TIJOLOBLOG


 

Morre o homem das belas curvas arquitetônicas

 


Nesta noite, chega-nos a triste notícia da morte de Oscar Niemeyer, o mais importante nome da arquitetura brasileira e um dos maiores nomes da arte mundial. Niemeyer completaria 105 anos no próximo dia 15 de dezembro. Dentre suas obras, destaca-se Brasília, a capital do país, inaugurada em 1960.

O arquiteto carioca estava internado desde o início de novembro no hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Seu quadro piorou gradualmente. Na última terça, seu estado de saúde se deteriorou por causa de uma infecção respiratória.

Durante 80 anos, as obras de Oscar Niemeyer conquistaram não apenas o respeito dos brasileiros como de personalidades do mundo inteiro. Lembro que em 1997, quando o cantor David Bowie veio ao Brasil, visitou o museu projetado por Oscar em Niterói e lamentou que não pudesse ir a Brasília, pois dedicava grande interesse aos trabalhos do nosso ilustre conterrâneo.

No mesmo ano, lembro que Niemeyer veio a Brasília para apresentar o projeto de construção do futuro Complexo Cultural da República, que hoje abriga o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional. Como repórter de um jornal local, tive o privilégio de pegar algumas palavras de entusiasmo do Dr. Oscar sobre a iniciativa. Quem já visitou a Esplanada dos Ministérios, se deslumbrou com algumas das obras mais belas que um gênio humano já concebeu.

 

Ousadia

No ano de 1940, Niemeyer conheceu o Juscelino Kubitschek, na época prefeito de Belo Horizonte. A convite de JK, fez o projeto de construção do Conjunto Arquitetônico da Pampulha.

Quando Juscelino se elegeu presidente da República, convidou Oscar para assinar o traçado arquitetônico de Brasília, a nova capital. Oscar Niemeyer desenvolveu o formato dos edifícios, enquanto Lúcio Costa, seu antigo patrão e incentivador, cuidou do urbanismo da cidade. Brasília é considerada até hoje como o mais importante legado do artista carioca.

Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por décadas, Niemeyer defendeu a liberdade de expressão e fugiu da arquitetura comercial e convencional. Explorou a leveza e a originalidade das curvas como símbolo de uma tendência moderna, imitada, porém jamais igualada.

Logo após vir a público a partida do arquiteto, notícias e comentários sobre sua obra proliferaram pelos sites e redes sociais. Não apenas nós, moradores de Brasília, a quem devemos a ele nossa casa, lamentamos a irreparável perda. O mundo todo chora neste momento a ausência de um dos seus maiores criadores.

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 00h28
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MÚSICA

Bate-papo com deus da guitarra

 


Todo mundo já cansou de ouvir falar de histórias sobre o Led Zeppelin a respeito dos rituais de magia negra praticados pelo guitarrista Jimmy Page, do envolvimento dos caras com drogas pesadas, dos quartos de hotéis que destruíam e das orgias promovidas durante as turnês. O mais legal no livro Luz & Sombra, Conversas com Jimmy Page, do jornalista Brad Tolinski, é passar de forma não tão enfática por esses assuntos e se concentrar no que o instrumentista possui de mais importante: sua música.

Tomei conhecimento desse livro por meio de um comentário nas redes sociais feito pelo amigo jornalista Olímpio Cruz, grande conhecedor do rock’n’roll. Entusiasmei-me com o que li e lá fui eu atrás da obra. Comprei por R$ 32, preço que considero módico pelo conteúdo. Luz & Sombra trata-se de um conceito da pintura. A exemplo de músicos contemporâneos, Jimmy Page estudou artes. Na opinião do britânico, se dedicar a essa atividade ajudou-o a pensar.

 

Questões técnicas

 

O livro mergulha na trajetória de um dos mais importantes roqueiros. Quem se debruça sobre a publicação tem acesso a detalhes os mais instigantes, não apenas pelo aspecto do guitarrista, mas pela carreira de produtor, iniciada ainda na primeira metade dos anos 60.

Contribui para a qualidade do material o fato de o entrevistador, Brad Tolinski, editor-chefe da revista Guitar World, conhecer música profundamente, não só do ponto de vista histórico como técnico. Assim, o papo se aprofunda em aspectos como os acordes utilizados em algumas das famosas canções gravadas por Page, ritmos usados, acústica das gravações e outros tópicos. Page fala de como conseguia captar a bateria do colega John Bonham.

Apesar de destacar os aspectos técnicos, o livro apresenta linguagem relativamente acessível e envolvente. Não confunde. Pelo contrário, instiga o leitor fã de Jimmy a devorar o livro, entendendo como se construiu uma das lendas do rock.

 

Carreira de produtor

 

Luz & Sombra reconstitui dos tempos iniciais, de autodidata no violão e na guitarra, às primeiras bandas formadas pelo inglês. As conversas entre Page e Tolinski ressaltam que um grande processo evolutivo começou quando Jimmy deixou o grupo Neil Christian & The Crusaders, em 1963, para se dedicar ao trabalho de músico de estúdio.

Durante três anos, o guitarrista atuou, como produtor e session man, com um mundo de gente, dos mais variados gêneros, como Nico (futura vocalista do Velvet Underground), The Who, Rolling Stones e Kinks, em boa parte das vezes sem receber o devido crédito. Entretanto, na marra, virou uma enciclopédia sobre técnicas de gravação. “Foi tudo de grande valor. Aprendi muito a ter disciplina. Aprendi a ler partituras e a tocar coisas que jamais tinha imaginado, como trilhas de filmes e jingles. Toquei até um pouco de jazz, que nunca foi o meu forte”, conta Jimmy, em um trecho.

 

Com os Yardbirds

 

A entrada nos Yardbirds, em 1966, marcou o ingresso definitivo de Jimmy Page no mundo dos shows. No começo fazendo dobradinha com o amigo Jeff Beck, Jimmy acabou solo na função de guitarrista. Inicialmente um ícone do blues rock britânico, com Page os Yardbirds seguiram adiante para explorar outros territórios.

As conversas com o guitarrista evidenciam bem a dicotomia nos anos finais do conjunto, quando os músicos queriam criar uma sonoridade mais livre, enquanto o produtor Mickie Most tentava fazer deles um grupo pop. O resultado era que ao vivo os Yardbirds soavam mais experimentais, ao passo que no estúdio, pela pressão de Most, registravam números dignos de um Herman’s Hermits.

 

Zeppelin

 

Com a implosão dos Yardbirds, em 1968, Jimmy Page resolveu escrever o capítulo mais importante de sua vida. Recrutou o baixista John Paul Jones, o cantor Robert Plant e o baterista John Bonham para criar o Led Zeppelin.

Não me alongarei no que Page diz sobre o Zeppelin. Vale a pena descobrir lendo. O que adianto é que há capítulos específicos sobre como a maioria dos álbuns do Led foi gravada.

Há curiosidades como o fato de Robert Plant ter composto músicas do primeiro disco e não receber os créditos, por possuir contato com outra gravadora. Page narra como ocorreram as sessões do Led Zeppelin II. Enquanto excursionavam, registraram as canções em estúdios nos Estados Unidos e no Canadá. Diga-se de passagem, os locais de gravação eram os mais diversos, inclusive uma suposta mansão mal assombrada na Inglaterra.

Surpreende também saber que parte das imagens do Led tocando no filme The Song Remains the Same não aconteceram no Madison Square Garden, em Nova York, local do show. Além das sequências fantasiosas, por causa de buracos nas gravações montou-se o mesmo palco da apresentação num estúdio de cinema em Londres e os integrantes da banda precisaram dublar algumas de suas performances.

Pós-Zeppelin

 

As conversas seguem os anos pós-Led, com enfoque na produção de trilhas sonoras, como a de Desejo de Matar, na formação do grupo Firm, junto ao cantor Paul Rodgers (ex-Free e Bad Company), as parcerias com David Coverdale (ex-Deep Purple e até hoje Whitesnake) e Robert Plant, o disco solo Outrider e o celebrado retorno do Zeppelin em 2007. No show, Os sobreviventes Page, Jones e Plant se uniram a Jason Bonham, filho de John, para um espetáculo delirante na O2 Arena, em Londres, que acaba de ser lançado em CD e DVD.

Fora os depoimentos do próprio Jimmy Page, Brad Tolinski incluiu na obra entrevistas com Chris Dreja (ex-guitarrista dos Yardbirds), Jeff Beck, Paul Rodgers e John Paul Jones. Essas conversas ajudam a ilustrar mais a carreira de Page e a mostrar a influência exercida por ele noutros artistas.

Num mercado tomado por biografias de caráter puramente comercial, Luz & Sombra representa uma aula sobre um dos homens que transformou o rock.

 

Ficha técnica

Título: Luz & Sombra – Conversas com Jimmy Page

Autor: Brad Tolinski

Editora: Globo

Número de páginas: 300

Preço: entre R$ 32 e R$ 40

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 23h56
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FALHA NOSSA

ERRATA

Por isso é bom reler o texto, mesmo depois de publicado. No artigo sobre Hendrix, há um erro. Escrevi que ele era descendente de brancos e negros. Na verdade, era de índios e negros. Sorry!

 



Escrito por Marcelinho às 21h08
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ÍCONE

Hendrix faria 70 anos hoje

Considerado o mais inovador e importante guitarrista do rock, se estivesse vivo, Jimi Hendrix completaria 70 anos nesta terça-feira, dia 27 de novembro. Esse músico, nascido em Seattle, nos Estados Unidos, em 1940, transformou a cara da música.

Há diversos níveis de artistas. James Marshall Hendrix (este era seu verdadeiro nome) paira entre os gênios, aqueles que criam um som com a sua própria identidade e promovem uma revolução que, muitas vezes, transcende aspectos musicais e afeta o comportamento de gerações.

Jimi começou a tocar guitarra na adolescência, mais ou menos na época em que perdeu a mãe. Descendente de brancos e negros, descobriu sua grande inspiração nos blues americanos de nomes como B.B. King, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Elmore James e Albert King. Daí para fazer parte de bandas locais foi um pulo.

Mas Hendrix acabou deixando a paixão de lado um período para se alistar. No Exército, atuou como paraquedista até que um acidente em que feriu o tornozelo provocou sua dispensa, em 1962. A partir dali, estava livre para se dedicar somente à música.

Bandas de apoio

Por um tempo, Jimi trabalhou como guitarrista em grupos de apoio de artistas famosos como Ike & Tina Turner, B.B. King, Little Richard, Isley Brothers e o saxofonista Lonnie Youngblood. Algumas dessas gravações podem ser encontradas em CDs.

Em meados dos anos 60, o cantor e instrumentista já atuava com sua própria banda, em New York. Ali, tocou com muita gente e conheceu Chas Chandler, ex-baixista dos Animals. Chas, que passara a trabalhar empresariando outros artistas, convenceu Hendrix a se mudar para Londres e seguir carreira solo na capital britânica. O conselho deu certo.

Em Londres, o músico formou o power trio Jimi Hendrix Experience, junto ao baterista Mitch Mitchell e ao baixista Noel Redding. Rapidamente, o grupo explodiu na cena musical do Reino Unido e Hendrix virou uma estrela. Roqueiros como Mick Jagger, Brian Jones e Eric Clapton piraram ao vê-lo tocando e viraram seus fãs.

Etéreo e pesado

Tanto nos discos quanto ao vivo, Jimi Hendrix, com sua voz blueseira e, principalmente, com a guitarra. produzia uma música de impacto. Partindo do sentimento e dos acordes do blues, a sonoridade de Jimi se expandia sem limites. Deixou uma coleção maravilhosa de canções gravadas, composições suas ou versões de outros artistas, como Voodoo Chile, Hey Joe, Fire, Foxey Lady Red House.

Pesada, etérea, ruidosa, melódica, furiosa, suingada, técnica, a guitarra do músico de Seattle voava alto. Hendrix extraía sons de seu instrumento até então impensáveis. Virtuose, criava longos e delirantes solos como nenhum roqueiro ou blueseiro, ao mesmo tempo em que explorava timbres e outras possibilidades por meio de barulhos e microfonias. De de tigres a aviões, fazia qualquer "coisa" sair de sua guitarra. Enquanto outros grupos de blues rock apenas davam uma roupagem mais elétrica e pesada às velhas canções dos negros norte-americanos, Jimi Hendrix reinventava a música com uma sonoridade ímpar, impossível de ser imitada, algo de outro planeta, difícil de se traduzir apenas por palavras.

Influência

Hendrix trilhou pela psicodelia e acid rock, definindo a base, por exemplo, do que ficou conhecido como heavy metal, com um som puxado pela guitarra pesada e apoiado numa cozinha pulsante de baixo e bateria. Sua influência se espalha por todo o rock e música pop, do Black Sabbath ao Jesus and Mary Chain; do Funkadelic a Prince; de Miles Davis fase elétrica a Stevie Ray Vaughan. Posteriormente, com o Band of Gypsies, Jimi trilhou caminhos com referência em outros terrenos da música negra, como o funk, e desenvolveu o chamado soul psicodélico, gênero adotado nos anos 70 por artistas como George Clinton.  

O registro dessa preciosa carreira encontra-se nos álbuns oficiais de estúdio Are You Experienced, Axis: Bold as Love e Electric Ladyland, bem como em dezenas de discos ao vivo e compilações que vêm aparecendo ao longo das últimas quatro décadas.

Símbolo pop

Não bastasse ter sido esse músico fenomenal, Jimi Hendrix personificou um dos símbolos da expressão pop na década de 60, com suas roupas coloridas e exuberantes.

A sua música libertária funcionou como uma das trilhas sonoras perfeitas para mudanças sociais, políticas e culturais que modificaram para sempre o comportamento humano. Não à toa, participou dos três mais importantes festivais de música do período Flower Power: Monterey Pop, em 1967; Woodstock, em 1969; e o Isle of Wight, em 1970.

Felizmente, os três eventos possuem registros em áudio e vídeo, para quem quiser conferir as performances marcantes, não apenas de Hendrix, como do The Who e tantos outros.

Em Monterey, na Califórnia, ocorreu uma cena que entrou para o imaginário mundial. O guitarrista americano ateou fogo em sua guitarra, fato que levou o público ao delírio.

Jimi Hendrix morreu no dia 18 de setembro de 1970, aos 27 anos de idade, em Londres. Sua curta carreira encerrou-se naquela data, porém o mito só cresceu. Quarenta e dois anos após esse óbito, o interesse por sua obra se revigora constantemente, em admiradores das mais diversas tendências da música. A lembrança de Hendrix está mais viva do que nunca e presente em seu som universal e sem barreiras.  

 



Escrito por Marcelinho às 18h35
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LITERATURA

Livro analisa obra de Samuel Rawet

 

Faz pouco mais de um mês, meu amigo Luiz Reis lançou cá em Brasília seu terceiro livro, Samuel Rawet – Dos Tormentos à Existência (Thesaurus Editora). Autor de trabalhos poéticos, em sua nova obra Luiz dedica ensaio – resultante de sua tese de doutorado – ao escritor brasileiro de origem polonesa considerado um dos representantes da literatura judaica em nosso país.

Samuel Rawet é um personagem de história muito interessante. Nasceu na Polônia, em 1929. Com sete anos, em 1936, mudou-se para o Brasil com a família, fugindo do nazismo. Rawet cresceu no Rio de Janeiro, cidade em que na década de 40 passou a se dedicar à literatura e ao teatro. Ao longo da vida, produziu contos, ensaios e peças.

Paralelamente às letras, estudou na Escola Nacional de Engenharia, no Rio. Por conta dessa atividade, surgiu futuramente seu laço com Brasília. Samuel veio para o Planalto Central nos anos 50 trabalhar como calculista na construção da nova capital, ao lado do arquiteto Oscar Niemeyer e do urbanista Lúcio Costa.

Ainda que não tenha perdido a relação com o Rio de Janeiro, radicou-se em Brasília até a morte, em 1984. Seus últimos anos ocorreram com turbulências, devido a problemas de saúde mental.

Não adaptação

No livro sobre Rawet, Luiz Reis constrói vigorosa análise da obra e da personalidade de Rawet a partir de alguns de seus contos. Reis põe a lupa sobre questões inerentes à obra rawetiana como a solidão, a inadequação a qualquer espaço e a não adaptação do imigrante, visto como exótico pelos brasileiros e que não consegue abraçar novo país, língua e cultura.

Ao falar do conto A Trajetória, o ensaísta comenta: “Podemos notar que o personagem é um ser errante que por múltiplas perspectivas chega sempre ao fato que marca seu isolamento do mundo”. Mais adiante, Luiz diz: “Os personagens de Samuel Rawet se caracterizam por viver em constante deslocamento sem uma identificação com o mundo circundante. São seres que vagam pelas ruas sem estabelecer marcos duradouros ou relações com outros seres humanos”.

Conflito de gerações

Também me chamou muito a atenção o trabalho analítico realizado por Reis em Diálogo. O enfoque desse texto de Rawet se dá no antagonismo entre pai e filho judeus, que simbolizam o moderno e o passado, com dificuldades justamente para dialogarem.

O conto começa pelo silêncio minado de tensão e se desenvolve para uma violenta erupção. “A cada olhar cruzado eles são capazes de medir e antecipar o que foi causado por sua fala, prevendo o próximo discurso. Cada qual parece medir o ferimento causado no outro por suas palavras e ver este ferimento nas reações causadas no corpo do outro”, observa Luiz Reis.

Holocausto

Outro belo momento desse livro, tocante, a meu ver, aparece nos comentários no estudo sobre O Profeta. O protagonista carrega um fardo pesado. Escapou da tragédia do Holocausto, um passado, convenhamos, impossível de ser apagado.

O tal Profeta vem morar no Brasil e viver com sua abastada família judaica. Porém, de maneira alguma consegue se adaptar aos parentes do Novo Mundo. Eles parecem viver no luxo, indiferente à recente barbárie perpetrada do outro lado do Atlântico.

O Profeta, por sua vez, encara como culpa uma vida nababesca ao lembrar de todo o horror que presenciou, o genocídio responsável pela morte de seis milhões de pessoas. Apenas a separação do imigrante de seus pares pode resolver o impasse.

Ainda não li nenhum livro de Samuel Rawet, porém, confesso que debruçar-me sobre este ensaio motivou bastante minha vontade de conhecer a obra desse escritor que me parece fantástico. Devo isso, em grande parte, ao trabalho de Luiz Reis.

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 18h45
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IMORTAL

Criador de Drácula completa 165 anos

Apenas no dia do lançamento do meu terceiro livro que fui saber que, naquela mesma data, 8 de novembro, o escritor irlandês Bram Stoker, criador de Drácula, completou 165 anos. Para quem aprecia literatura de horror, o vampiro de Stoker constitui uma das maiores referências.

O autor nasceu em Dublin, em 1847, com o nome de batismo de Abraham Stoker. Começou a escrever aos 16 anos e, mais tarde, virou crítico de teatro na sua cidade natal.

Depois do casamento, Stoker se mudou para Londres. Na capital inglesa, trabalhou na companhia teatral Irving Lyceum, do ator Henry Irving. O escritor permaneceu na trupe por 27 anos e viajou com ela a vários países. Curiosamente, conforme mencionam suas biografias, nesses trajetos, jamais passou pela Europa Oriental, onde em seu livro se localizam as terras do Conde Drácula.

O romance

No dia 26 de maio de 1897, Bram Stoker publicou Drácula, livro que virou um dos clássicos da chamada literatura gótica, ao lado do Frankenstein, de Mary Shelley, e O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson.

O enredo todos conhecem bem. Jonathan Harker viaja à Transilvânia, na Romênia, para negociar a venda de propriedades na Inglaterra a um nobre daquelas bandas. Bem rápido, Jonathan percebe certa excentricidade em seu cliente.

O corretor descobre que o conde, na verdade, é um ente fantástico do mal e termina aprisionado no castelo. Drácula o deixa sob a guarda de três vampiras e viaja à Inglaterra para espalhar o terror. Toda essa trajetória se reconstitui pelas cartas escritas por vários personagens, como Jonathan Harker. Daí, o formato do livro ser chamado de romance epistolar.

Personagem marcante

Bram Stoker não criou os vampiros. O folclore desses seres remonta a antiguidade. Também não introduziu os chupadores de sangue na literatura. Antes dele, seu conterrâneo Sheridan Le Fanu, para ficarmos só num exemplo, havia publicado o conto Carmilla. Essa narrativa, de insinuação lesbiana, fala de uma vampira que ataca moças.

Porém, se Stoker não foi o pioneiro nesse tipo de literatura, coube a ele moldar o vampiro mais famoso de todos os tempos. Poucos mitos ganharam tantas versões e despertaram tamanho interesse do imaginário popular, mesmo das pessoas que jamais leram o livro do escritor irlandês.

Falando de cinema, a imortalidade parece acompanhar nosso anti-herói hematófago: do Nosferatu expressionista alemão (um Drácula disfarçado por questões de direitos autorais) de Murnau; passando pelos filmes B de Hollywood nos anos 30, com Bela Lugosi, e as produções da Hammer na década de 60, com Christopher Lee; até o vampiro shakesperiano encarnado por Gary Oldman na película de Francis Ford Coppola.

E o conde permanece também em quadrinhos, videogames, artes plásticas e até em novelas de TV.

Bram Stoker morreu em 1912, após uma série de derrames. Cem anos após sua partida deste mundo, Drácula perpetua o nome do irlandês.

 Infelizmente, hoje o que está na moda são esses vampiros insossos da saga Crepusculo, que poucas semelhanças guardam com o famoso nobre da Transilvânia. Mas não se desesperem. Logo Drácula reaparece, dá um safanão nesses babacas e recupera seu trono como senhor do vampirismo. Afinal, quem é rei jamais perde a majestade.



Escrito por Marcelinho às 13h50
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Livro já na praça

Balanço do lançamento

 

Pessoalmente, considero bem-sucedido o lançamento do meu terceiro livro, A Maldição de Fio Vilela, realizado na noite da última quinta-feira (8), em Brasília.

Os dias mais próximos antes do evento trouxeram bom espaço na mídia. Gravei entrevistas em duas rádios. A primeira foi com Kakau Teixeira, na Rádio Cultura FM (100,9 mhz) de Brasília. Falamos sobre influências da minha obra, literatura de horror e vários outros assuntos. A conversa foi ao ar várias vezes nos últimos dias e pelo que soube, mesmo após o lançamento, ainda continuará a ser reprisada. Obrigado a Kakau, uma das figuras mais queridas que conheço!

Na quarta-feira (7), participei pela terceira vez, ao vivo, do programa Estúdio Arte, na Rádio Nacional AM (980 khz). O papo com o amável entrevistador Giovanni Motta rendeu quase uma hora. Tratramos não apenas do tema dos meus livros, o terror, como dos tempos em que trabalhei na EBC (antes Radiobras), da forte influência que tenho da música e até de amigos da cidade que atuam na literatura, como Luiz Reis e Maisse Gramacho. Fora isso, rolou na trilha sonora do programa Sepultura, banda a qual dedico meu novo livro, e Noriel Vilela, cantor que inspirou muito minha última história.

Na quinta-feira, dia do lançamento, tive outro ótimo presente na divulgação do meu trabalho: uma nota enorme com texto e foto no jornal Correio Braziliense. Essa foi para fechar com chave de ouro. Agradecimentos vão para o Severino Francisco. Abração!

À noite, no restaurante Carpe Diem, veio o momento de receber amigos, familiares e até pessoas que não conheço, que foram me prestigiar. O lançamento de um livro significa um instante especial, não apenas por mostrar pela primeira vez comercialmente o livro ao público, como pela possibilidade de confraternização. Além de rever amigos, mantive contato com pessoas que não conhecia. Entre elas, Lima Trindade, brasiliense radicado em Salvador que escreve na revista Verbo 21.

Quem quiser ver as fotos do lançamento, elas estão disponíveis neste link: http://ipv6.statigr.am/tag/marceloaraujo

Agradeço a todos os que foram ao lançamento de A Maldição de Fio Vilela. Obrigado a Michelle Souza, pelo apoio em divulgar o livro. E meu obrigado mais do que especial à Objeto Sim Projetos Culturais, da Gioconda Caputo e Carmem Moretzsohn. Sem essa empresa, não ganharia a mesma repercussão na mídia brasiliense.

Abraço ainda ao Angelo Miranda, do blog Geopraticando (http://geopraticando.blogspot.com.br), que sempre posta comentários no Tijoloblog. Angelo conheceu meu trabalho há algum tempo e escreveu um texto nesta semana muito bacana em sua página. Também tweetou sobre o lançamento. Recomendo que acessem o endereço desse rapaz, que também é escritor.

Não poderia esquecer do pessoal da Thesaurus Editora, que foi parceira neste trabalho, principalmente Tagore Alegria. Ele é um rapaz fantástico, um empreendedor da literatura no Distrito Federal. Sem o trabalho dele e do seu pai, Victor Alegria, fundador dessa empresa, a cena cultural de Brasília seria bem diferente e menos animada.

Mas o trabalho não para por aqui. Pelo contrário, apenas começa. Ainda há o que se batalhar. A Maldição de Fio Vilela em breve deve estar disponível nos principais sites de venda na internet. É minha intenção que chegue a bibliotecas do Brasil inteiro, para que pessoas que não têm acesso possam conhecer o livro.

E continua minha produção individual. Tenho um monte de material na gaveta. Hora de avaliar o que pode vir à tona em 2013. Aposto no infantil A Testinha de Gabá, que escrevi e ilustrei. Quero dar continuidade à produção de novos livros, um deles só de histórias fantasmagóricas.

Aproveito para lembrar que Não Abra – Contos de Terror, meu primeiro trabalho, encontra-se disponível no formato e-book, em sites como o Gato Sabido e Livraria Cultura. Há, inclusive, um conto extra que não existia no formato impresso: A Sombra.  

Até breve.

 

 

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 17h32
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MEU NOVO LIVRO

Abaixo o convite para o lançamento de A Maldição de Fio Vilela



Escrito por Marcelinho às 00h26
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CINEMA

Salmo 21 assusta e critica

 

Fazer filme de terror hoje em dia que cause medo no espectador sem apelações não constitui tarefa fácil. E ainda criticar as religiões, especificamente o catolicismo, exige maior dose de inteligência. O diretor sueco Fredrik Hiller alcança esses objetivos em Salmo 21 (Psalm 21). Lançado em 2009, continua inédito no Brasil.

A história gira em torno do padre Henrik Horneus, interpretado por Jonas Malmsjö. Popular em sua paróquia, Henrik defende, como a igreja sueca, a não existência do inferno. Porém, ele está próximo de saber que esse temível ambiente pode ganhar realidade em sua vida e atormentá-lo.

Ao receber a notícia da morte do pai, o também padre Gabriel Horneus (Per Ragnar), Henrik viaja a uma pequena cidade do interior da Suécia. Ele duvida da causa do óbito, atribuída a um afogamento.

Antes mesmo de partir, o religioso começa a sofrer com aparições fantasmagóricas da mãe, morta quando o padre ainda era criança. Por trás da aparente extroversão no altar, ele sofre com questões familiares, como essa perda precoce materna e a dificuldade de relacionamento com um filho criança.

Ao chegar à localidade, Henrik é abrigado por uma estranha família. O contato com um dos filhos do casal desperta no clérigo ainda mais a certeza de que seu pai foi assassinado.

À medida que parte para investigar o incidente, Henrik se depara com visões cada vez mais aterrorizantes de fantasmas e associa os fatos a mensagens do Salmo 21. No entanto, descobrirá que o maior horror perpetrado no filme parte dos vivos e não dos mortos.

Justamente nesse ponto, o diretor ataca o envolvimento de padres com a pedofilia e o abuso sexual. Hiller também critica a opressão religiosa sobre as escolhas do homem, que terminam por sufocar e não libertar.

Salmo 21 traz bela fotografia sobre paisagem sombria e gelada da Europa, cenário que tanto inspirou diretores de horror, desde o expressionismo alemão, nos anos 20. O cenário se traduz perfeitamente como fundo para a tortura psicológica enfrentada pelo protagonista, entre espectros do além e da vida real; entre o temor e seus desejos sexuais reprimidos.  

Com sua qualidade, Salmo 21 aponta outras geografias e formas de conceber o terror, sem cair na banalidade de psicopatas que perseguem alunos de high school e de crocodilos, tubarões e piranhas.

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 22h10
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A MALDIÇÃO DE FIO VILELA

Lançamento mais perto

 

Meu terceiro livro, A Maldição de Fio Vilela, está pronto há 17 dias. Desde então, realizo a divulgação pela imprensa e redes sociais. Só para lembrar: o lançamento em Brasília será no dia 8 de novembro, uma quinta-feira, a partir de 18h30, no restaurante Carpe Diem (104 Sul).

Nesse período, conto com a preciosa ajuda da empresa Objeto Sim Projetos Culturais, que já emplacou o material em alguns sites. Há textos sobre o livro no portal Candango, no EsporteCultura, na Rádio Software Livre e no Orvermundo. Para conhecer o trabalho da Objeto Sim clique no link http://www.objetosim.com.br

Também recebo outro apoio, de Michelle de Souza, que desde meu segundo livro, Pedaço Malpassado, aposta no meu trabalho de escritor e me divulga também na imprensa e redes sociais. Grato a toda essa força e empolgação.

Tenho na agenda uma entrevista marcada para o dia 7 de novembro, quarta-feira, a partir das 17h, no programa Espaço Arte, da Rádio Nacional AM. Desde o primeiro livro, vou lá falar com o apresentador Giovani Mota (foto, à esquerda) sobre minha obra.

Da última vez que estive na Nacional, já em suas novas e imensas instalações, no shopping Venâncio 2000, Giovani me recebeu calorosamente. Tomamos um cafezinho, ele me mostrou o estúdio e ainda tiramos foto. Guardo recordações carinhosas da Nacional, pois ali tive meu primeiro emprego, como estagiário em programas, no longínquo ano de 1989.

Nesta semana que começa, faço uma pausa para breve viagem. Porém, quando regressar, retomo à labuta com fôlego.

E um abraço para o meu amigo Felôncio da Jurema!

Links das matérias publicadas:

Candango - http://www.candango.com.br/newcandango/outrasOndas/Materias/livro_fio.html

EsporteCultura - http://www.esportecultura.com.br/2012/10/lancamento-livro-maldicao-do-fio.html

Rádio Software Livre - http://softwarelivre.org/radio/blog/agenda-.-marcelo-araujo-lanca-terceiro-livro-de-terror

Overmundo - http://www.overmundo.com.br/agenda/marcelo-araujo-lanca-terceiro-livro-de-terror

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 16h15
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MEDO

A Entidade garante tensão aos fãs de filmes de terror

 

 

A trama de A Entidade (Sinister), em exibição nos cinemas brasileiros, tem relação com crianças. Porém, não recomendo a nenhum pai levar seus filhinhos para ver este filme, um dos bem assustadores da nova safra de terror.

Ellisson Oswalt (Ethan Hawke) é um escritor especializado em criar livros inspirados em crimes. Após enorme sucesso anos antes, agora amarga o esquecimento do grande público.

Desesperado para voltar aos holofotes, Ellison se muda com a mulher e os dois filhos para uma casa onde uma família inteira foi enforcada, exceto uma filha pequena, que desapareceu. O escritor tenta solucionar o crime para recuperar seu prestígio.

Os problemas começam para o autor quando ele encontra no sótão da residência uma caixa com um projetor e antigos rolos de filme. Ao assisti-los, Ellison se depara com uma série de registros de crimes brutais contra várias famílias, inclusive a do lar onde agora vive.

Chocado com o que vê, o protagonista começa a ser atormentado por fenômenos paranormais.  Então, descobre que os estranhos acontecimentos têm como origem um demônio que se alimenta da alma de crianças. O ser macabro quer se apropriar de Ashley (Clare Foley), a filha mais nova do escritor.

Direção

O americano Scott Derrickson assina a direção de A Entidade. O cineasta traz em seu currículo O Exorcismo de Emily Rose e a refilmagem de O Dia em que a Terra Parou, clássico da ficção científica do começo dos anos 50.

Derrickson conseguiu um resultado bem satisfatório nesta empreitada.  A tensão percorre a maior parte dos 110 minutos da produção de horror, principalmente com as aparições do terrível demônio e dos fantasmas das crianças que ele roubou. O efeito na plateia se percebe naqueles risinhos nervosos que se espalham pela sala do cinema quando o suspense vai aumentando e você sabe que algo horripilante ocorrerá.

Nessa ambientação que mexe com o espectador, a trilha sonora dá significativa parcela de contribuição. Alguém já observou o que seria da cena do chuveiro de Psicose, de Alfred Hitchcock, sem a música de Bernard Herrmann. Aqui, algo semelhante acontece. A sonoridade underground, experimental e repleta de ruídos, que tem entre seus autores Nicholas Triarchos, fortalece o terror.

Dando uma olhada na lista de opções do gênero terror disponíveis no mercado, como mais uma sequência de Resident Evil, A Entidade se revela como ótima alternativa de diversão. Isto é, se sua diversão for sentir medo, tomar sustos e, mais tarde, na hora de dormir, ficar lembrando de certas cenas, impressionado. Boa sorte!

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 22h37
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CORREÇÃO

Errata!!!

Na verdade o lançamento do meu terceiro livro, A Maldição de Fio Vilela, será no dia 8 de novembro, e não dia 9, como está no título abaixo. Desculpem o erro!



Escrito por Marcelinho às 19h30
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DATA

Lançamento do meu próximo livro será no dia 9 de novembro

 

Com meu terceiro livro pronto, agora é fazer a divulgação. O lançamento de A Maldição de Fio Vilela será no dia 8 de novembro, uma quinta-feira, a partir das 18h30, no restaurante Carpe Diem (104 Sul), em Brasília.

Desde a última quinta-feira (4), começou a maratona pré-lançamento, que inclui publicação de mensagens nas redes sociais e contatos com a imprensa. Um mês antes da noite de autógrafos é um bom prazo para realizar este processo com tranquilidade. E, claro, nesta caminhada não estou sozinho. São muitos os amigos que se oferecem para ajudar e compartilham as informações que transmito pela rede. Obrigado mesmo!

Também tenho de entregar os convites aos amigos e deixá-los em pontos estratégicos, como espaços culturais,  museus e bibliotecas. Aliás, um dos momentos mais prazerosos acontece quando entro em uma biblioteca, com um exemplar na mão para doá-lo. Ali, você sabe que um número enorme de pessoas poderá conhecer o seu trabalho, sem nenhum gastp, em um país onde, infelizmente, livros custam muito caro.

Na Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB), preencho um cadastro de autores de Brasília, com dados que irão para uma página na internet dedicada ao tema. Nem consigo descrever a alegria que sinto ao deixar meu terceiro livro nesse lugar. Frequentei a BDB exaustivamente na adolescência, quando o Instituto Nacional do Livro a geria. Muito pelos tantos livros que descobri nesse local encantador, nunca mais abandonei a literatura, nem como leitor, nem como escritor. Parecia mágica manusear velhas obras, que entre seus tesouros reuniam contos de Edgar Allan Poe e Guy de Maupassant, dois mestres do horror que me influenciaram e me estimularam a começar, aos 18 anos, a pôr no papel contos que mais de duas décadas depois apareceriam em meu primeiro trabalho, Não Abra – Contos de Terror.

Além dessa biblioteca, A Maldição de Fio Vilela está disponível no Sesc da 504 Sul e na Biblioteca da 108 Sul.

Nesta segunda-feira (7), o percurso recomeça. Após mais de dois anos escrevendo e produzindo meu terceiro livro, agora vem o esforço para fazê-lo chegar ao leitor.

Adiante!

 

 

 

 



Escrito por Marcelinho às 19h18
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EXPOSIÇÃO

Impressionismo urbano no Cerrado

 

Na manhã deste sábado (29), vou a um dos lugares mais interessantes de Brasília: o Espaço Cultural da 508 Sul.  Ali, há oficinas de arte, gibiteca, exposições, peças de teatro, mostras de filmes e até uma rádio.

Numa das galerias, visito a exposição O Impressionismo Urbano Paisagista e Reunião Surrealista Dentro da Arte Contemporânea, de Antônio Beracochea. Logo que entro, um rapaz me cumprimenta. É o próprio Antônio, autor dos quadros expostos. Engatamos uma conversa.

Antônio é uruguaio, mas vive em Brasília há dez anos. Ele me conta que gosta daqui e que já se considera brasileiro, até porque tem três filhos nascidos no país. Junto com a pintura, o Beracochea realiza um trabalho social na periferia do Distrito Federal. Ensina artes a crianças e jovens carentes.

Antes de iniciar o passeio pela galeria, peço a Antônio que pose ao lado de uma de suas obras. Digo que vou colocar a foto no Instagram, Twitter e Facebook. Não postei aqui por causa do tamanho e sou ruim com esses programas de photoshop.

A mostra se divide em duas partes. Em O Impressionismo Urbano Paisagista, Antônio utiliza uma técnica chamada aerosolgrafia. Conta que aprendeu em viagens pelo Uruguai, Argentina e Brasil. Nos trabalhos, baseia-se na luminosidade do céu de Brasília para criar cenários que misturam a natureza do cerrado e a urbanização moderna.

Na Reunião Surrealista, apresenta quadros com essa temática, alguns deles inspirados no Lago Paranoá. Gostei muito de um com São Francisco de Assis tendo alucinações e dois outros que mostram um planeta meio psicodélico. Lembrou-me Roger Dean, ilustrador de capas para bandas de rock progressivo como Yes e Uriah Heep, nos anos 70. Antônio diz não conhecer Dean, porém anota o nome para depois pesquisar.

Após ver a mostra, volto a conversar com o pintor. Falamos do Brasil, do Uruguai, de literatura, de cultura, de política. Meu interlocutor diz que a América Latina passa por um processo de transformação e que seu Uruguai hoje está bem melhor do que antes. “Sou da geração dos anos 90, dos que imigraram. Naquela época, boa parte dos jovens deixaram o Uruguai por falta de perspectivas. A população enfrentou enormes dificuldades. Agora, com a crise na Europa e a melhora em nosso país, muitos começaram a regressar”, conta.

Antônio Beracochea fica lá no Espaço Cultural da 508 Sul todos os dias. Recebe o público com a maior atenção. Quem puder, dê uma passada lá para conhecê-lo e o seu trabalho.



Escrito por Marcelinho às 17h13
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VIAGEM

De volta à fronteira

Na semana passada, estive pela segunda vez em Foz do Iguaçu, cidade paranaense localizada na Tríplice Fronteira. Lá estão, além da localidade brasileira, Puerto Iguazu, em território argentino, e Ciudad Del Este, no Paraguai. Já falei sobre a região neste blog, em fevereiro.

Visito Foz para um trabalho no Parque Tecnológico de Itaipu, dentro da famosa usina binacional. Ali, em meio a uma imensa área verde, vejo cenas como um grupo de capivaras descansando ao ar livre. Os enormes roedores podem ser observados próximos à pista, à beira de um lago, no qual também nadam para se refrescar do calor de quase 40 graus. Antes disso, havia visto capivaras somente em Brasília, uma vez, no bairro Lago Sul, perto de um córrego.

Em um momento de folga, consigo ir a Puerto Iguazu. Trata-se de uma pequena e adorável cidade. Por apenas R$ 4, pego um ônibus próximo ao hotel em que me hospedei, o Três Fronteiras. De lá para a cidade argentina, a viagem dura em torno de meia hora.

Salto perto da feirinha que constitui uma das atrações locais. Por apenas, R$ 8 tomo um litro de uma deliciosa cerveja artesanal de trigo feita ali mesmo, em Puerto Iguazu. Nesse mercado popular, encontro uma série de delícias, como queijo, vinho, azeite, doce de leite artesanal e alfajor. O clima é de alegria. Há um monte de brasileiros sentados tomando cerveja e conversando num dia de sol.

Perto de sete horas da noite, corro para pegar o último ônibus que parte de Puerto Iguazu a Foz. O veículo deixa a cidade lotado, com passageiros não só da Argentina e Brasil, como de vários lugares do mundo. Com dois grandes parques, um do nosso lado e outro dos nossos hermanos, a fronteira atrai milhares de pessoas do mundo inteiro, para ver as belíssimas cataratas. Foz do Iguaçu, inclusive, atrai mais turistas de fora que o próprio Rio de Janeiro. Um passeio que vale a pena.



Escrito por Marcelinho às 19h58
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