu gênero. Recomendo que vejam Don't Look Back, filme de 1965 dirigido por D.A. Pennebaker. Em relação aos hits, ele cantou Hightway 61 Revisited, The Ballad of a Thin Man, Like a Rolling Stone e All Along the Watchtower. Não vá imaginar que em uma hora e meia ele conseguiria tocar todos os clássicos da sua carreira, por mais que o público quisesse ouvir Blowin’ in the Wind e Hurricane. Além de tudo, Bob apresentou-se com uma banda excelente, que mandou ver no instrumental com blues, country e rock’n’roll. Gostei dos passos que ele deu e sua gaita inusitada ainda marca sua obra. A única crítica que endosso não se relaciona ao artista e sim às péssimas condições de acústica do Nilson Nelson. Nos primeiros 40 minutos de show, praticamente se escutava apenas a voz do cantor. Depois, o som melhorou. O pior é que Brasília não dispõe de alternativa para grandes espetáculos como esse, o que pode prejudicar a pretensão da capital do país de se firmar na rota de shows internacionais. Ainda assim, ver Bob Dylan no palco significou muito. Foi um dos melhores shows da minha vida. Ali estava o cara que influenciou gerações de artistas incríveis, como os Beatles, os Rolling Stones, Leonard Cohen, Tom Waits, Lou Reed e Nick Cave. Como disse um cabeludo que estava ao meu lado: “O velhinho ainda manda muito”.
Escrito por Marcelinho às 16h16
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MUNDO DAS LETRAS
Bienal do Livro movimenta Esplanada

Da esquerda para direita: Rodrigo Karp, Victor Alegria, Tagore Alegria, Marcelo Araújo e James Misse
No próximo sábado (21), a partir das 15h, autografo meus dois livros, Não Abra – Contos de Terror e Pedaço Malpassado no estande da editora Pé da Letra, no Pavilhão A7, na Bienal Nacional do Livro. O evento acontece na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os títulos estão disponíveis na editora. O convite para mostrar meu trabalho partiu do amigo James Misse, da Pé da Letra. Há alguns anos, compro seus livros. Conheci este músico e escritor paulistano na Feira do Livro de Brasília - evento que persiste de forma capenga - em meados da década passada. Sempre frequentava o estande pela possibilidade de adquirir bons livros a preços relativamente baratos. Até hoje, as ofertas permanecem. Destaco os ótimos livros infantis criados por James, com muitas cores, formato e histórias inteligentes. O escritor leva seu trabalho, misto de música e literatura, por escolas de São Paulo. Em 2012, veio acompanhado de Rodrigo Karp nesta batalha para divulgar a cultura. Meus dois livros também estão sendo vendidos na Academia de Letras de Taguatinga, graças à força do também escritor Gustavo Dourado. Velho conhecido, Dourado abriu espaço a mais de 200 autores brasilienses mostrarem seus trabalhos na Bienal e poderem compartilhar um pouco da atenção que o público consagra aos nomes mais conhecidos do mundo das letras. Outro estande onde meus trabalhos estão disponíveis na Bienal é o da Thesaurus Editora. Foi por este selo do Distrito Federal que meus trabalhos foram publicados. Na noite de segunda (16), encontro por lá com meus amigos Nélio, Tagore Alegria e Victor Alegria. Junto com a turma da Pé da Letra, conversamos, trocando ideias sobre assuntos como o mercado de livros infantis no Brasil. Encontrar toda essa turma é uma festa. Como consumidor, me dou ao luxo de investir alguns reais na compra de livros nos dezenas de estandes da Bienal de Brasília. Na segunda, adquiri Pássaros na Boca, novo livro da argentina Samanta Schweblin. Ela passou por Brasília para lançá-lo. Peguei um autógrafo e tirei uma foto com esta jovem simpática que já foi elogiada por ninguém que Mario Vargas Llosa. O peruano considera Samanta um dos talentos promissores da atual literatura de língua espanhola. A Bienal do Livro segue até a próxima segunda-feira (23), com vendas de livros, palestras, shows, teatro e a presença de escritores. À leitura!
Escrito por Marcelinho às 19h14
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SUPERGRUPO
Grande banda de um disco só
Divulgação 
A partir da esquerda: Grech, Baker, Winwood e Clapton O grupo inglês Blind Faith (fé cega, em português) gravou apenas um álbum que leva seu nome, em 1969. Foi o suficiente para este quarteto composto por supermúsicos ingressar na história do rock. A banda formou-se com Steve Winwood (vocais, baixo, teclados e guitarra), Eric Clapton (guitarra), Ginger Baker (bateria e percussão) e Rick Grech (baixo e violino). Todos já eram instrumentistas experientes. Clapton vinha dos Yardbirds, do John Mayall’s Bluesbreakers e do Cream. De formação jazzística, o batera Baker passara também pelos Bluesbreakers e Cream, esta uma das criadoras do heavy metal. Winwood se iniciara ainda adolescente no Spencer Davis’ Group, montando em seguida o Traffic. Grech tocara no pioneiro progressivo Family. Produzidos por Jimmy Miller, conhecido pelos trabalhos com os Rolling Stones, os quatro registraram seis canções, cinco delas composições próprias. No trabalho, passearam por uma gama diversificada de influências. A voz negra de Steve Winwood alçava voos pelo instrumental repleto de liberdade. O disco destacava uma das melhores baladas acústicas de todos os tempos, Can’t Find My Way Home, com bela textura de violões e percussão. Havia também no LP hard rock em Had to Cry Today, mescla de country rock e gospel em Presence of the Lord, country e blues rock em Sea of Joy, e jazz e progressivo em Do What You Like, com direito a espetacular solo de Ginger Baker. No álbum, eles ainda fizeram uma versão com tempero latino e caribenho de Well all Right, de Buddy Holly, que serviria de base para os arranjos de outro cover nos anos 70, do guitarrista Carlos Santana. Após uma turnê norte-americana, o Blind Faith separou-se. Sua herança ficou neste disco, importante norte aos amantes da boa música. O quarteto, vale mencionar, foi um dos precursores de algo que se tornou comum tempos mais tarde: os chamados supergrupos, projetos reunindo artistas de renome. Depois do Blind Faith, Eric Clapton formou o Derek and the Dominos em 70, antes de seguir em sua muito bem sucedida carreira solo. Steve Winwood retomou o Traffic, com o qual permaneceu até 1975. Depois, também partiu para atuação solo. Ginger Baker realizou trabalhos individuais e participou de diversas bandas, como o stoner rock Masters of Reality e o BBM, ao lado de Jack Bruce e Gary Moore. Grech integrou o Traffic e foi session man. Aposentou-se da música em 1977. Morreu em 1990, aos 43 anos, por conta de problemas de saúde relacionados ao alcoolismo. Assista a um vídeo ao vivo do Blind Faith
Escrito por Marcelinho às 19h19
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TRISTEZA
Chico Anysio morre aos 80 anos 
Chico Anysio na pele do vampiro Bento Carneiro Mais importante nome do humor brasileiro, Chico Anysio morreu há pouco, por volta de 14h45 desta sexta-feira (23), vítima de uma parada cardiorrespiratória. O artista, de 80 anos, estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, popularmente conhecido como Chico Anysio, nasceu no Ceará, na cidade de Maranguape, no dia 12 de abril de 1931. Com apenas seis anos de idade, ele e a família se mudaram para o Rio de Janeiro após a falência de um negócio. Na década de 1950, trabalhou como locutor e comentarista de futebol em emissoras de rádio, entre elas a Mayrink Veiga. Neste período, ainda escreveu e atuou no cinema, na Atlântida. Chico chegou à televisão em 1957, no programa Noite de Gala, da TV Rio. Em 1950, protagonizou no rádio o Professor Raimundo Nonato, na Escolinha do Professor Raimundo, que depois se popularizaria na televisão. Por muito tempo, Chico marcou seu nome no cenário artístico brasileiro como humorista, redator, cantor e escritor. Tornou-se célebre pelos centenas de personagens que criou. Um dos seus mais duradouros programas foi Chico City, exibido na Rede Globo entre os anos 70 e 80, seguido do Chico Anysio Show. Uma das grandes diversões do brasileiro era assistir a esses programas, exibidos semanalmente. O vascaíno perna-de-pau Coalhada, o mulherengo Silva, o político corrupto Justo Veríssimo, o malandro Azambuja, o mentiroso Pantaleão, o ator canastrão Alberto Roberto, o vampiro Bento Carneiro, o idoso Popó, o alcoólatra Tavares, os pais de santo Veio Zuza e Painho, o global Bozó e a gaúcha Salomé de Passo Fundo são apenas alguns entre inúmeros papéis que encantaram o público por décadas. Anysio tinha capacidade de se metamorfosear e de formar os mais variados tipos. Eram inspirados no brasileiro comum, em celebridades e nos políticos, numa genial sátira à nossa sociedade. Ziraldo há pouco dizia no rádio que todo mundo já viu um personagem de Chico Anysio em sua cidade. Definição bastante precisa para mostrar como o humorista refletia o país em suas performances. Para mim, uma de suas melhores atuações esteve na dupla Zelberto Zeu, interpretado por Chico, e Caretano Zeloso, vivido por João Cláudio Moreno. Magistralmente, os dois satirizavam os diálogos pós-modernos de Gilberto Gil e Caetano Veloso. De 1990 a 1995 e depois no Zorra Total, Anysio estreou a Escolinha do Professor Raimundo. A atração, já exibida em versões menores dentro do Chico City e do Chico Anysio Show, se baseava na troca de piadas entre o docente e um enorme grupo de alunos. Na produção, Chico dava tanto oportunidade a atores mais velhos, alguns já esquecidos, como a novos talentos. Um dos melhores momentos da Escolinha ficava com a atuação do falecido Rogério Cardoso no papel de Rolando Lero. Esbanjando falsa erudição no vocabulário, Lero enlouquecia Raimundo com as respostas absurdas que dava a perguntas sobre acontecimentos históricos. A Escolinha foi copiada exaustivamente em outras emissoras, capitaneada por gente como Gugu, Dedé Santana e até Sidney Magal. Todas essas clonagens eram lixo. Nos últimos dois anos, a saúde do humorista se deteriorou devido a problemas cardíacos. No início de 2011, foi ao ar pela Globo um especial em que Anysio revivia antigos personagens, numa sátira ao reality show Big Brother. Ali se percebia nitidamente o estado de saúde debilitado do comediante. Seu humor crítico, inteligente e mutante fará muita falta.
Escrito por Marcelinho às 16h50
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JAZZ LATINO
Harpista colombiano empolga circuito jazzístico
Divulgação 
O colombiano Edmar Castaneda Em minha última passagem por Nova York, vi apresentação do harpista colombiano Edmar Castaneda, radicado nos Estados Unidos. Ele tocou no clube de jazz Blue Note, em show que contou com a participação do pianista cubano Gonzalo Rubalcaba e do saxofonista Miguel Zenon. A harpa surgiu há milhares de anos. É um dos instrumentos mais antigos da humanidade. Muito associada à música erudita e a alguns ritmos folclóricos, nos dedos de Castaneda tem tanto potencial para o improviso jazzístico quanto um saxofone, trompete ou piano. Edmar dá o ritmo latino suingado e apimentado à harpa e realiza longos solos no instrumento. Coisa de louco. As participações de Rubalcaba foram o ponto alto do show, com os dois instrumentistas atacando nos solos e nas harmonias, no gênero avant garde. Gonzalo é um dos maiores pianistas do mundo. Assisti a um show dele em Ilhabela (SP) faz mais de uma década. Continua um demônio nas teclas, com seu estilo que transita entre ritmos de seu país de origem e o jazz. Em seguida, subiu ao palco o saxofonista porto-riquenho Miguel Zenon. Essa parte, mais melódica e menos experimental, confesso que não me empolgou tanto. Edmar Castaneda já veio ao Brasil e se apresentou com o bandolinista Hamilton de Hollanda. Esperemos que em breve nosso público possa prestigiar novamente esse grande músico.
Escrito por Marcelinho às 18h31
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ERUDITO
Sociedade divulga músicos coreanos em Nova York Divulgação 
Young-Ah Tak
Há alguns dias, em Nova York, assisti a uma performance da pianista coreana Young-Ah Tak. Ela apresentou-se na Weill Recital Hall, no Carnegie Hall. Foi o recital de estreia da musicista na Big Apple, numa série de eventos realizados pela Korea Music Foundation. Organização sem fins lucrativos, a Korea Music Foundation nasceu em 1984, no estado de Nova York. Desde seu surgimento, a entidade já promoveu 50 recitais de début de artistas coreanos, não apenas no Carnegie, mas em outras salas de concerto da cidade, como o Lincoln Center. Numa metrópole multicultural, vale ressaltar que existem inúmeras iniciativas similares que divulgam artistas de outras nações. Young-Ah Tak já se apresentou em países como Estados Unidos, Canadá, Áustria, Alemanha, Itália, Japão e na sua nativa Coreia do Sul. Há alguns anos, vive nos EUA. Trabalha como professora assistente de piano na Southeastern University, na Flórida. Versatilidade é uma marca de Young-Ah. Em peças clássicas e românticas, seus dedos voam pelos teclados com virtuosismo e ao mesmo tempo delicadeza. Em composições contemporâneas, como Wizards – Three Magic Masters, de Judith Lang Zaimont, até usa partes do piano para percussão. Localizado de frente para a Sétima Avenida, entre as ruas 56 e 57, o Carnegie Hall constitui rota obrigatória para quem aprecia os clássicos e outros gêneros. Assistir a um desses músicos coreanos, volta e meia na pauta da casa, é oportunidade de se atestar a grande força dos orientais no terreno erudito.
Escrito por Marcelinho às 15h54
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FALECIMENTO
Ex-cantor do Monkees morre aos 66 
Davy Jones, ex-vocalista do grupo norte-americano The Monkees, morreu nesta quarta-feira (29), na Flórida, nos Estados Unidos. Com 66 anos, o cantor sofreu um ataque cardíaco fulminante. Os Monkees foram criados em 1965 pela emissora de TV estadunidense NBC. A empresa tinha como intenção produzir um fenômeno capaz de rivalizar com os Beatles. Além de estourarem nas paradas mundiais naquela época, os Fab Four também protagonizaram os filmes A Hard Day’s Night (64) e Help (65), fato que certamente influenciou a gestação do projeto americano. Após testes, foram escolhidos Davy Jones (vocal e percussão), Micky Dolenz (vocal e bateria), Peter Tork (baixo, teclado e vocal) e Mike Nesmith (vocal e guitarra). Os quatro ganharam não apenas uma carreira musical como uma série de televisão, exibida entre 1966 e 1968. Os próprios Beatles se renderam ao carisma dos Monkees. Em 1967, os roqueiros britânicos fizeram uma festa para recepcionar os americanos, que visitavam Londres. John Lennon elogiou o humor dos pretensos rivais e os comparou aos Irmãos Marx. O programa do quarteto americano alcançou sucesso mundial. A produção televisiva calcava-se no humor surreal e psicodélico e nas canções apresentadas. Diga-se de passagem, no início, Jones, Dolenz, Tork e Nesmith limitavam-se a cantar. A músicos de estúdio cabia a tarefa de executar o instrumental. Porém, em 1967, já se dedicavam eles mesmos a tocar, para mostrarem que não eram apenas oportunistas. Obviamente, os Monkees nunca atingiram o mesmo patamar artístico dos Beatles. Porém, gravaram boas canções, como I’m a Believer, Last Train to Clarksville, Take a Giant e I’m not Your Stepping Stone. Esta é um autêntico rock de garagem que mereceu versão dos Sex Pistols. Uma curiosidade é que David Bowie tem como nome real David Jones. No começo de carreira chamava-se Davy Jones, no entanto mudou o sobrenome para Bowie com objetivo de não ser confundido com o vocal dos Monkees. Em 1968, o grupo estrelou o longa metragem Head, em português chamado de Os Monkees estão à solta. Jack Nicholson é um dos roteiristas e produtores da película. Pouco depois, Peter Tork deixou a banda. Nesmith fez o mesmo em 1969. Mick Dolenz e Davy Jones seguiram usando o nome Monkees até 1970, quando o projeto se desfez. A partir dos anos 80, houve alguns retornos. Mike Nesmith participou de apenas um deles. O derradeiro ocorreu em maio de 2011. Davy Jones subiu pela última vez num palco no dia 19 de fevereiro de 2012, em Oklahoma, nos EUA.
Escrito por Marcelinho às 19h32
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VIAGEM
Tour pela Tríplice Fronteira Foto: Michelle Souza  Um passeio para quem aprecia as belezas naturais e a possibilidade de visitar dois países fronteiriços. É o que oferece uma viagem a Foz do Iguaçu, cidade do oeste paranaense na divisa com a Argentina e o Paraguai. Nos próprios hotéis, compram-se pacotes para passeios, que podem ultrapassar R$ 200. Claro que há aqueles caça-níqueis do tipo “jantar com danças típicas”, mas vale a pena pagar por alguns giros, dada a distância do centro do município. Dentro do Parque de Iguaçu, tanto no lado argentino quanto brasileiro, devemos mencionar, ainda há taxas cobradas pelos órgãos que administram o espaço. Em ambos, há trilhas para caminhadas em meio à floresta, que conduzem às quedas. Só não vá alimentar os quatis. Os pequenos animais acabam se empolgando com a presença humana e tentam a qualquer custo roubar alimentos. Ver as Cataratas do Iguaçu, tanto pelo lado argentino quanto brasileiro, constitui uma das experiências mais belas. Os passeios náuticos são atrativo à parte. Lanchas levam os turistas até embaixo das cataratas. Como em Foz faz calor na maior parte do ano, a atividade diverte e refresca. Um banho gratuito sem xampu, como me disse o guia, horas antes. Tanto na parte paranaense do parque quanto nos nossos vizinhos, existe estrutura com restaurantes, lanchonetes, lojas de conveniência, banheiros e artesanato. Vale esticar até o Parque das Aves. Neste aviário, encontram –se espécies de várias partes do mundo, entre papagaios, tucanos, araras, águias, corujas e muitos outros. Ali o visitante também pode ver jacarés, tartarugas e cobras. Com a presença de um funcionário do parque, existe a possibilidade de ser fotografado com uma jiboia no melhor estilo Alice Cooper. Puerto Iguazu A cidade argentina de Puerto Iguazu merece atenção dos turistas. Com charme, reúne vários restaurantes. No centro da localidade, há uma feirinha onde a preços bem acessíveis se compram queijos, vinhos, licores, alfajores, doces e outras guloseimas. Do lado paraguaio, Ciudad Del Este é o destino adequado para quem vai às compras. Há muito significa uma meca para os sacoleiros que cruzam a fronteira com intuito de adquirir produtos mais baratos, como perfumes, bebidas, roupas, calçados e eletrônicos. Impressão: o luxo no interior dos shoppings e das lojas de departamento contrasta bastante com o camelódromo nas ruas, como, se na cidade do Rio de Janeiro, pusessem no mesmo lugar o Shopping Leblon e o comércio popular da Saara. Foz do Iguaçu é um dos lugares mais interessantes do mundo para se conhecer. Prova disso: a quantidade de viajantes de tantos países em busca de riqueza hidrográfica, de fauna e de flora. Após viagem intensa como essa, o corpo volta cansado, mas a mente vem revigorada.
Escrito por Marcelinho às 12h27
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INOVAÇÃO
Por onde passa o futuro 
Fiquei boa parte da semana passada em São Paulo, no Anhembi, na Campus Party (em português, festa do campus), maior evento digital do Brasil. Trata-se de um grande encontro que reúne público e especialistas em temas como jogos, inovação, tecnologia e novas mídias. A iniciativa nasceu há alguns anos, na Espanha, e espalhou-se por outras nações. O nome campus tem a ver com o fato de que boa parte dos integrantes dessa reunião digital, os chamados campuseiros, são universitários, com idade entre 18 e 22 anos. Sete mil deles acamparam em barracas montadas no próprio Anhembi. A Campus Party distribui-se entre estandes de empresas e instituições, uma área de torneio para jogos, espaços para palestras e uma gigantesca arena na qual a garotada pluga seus notebooks. Este ano, os organizadores disponibilizaram gratuitamente conexão com a internet de 20 gigas de velocidade.
Gabinete “envenenado” Na arena, os campuseiros fazem amizades, trocam conhecimentos, jogam e muitos ainda aproveitam para divulgar produtos, serviços e negócios com potencial de ganhar o mercado, as chamadas startups. Um cria um simulador de voo para aviões monomotores 100% nacional. Outro projeta um robô que se locomove pela Campus Party e posa para fotos. Há ainda artistas que decoram os gabinetes dos seus computadores, transformando-os em obras como uma estátua do Coringa ou do Homem de Ferro. O que mais me chama a atenção na Campus Party é a atual geração de empreendedores tecnológicos, filhos da era da internet. Alguém me mostra um rapaz de uns 20 e poucos anos de camiseta, chinelo e bermuda e comenta: “Este cara está rico. Inventou o joguinho que hoje é febre na internet no mundo inteiro”. Isso me lembra Mark Zuckerberg, criador do Facebook, de apenas 27 anos, que começou uma rede social na universidade e hoje possui fortuna de dezenas de bilhões de dólares. Preconceito Antigamente, inovação e tecnologia soavam como cientistas sisudos e de aspecto exótico, trancafiados em laboratórios com equipamentos gigantescos e de valor altíssimo, distante do cotidiano. Esse modelo ainda existe, porém, o criador do presente apresenta ares mais despojados. Veste roupa esporte, curte jogos eletrônicos, odeia excessos de formalidade e burocracia, gosta de quadrinhos e animes, assiste a seriados de TV, enfim, tem cabeça aberta. Acusações preconceituosas vêm sendo feitas ao longo dos anos contra os videogames, computadores e internet. Diz-se que estas novas tecnologias alienam as crianças e os adolescentes e os afastam do convívio social. Assisti no avião a um programa em que alguém compara essa situação com as críticas que pais faziam às guitarras e ao rock’n’roll há algumas décadas. Especialistas no mundo digital rebatem esse tipo de argumento. Segundo eles, os games despertam comportamentos empreendedores, como a capacidade de correr riscos e estimulam a criatividade. Os jogos eletrônicos também são usados como simuladores em várias atividades profissionais e em tratamentos terapêuticos para ajudar pessoas a recuperarem movimentos perdidos. O que no ínicio era diversão ganhou funções bastante sérias. Já as redes sociais da internet potencializam o número de contatos, sem excluir os encontros presenciais. Consegue-se, inclusive, recuperar velhas amizades de pessoas que mudaram de cidade ou não vemos há anos por meio da web. Conheço gente que torcia o nariz para esse fenômeno e agora possui perfil nas redes para divulgar trabalhos. Uma novíssima geração nasce e cresce com notebooks, tablets, smartphones e Wiis (jogo que proporciona interação física pelo scanner dos movimentos do corpo do jogador). Imagine o que está por vir.
Escrito por Marcelinho às 18h42
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TRADIÇÃO
O homem que dá vida aos bonecos Divulgação 
Há pessoas que não acreditam em mágica. Dizem que ela não passa de truque conduzido por ilusionistas e mãos mais rápidas que os olhos. Pois bem, hoje vi mágica de verdade. Em plena era da internet, em que os miúdos já aos dois, três anos de idade, manipulam videogames, um homem com um aparato reduzido e fantoches conquista gargalhadas e empolgação de crianças e adultos. Ele é Marcos Pena, espanhol de uma pequena cidade na fronteira com a França agora radicado em Brasília. Na manhã de sábado (4), o talentoso artista mostrou o espetáculo Los Cuentos de Otro (Os Contos de Outro) no Instituto Cervantes. Diretor e ator da companhia Trapusteros Teatro, Marcos apresenta-se ao público no auditório do Cervantes. Chama o personagem de sua peça. Com a recusa do boneco em aparecer, Pena entra numa estrutura montada e, por uma hora, fascina os presentes. Um menino apaixonado por livros depara-se com Pepino, personagem expulso de um conto de fadas por seus colegas de historinha, que o consideram “muito grande”. Sem lar, Pepino passa a morar com o garoto. Com a ajuda de palavras mágicas, o refugiado é teletransportado para outros contos, porém se mete em enormes trapalhadas. Num, aparece vestido de princesa e noutro, de Chapeuzinho Vermelho. No pequeno espaço montado com papelão e outros materiais, Marcos Pena dá voz e movimentos a todos os bonecos. O cenário da peça muda quando ele se movimenta, virando a estrutura. O único recurso utilizado fora deste ambiente é a sonoplastia. O ator também causa enorme interatividade com a plateia e apresenta mensagens educativas, como não jogar lixo no chão. Sobra até alfinetada para o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte. No próximo sábado (11), o espanhol leva ao Cervantes o enredo Uma simples história, este com censura 12 anos. Quem for até lá vai gostar. Nada contra o universo digital e as novas tecnologias. Pelo contrário. Mas fico feliz em saber que uma tradição de 3 mil anos como o teatro de bonecos segue vigorosa, encantando o mundo com sua simplicidade e beleza pelas mãos de artistas como Marcos Pena.
Escrito por Marcelinho às 00h30
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RETROSPECTIVA
Mostra destaca o polêmico Von Trier Fotos: divulgação 
Ainda dá tempo. Quem não foi à Retrospectiva Lars Von Trier tem até o dia 5 fevereiro para fazê-lo. Os filmes podem ser vistos de graça no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e no Cine Brasília. Polêmico e renovador, o dinamarquês é uma das mentes brilhantes do cinema contemporâneo. A mostra faz parte da programação do CCBB e reúne parte significativa da produção de Lars, iniciada na segunda metade da década de 70. O cineasta ganhou projeção internacional com mais vigor nos anos 90, ao fundar com o colega Thomas Vinterberg o manifesto Dogma 95. O documento dizia que um diretor de cinema deveria seguir dez regras, entre as quais não usar recursos como cenários e trilha sonora. Sem estes acessórios, os filmes do Dogma se assemelhariam a documentários, tendo entre as características cortes abruptos e a câmera no ombro do cinegrafista. A única obra de Von Trier inserida na escola é Os Idiotas, de 1998. Várias das experimentações desta película aparecem até hoje, de alguma forma, nas criações de Lars. Porém, o diretor transcendeu o Dogma 95 e não se cansa de surpreender, tanto pela inventividade quanto pelas polêmicas que cria. Na edição do Festival de Cinema de Cannes do ano passado, terminou expulso após declarações apologéticas a Hitler e ao nazismo. Críticas aos EUA No drama musical Dançando no Escuro, de 2000, estrelado pela cantora Björk, o diretor narrou a dura vida de uma imigrante do leste europeu nos Estados Unidos, entre humilhações e a má fé da sua vizinhança. Criticar o modo de vida americano virou a marca de alguns de seus trabalhos, como o revolucionário Dogville, de 2003, protagonizado por Nicole Kidman. Anunciado como marco inicial de uma trilogia, a “Cidade Cão” apresenta um cenário simples, semelhante ao de uma peça de teatro. A força da história desde os primeiros momentos faz o espectador transcender o visual e se concentrar na crueza exposta nos personagens. Uma jovem se refugia numa pequena cidade americana. Inicialmente tratada com carinho, logo se vê dominada pela brutalidade. Nem tudo é o que parece ser. Os papéis se invertem. Pessoas simples e aparentemente hospitaleiras viram estupradores e exploradores da pior espécie. Lars cômico Talvez por não suportar a ideia de novo convívio com Lars Von Trier, Nicole Kidman não participou da sequência Manderlay e deu lugar a Bryce Dallas Howard. A última parte da trilogia ainda não veio à tona. Aguardamos. Em 2006, Lars Von Trier lançou a comédia O Grande Chefe. No começo da história, o narrador anuncia que o espectador vai se deparar com algo despretensioso, que nada tem de crítica, feito simplesmente para divertir. Difícil crer que o dinamarquês conseguiria um feito destes. Apesar de arrancar gargalhadas do público, o filme não deixa de alfinetar valores, o modo competitivo de se viver, as pressões e as vaidades, desta vez em foco no mundo corporativo. Um ator contratado pelo dono de uma empresa finge ser o poderoso chefe dos negócios e se infiltra entre os gerentes de uma companhia dinamarquesa. O falso grande chefe tem a função de abrir caminho para a venda do negócio. A exemplo de Dogville, Von Trier reforça à plateia que as aparências enganam. Para chocar Em 2009, o cineasta realizou O Anticristo, que na época comentamos aqui no Tijoloblog. Lars deixa a crítica social mais contundente para expor o sofrimento de um casal que perde o filho pequeno. Ele não poupa elementos para chocar, inclusive mutilações sexuais. O mais recente projeto de Trier, Melancolia, com Kirsten Dunst, também faz parte da mostra. Desta vez, o inquieto diretor envereda pela ficção científica para tratar dos seus dramas humanos. Todos os filmes dos quais falei neste texto ainda podem ser vistos na última semana da retrospectiva.
Escrito por Marcelinho às 21h43
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CURSO DE VERÃO
Uma aula de violão brasileiro Divulgação 
O exímio violonista Marcus Tardelli Um dos professores do 34º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (Civebra), Marcus Tardelli, de Petrópolis (RJ), apresentou em interpretações um panorama do violão brasileiro. Ele tocou na noite deste domingo (15) na Sala Martins Penna do Teatro Nacional Claudio Santoro. Entre o popular e o erudito, Tardelli ressaltou que na verdade não existem fronteiras na música brasileira. Executou temas deVilla-Lobos, autor de formação erudita mas com raízes muito fortes na cultura do nosso país, que bebeu no choro, nas modinhas e em tantos outros ritmos. “Se pensarmos bem, Trenzinho Caipira não se encaixa como música clássica”, assinalou. Tardelli abriu o programa com duas peças de Villa, Tristorosa e Ciranda número 2, as duas de extrema complexidade. A plateia, desde esses primeiros momentos, se rendeu ao virtuosismo do músico fluminense. Meu amigo produtor e jornalista Alessandro Soares era um que não economizava nos “bravos”. Daí, passou para uma peça popular que do ponto de vista da estrutura não fica devendo aos eruditos, o choro Cheio de Dedos, do carioca Guinga. O primeiro disco de Marcus, Unha e Carne, de 2006, é dedicado a recriar a obra de Guinga. Tardelli, que toca com o autor de Catavento e Girassol, esbanjou técnica e ritmo num medley de baiões, em Frevos e em Mingus Samba, todos do violonista e compositor carioca. O ritmo pulsante se manifestou ainda em Samba Novo, de Baden Powell. Conhecedor não apenas das partituras, mas da história da música brasileira, Marcus Tardelli apresentou as preciosidades Valsa de Eurídice, de Vinícius de Moraes, Enigma, de Garoto, e Olha Maria, de Tom Jobim e Chico Buarque. Os comentários sobre as peças foram igualmente ricos, uma verdadeira aula. “Vinícius ficou famoso pelas letras, porém compôs alguns instrumentais como esse”, disse. “Esta o Tom gravou originalmente instrumental e anos mais tarde o Chico pôs letra. Tom se tornou famoso pela bossa nova, só que já compunha antes e foi além dela”, observou. Sobre a peça de Garoto, encontrada como manuscrito após a morte do violonista, informou: “Havia dúvidas se esta música tinha sido escrita mesmo para violão, pois ela é em si bemol menor, tom pouco usual para o instrumento. Gravaram-na em outros tons, porém nunca imaginei interpretá-la de forma diferente do original”. E assim o fez. Marcus Tardelli dá aulas no Civebra até a próxima quinta-feira (19), quando retorna ao Rio de Janeiro. Vai se casar. Parabéns e felicidades! Assista a um vídeo de Marcus Tardelli
Escrito por Marcelinho às 22h26
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