TIJOLOBLOG
 


ESTUPIDEZ

As vozes da intolerância

 Não deixei de achar no mínimo curiosa uma mensagem postada neste blog por um leitor que se identificou como Markito, chamando de ridículo o meu texto sobre o Sr. Arp e o Diabo. O cidadão vinculou este conteúdo “satânico” ao meu gosto por rock pesado e encerrou seu recado afirmando que ele (o leitor) “era de Jesus”.

Volto a repetir o que coloquei na resposta. O rapaz não entendeu o diálogo, que nada tem de religioso e tão pouco de apologia ao satanismo. O Diabo, em questão, foi só uma alegoria para falar de questões estéticas, ainda que superficialmente, e o interlocutor do Sr. Arp poderia ser o Mickey Mouse, o Papai Noel ou qualquer outro personagem.

Há algum tempo iniciei a produção de uma série de fragmentos sobre o tal Sr. Arp, que tratam de diversos temas que um dia, quem sabe, eu publique. Embora escreva contos de terror, este material em nada se encaixa no gênero.

Espanta-me um pouco a reação que indivíduos de certas facções religiosas esbocem com a simples menção da palavra Diabo. Às vezes me questiono se vivemos realmente no século XXI ou na Idade Média.

O que me chama a atenção sobre alguns religiosos é sua intolerância em aceitar a diversidade. Embora seja completamente descrente, convivo com pessoas maravilhosas que seguem alguma religião. Minha ausência de fé nunca representou um obstáculo para a amizade com quem mais gosto. Vivemos em um país democrático e faz parte do jogo respeitar as diferenças entre os demais, sejam religiosas, étnicas, sociais, culturais e de opção sexual.

O problema, volto a insistir, reside na intolerância, não só de evangélicos, mas de gente de várias religiões, como os católicos, sobre algumas questões. Entre elas cito o aborto, a eutanásia, as pesquisas com células-tronco, o casamento gay e a descriminalização do uso de drogas.

Respeito as crenças de cada um. Todos têm o direito de seguir a vida como queiram. O que não pode acontecer é que alguns grupos imponham sua vontade ao todo. A humanidade não pode andar para trás por conta do desejo de um séquito de fanáticos que propagam o obscurantismo.  Se dependesse dessa turma, não tenho dúvidas de que ainda viveríamos em tempos nebulosos.

 



 Escrito por Marcelinho às 19h21
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GROOVE

Jazz e rap juntos!

Capa do álbum de estréia do projeto inglês Us3

Há alguns dias falamos de acid jazz aqui no blog, movimento que revisitou o suingue dos anos 70 com uma aura de modernidade nos 90. Em paralelo a esta corrente, outros artistas apostaram na revalorização de gêneros como o jazz e o funk, enveredando por um cruzamento com o rap. Pelas mãos de gente como Guru e o Us3, a primeira metade da década de 90 viu a efervescência do jazz-rap preconizado por Miles Davis e Quincy Jones. De um lado, sofisticados improvisos instrumentais e groove, do outro, vocais libertários que consagraram o hip-hop.

O Us3 surgiu em Londres em 1991, criado pelas mãos do produtor e DJ Geoff Wilkinson, que havia trabalhado em lojas de discos. O grupo está até hoje na estrada. O projeto resulta da colaboração ao longo dos anos de Wilkinson com uma série de músicos e cantores, como Rahsaan Kelly.

Com uma hábil sacada, Geoff conseguiu os direitos para usar samples da gravadora norte-ameicana Blue Note, um dos mais importantes selos da história do jazz. Acabou assinando contrato com este label.

Em 92, o grupo lançou o EP Cantaloop (Flip Fantasia), em que utilizou o piano de Cantaloop Island, tema jazzístico de Herbie Hancock, com vocais rap. A música tornou-se hit mundial nas pistas de dança. Incluída posteriormente no álbum de estréia do Us3, Hand on the Torch, em 93, a canção estimulou a venda de um milhão de unidades do disco. Como bem disse o jornalista Carlos Calado, em texto do CD da série de jazz dedicado a Hancock, da Folha de São Paulo, “só mesmo uma pessoa que estivesse fora do planeta Terra em 93 não teria escutado o hit do Us3”.

O compositor e rapper Keith Elam, vulgo Guru, vem da cidade americana de Boston e começou a experimentar jazz com o rap nos anos 80, no duo Gang Starr. Em 1992, com o fim da dupla, Guru lançou-se com pé firme no jazz-rap no projeto solo Jazzmatazz, no qual aparece sempre bem acompanhado de grandes músicos do jazz e da música pop.

Só para se ter uma idéia, o Jazzmatazz Vol. 1 reuniu no elenco de apoio o trompetista Donald Byrd, espécie de precursor do acid jazz e do jazz-rap nos anos 70, o tecladista Lonnie Smith e o rapper francês MC Solar. Outros discos trouxeram a colaboração de artistas como Ramsey Lewis, Brandford Marsalis, Herbie Hancock e Isaac Hayes, entre tantos.

 

 



 Escrito por Marcelinho às 18h00
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FRAGMENTO

Sr. Arp: o apagão

 

Os obscurantistas religiosos agem com mais força do que nunca.

Cuidado!

Houve um apagão nacional e desconfio de que eles estejam por trás disso.



 Escrito por Marcelinho às 23h49
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SUÍNGE

Esse som é verdadeiro

A música negra norte-americana é uma das mais representativas da cultura mundial, dada sua força de expressão e energia do ritmo. Dos anos 20 aos 70, em estilos como os spirituals, o gospel, o blues, o jazz, o rhythm’n blues, o soul e o funk, a black music marcou história.

Mas, na década de 80, esse tipo de música se diluiu em sonoridades que mais refletiam a preocupação com as cifras do que realmente com a mensagem e a qualidade, o que se viu nitidamente no trabalho produzido por gente como Whitney Houston.

Na rebordosa da disco, o funk ficou por demais eletrônico. O jazz, à exceção dos chamados young lions, virou eminentemente artigo de perfumaria, música ambiente para coquetéis povoados de yuppies e peruas. Tirando o Thriller, de Michael Jackson e discos como Tutu, de Miles Davis, a música negra tornou-se o som favorito para mauricinhos e patricinhas nas pistas de boates, situação que se reflete até hoje com as Rihannas, Beyonces e 50 Cents da vida.

Entretanto, nos anos 90, enquanto o rock também se renovava com o Nirvana e a música eletrônica abria caminho nas raves povoadas por milhares mundo afora, uma geração de jovens músicos, negros ou não, na ponte New York-Londres, redescobriu a velha energia do jazz, do soul e do funk e lhe modernizou o som.

Os pioneiros desse tipo de música foram justamente artistas mais velhos: o compositor, produtor e arranjador Quincy Jones e o trompetista Miles Davis. Um dos mais talentosos músicos de todos os tempos, Quincy Jones fundiu jazz e rap em seu disco Back on the Block, de 1989.

 

Imagens: divulgação e reproduções

Sempre à frente, Miles foi pioneiro do acid jazz e do jazz rap

Miles, um revolucionário em cinqüenta anos de atividades, pouco antes de sua morte, em 1991, lançou Doop-Bop, estatuto do jazz-rap e do acid jazz. Misturando o hip hop com o jazz, Miles pretendia retomar a velha energia da música negra originária das ruas, que, segundo o instrumentista, havia se perdido.

O acid jazz combinava solos jazzísticos, a pulsação do funk, influências eletrônicas e uma textura pop. O gênero agradou jovens cansados do marasmo da dance music e do R&B (termo que originalmente era abreviação do rhythm’n’blues, mas que terminou se transformando em sinônimo de uma música negra excessivamente melosa e comercial).

O Jamiroquai mostrou que era bem mais que uma cópia de Stevie Wonder

 

Embora não possa ser classificado integralmente como acid jazz, o inglês Jamiroquai deu sua contribuição à corrente. Independentemente dos rótulos, o combo do vocalista Jason Kay criou uma excelente música dançante. O Jamiroquai ainda trazia letras em defesa do que hoje chamamos de "mundo sustentável". Ambientalista e pacifista, a banda dava esse recado em seu primeiro álbum, Emergency on Planet Earth, lançado em 1993, em canções como When You’re Gonna Learn e Too Young to Die.

Devido às semelhanças em alguns instantes da voz de Kay e dos arranjos do grupo com Stevie Wonder, o Jamiroquai acabou acusado injustamente de ser uma xerox do artista negro. Entretanto, o tempo deu mostras da força da originalidade da banda, aberta a outros caminhos. Os últimos álbuns do Jamiroquai, como Synkronised, de 1999, assimilaram bastante a música eletrônica. Canned Heat, faixa desse álbum, é uma das melhores canções dançantes de todos os tempos.

Muito groove no som dos Brand New Heavies

 

Também britânico e nascido na metade dos anos 80, o Brand New Heavies é outro grupo cheio de energia e que também explora de forma moderna correntes como o jazz, o funk e o eletrônico. Os Brand New Heavies passaram por várias formações e deve-se destacar a participação da cantora norte-americana N'Dea Davenport.

Formado na cidade de Nova York, o Groove Collective lançou vários álbuns, que transitam por sons que vão da música cubana ao funk, entre temas instrumentais e vocais.

A cantora britânica Lisa Stansfield fez muito sucesso na virada dos anos 80 para os 90. Inicialmente vinculada ao movimento de música eletrônica dançante, essa ótima intérprete abriu seus horizontes para a soul music e o jazz. Lisa gravou em mais de uma ocasião com Barry White, um dos mestres soul, falecido há pouco tempo.

Lisa: boa voz que vai do jazz ao eletrônico

Mais recentemente, o grupo californiano Maroon 5 apostou em um pop rock combinado com funk, com a influência primordial de Stevie Wonder, mas também bebendo em Michael Jackson, Prince, Jamiroquai e outros.

 

Não se engane com o visual; o Maroon 5 não é uma boy band e também aposta no suíngue

 

 

 

 

 



 Escrito por Marcelinho às 21h50
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SURPRESA

Vai ter Feira do Livro em Brasília sim!

Quando voltei de viagem de Florianópolis na semana passada, recebi um recado do Daniel Mafra, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, com a informação de que as dificuldades foram superadas e que a Feira do Livro de Brasília, para felicidade dos leitores, acontecerá. Entrei em contato hoje com a organização do evento e fui informado de que a Feira terá lugar no shopping Pátio Brasil, onde é realizada há vários anos, de 20 a 29 de novembro.

Em virtude da Feira, não vai ocorrer mais o encontro para lançamento de livros previsto em Taguatinga. Então, enviei meus dados à organização do evento literário e há a possibilidade de aparecer por lá em um espaço dedicado a escritores do DF para mostrar Não Abra – Contos de Terror.

Não tenho certeza se irei mesmo participar. De qualquer modo, fiquei feliz pela Feira do Livro que, como já disse, representa um dos momentos anuais mais importantes da cultura local, não só pelo aspecto comercial como pela vital difusão do hábito da leitura.  

Agora tenho que fazer uns cálculos para separar um dinheirinho para gastar por lá. Afinal, sempre há oportunidade de se conseguir títulos interessantes ali, entre obras clássicas e contemporâneas.

Também quero aproveitar para levar uns livros na mochila, informalmente, e fazer contatos com editoras e livrarias que estejam na Feira do Livro.

A todos uma ótima semana.



 Escrito por Marcelinho às 13h54
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FRAGMENTO

O Fim

Estávamos numa era na qual não havia mais nada à frente, em que o tempo era finito.

Tomei-a nos braços ardorosamente e disse: “E se ainda tivéssemos pelo menos a eternidade?”



 Escrito por Marcelinho às 01h30
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VIAGEM

"O cabra só come insosso se quiser"

 

Centro da ensolarada e quente cidade potiguar de Mossoró

Faz duas semanas estive em viagem de trabalho a Mossoró (RN). Foi interessante porque passei por lá e pela cidade de Assu para conhecer trabalhos desenvolvidos junto a pequenas comunidades.

Em Mossoró, cobri o lançamento do primeiro melão do mundo certificado em Comércio Justo, aquele onde a produção se relaciona a uma série de critérios, como respeito a questões como o meio ambiente e a legislação trabalhista e com foco em geração de emprego, renda e sustentabilidade.

Em Assu, visitei um assentamento em que com apoio de entidades como o Sebrae e a Fundação Banco do Brasil, uma comunidade bastante empreendedora vive da produção de castanhas, da agricultura familiar e da criação de artesanato feito com palha de milho.

Esse tipo de trabalho tem grande importância de inclusão social, principalmente quando, além do apoio, existe a vontade do beneficiado em crescer e em montar um negócio de viabilidade comercial.

Por Natal, tive apenas brevíssimas estadas na ida e na volta da viagem. Aproveitei mesmo para curtir o visual da estrada em mais de três horas nos percursos de ida e volta da capital potiguar a Mossoró, onde me hospedei no hotel Garbos.

Recomendo o trajeto, com um visual fantástico da vegetação rasteira das caatingas, as montanhas e enormes pedras que mais parecem estátuas gigantes.

A quente e ensolarada Mossoró, uma cidade de porte médio, é servida de ótimos estabelecimentos para comer e destaco no centro do município a Praça da Convivência. No local, há um conjunto de restaurantes nas especialidades japonesa e frutos do mar, entre outras.

Na primeira noite por lá, na volta para o hotel, após uma ida a um restaurante, peguei um táxi com um motorista para lá de bem humorado cujo nome não vou me recordar. Ao comentar com ele sobre a força econômica de Mossoró, pólo petrolífero e de produção de sal, o taxista observou: “O cabra aqui só come insosso se quiser”.

 



 Escrito por Marcelinho às 16h57
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CULTURA

Sem Feira do Livro este ano em Brasília

 

Depois de incertezas, confirmou-se a notícia de que em 2009 não haverá Feira do Livro em Brasília. Ao invés disso, será em março de 2010, como parte das comemorações dos 50 anos de Brasília.

Não deixo de lamentar, pois desde adolescente frequento a Feira, oportunidade de se adquirir bons títulos, muitas vezes a preços bem em conta, tanto nos sebos quanto nas livrarias mais comerciais. Já estava a juntar uns trocados para comprar algo, porém isto terá de esperar.

O que parece ter motivado a não realização da Feira do Livro de Brasília em 2009 foi a falta de lugar. Desconheço a razão, mas o evento deixou o shopping Pátio Brasil, onde aconteceu até 2008. Pretendia-se fazer o grande encontro literário da cidade na Esplanada, entretanto o fato não se concretizou.

Feiras como esta, em Brasília e em qualquer lugar, representam não apenas a chance de se incentivar o crescimento do mercado de livros, mas também uma oportunidade de se estimular o hábito da leitura. Visitas de escolas, encontros com escritores, oficinas e palestras constituem uma das formas de se promover o gosto por ler, importantíssimo para a nossa formação educacional, cultural, profissional, humana e tudo mais.

Que pelo menos a Feira do Livro de Brasília, para compensar a ausência em 2009, mereça a mesma atenção que outros festejos ligados ao cinqüentenário da capital do País.

Ainda falando em livros, vi esses dias que a Estante Virtual, imensa rede de sebos nacionais, completa quatro anos. Não sei quem inventou o site, no entanto o parabenizo pela idéia genial. Não há obra que não se encontre ali. Comprei alguns exemplares por meio desse endereço eletrônico e fui muito feliz, encontrando com facilidade títulos que não se acham nas livrarias convencionais.

Bem, aproveito para fazer um comercial. É que Daniel Mafra, do programa de livros da Secretaria de Cultura do DF, me convidou para fazer um lançamento da minha única obra, Não Abra – Contos de Terror, na Biblioteca Pública de Taguatinga (DF), às 17h, no dia 14 de novembro. Haverá mais três autores lá, todos, como eu, patrocinados pelo Fundo da Arte e da Cultura do Distrito Federal. Quero levar alguns exemplares para vendê-los ao preço mais acessível que puder. Até lá.



 Escrito por Marcelinho às 13h58
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CONTO

Conversas do Sr. Arp e do Sr. Diabo

Alguém bate à porta. Abro. Lá está o Sr. Diabo. Convido-o a entrar.

“Por favor, entre. A casa é sua”.

Ele veste o indefectível terno preto. Traz uma garrafa de aguardente.

O Sr. Diabo entra, senta-se no sofá. Vou pegar copos.

Abro a garrafa e sirvo. Permaneço em pé.

Tomo a bebida, que desce forte, rasgando meu esôfago.

Puxo uma cadeira e sento.

A conversa toma vários rumos e vai parar no ridículo vestido usado pela obesa Madame Cochon em recente evento festivo local.

“Nunca vi tamanho mau gosto em seu excesso de estampas e em seus sapatos que misturam equívoco estético com esnobismo em uma tarde repleta de mosquitos à beira de um rio”, diz o Sr. Diabo, com seus comentários habitualmente ácidos.

Brinco: “Por que não a leva ao Inferno?”.

Ele ri e rebate: “Perdoe-me o trocadilho, mas, pelo amor de Deus, jamais arrastaria uma rapariga assim ao meu reduto. No Inferno, é preciso ser perverso, porém há que se ter bom gosto”.

“Seus comentários sempre são perfeitos, Sr. Diabo”.

Entre copos e copos de aguardente, o tempo vai, entre observações maldosas  dirigidas à gentalha em mais uma noite dos infernos.

 

 

 

Propriedade de Marcelo Araújo (2009). Direitos reservados Proibido o uso sem autorização.

 



 Escrito por Marcelinho às 22h49
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LIVROS

Skoob relaciona pessoas pela leitura

 

Imagem da entrada do site brasileiro

Na semana passada, enquanto visitava meu tio Fernando em sua casa, em Natal, ele me mostrou uma novidade da web que me empolgou bastante: o site Skoob (www.skoob.com.br). Fernando, um dos meus grandes incentivadores no mundo da leitura na infância e na adolescência, apresentou-me esta rede de relacionamento que funciona por meio da literatura.

No Skoob, além de criar seu perfil com informações pessoais e formar uma rede de contatos, como no Facebook, Twitter e Orkut, o internauta monta a sua Estante Virtual. Nela acrescenta com capa e uma sinopse as obras que já leu, que está lendo, que abandonou e que vai ler.

A pessoa cadastrada na rede ainda tem a possibilidade de classificar seus livros com estrelas e de por resenhas a respeito deles. A correria até agora só me permitiu resenhar dois exemplares.  

Quando acrescenta os livros à sua estante, o membro do Skoob pode comprá-lo por meio de links com sites de vendas. Evidentemente que não encontrará no site todas as obras que já leu. Quando isso ocorre, o Skoob oferece a opção de que se coloque o título  ausente na lista.

Num país como o nosso em que ler, infelizmente, é um prazer para uma seleta parcela da população, quem sabe iniciativas como esta consigam incentivar, nem que seja um pouquinho, o surgimento de novos leitores. Grande idéia o Skoob. Seus criadores estão de parabéns.

 

 



 Escrito por Marcelinho às 08h51
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CONTO

Reflexões de um certo Sr. A

 

Ouço Lohengrim, de Wagner, e imediatamente me transporto para uma batalha há dois séculos, num combate que não sei como irá terminar.

Às armas!

Antes que algo aconteça, que seja dado um tiro, ou que os cavalos disparem, o cenário muda.

Novos preparativos para a luta sangrenta, que se intensificam à medida que entram as notas de Marte, o Emissário da Guerra, de Holst.

Aviões sobrevoam a cidade, prontos para soltarem suas bombas, enquanto, lá embaixo, ao sol, reluzem os capacetes dos soldados, a couraça dos tanques e as metralhadoras.

Resta-me apenas acender um cigarro, pois na fumaça, todas as minhas imagens tomam forma e ganham vida.

 

Propriedade de Marcelo Araújo (2009). Direitos reservados Proibido o uso sem autorização.

 



 Escrito por Marcelinho às 22h17
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NÓTÍCIAS

 

Meu livro continua na praça

Lá se vão quase oito meses desde que lancei aqui em Brasília meu primeiro livro, Não Abra – Contos de Terror. Após esse tempo, volta e meia recebo uma grata surpresa.

 

Há uma semana, na sexta-feira (18), estava em casa de tarde quando recebi um telefonema da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Era um rapaz chamado Daniel Mafra. Ele disse que na rádio Cultura FM, da Secretaria, há dentro do programa Revista 100,9, um espaço chamado Minuto do Livro. Nele, Mafra faz comentários sobre livros lançados pelo Fundo da Arte e Cultura do DF.

A boa notícia que ele me deu foi que haveria naquele dia um comentário sobre meu livro no programa. Liguei o rádio e gravei a resenha, que foi ao ar por volta das 17h30. Gostei porque Daniel, além de falar positivamente da obra e de informar que ela está disponível na rede de bibliotecas públicas do DF e nas estações de metrô, colocou como BG (música de fundo, na linguagem dos radialistas) War Pigs, do Black Sabbath. Nos agradecimentos de Não Abra, cito o Sabbath como fonte de inspiração.

Na última quarta-feira, dei um pulo na Editora Thesaurus, que publicou meu livro, para o periódico ajuste de contas das vendas. Ao chegar lá, descobri que Não Abra – Contos de Terror vendeu 15 exemplares nos últimos cinco meses em São Paulo. O número pode não parecer expressivo, mas levando-se em conta que se trata de uma produção absolutamente independente e quase sem nenhuma divulgação fora de Brasília, o resultado me deixou contente.

Para quem venha a se interessar, o livro continua à venda pela web, em sites como a Livraria Cultura, Submarino e Americanas.

Começo a pensar na possibilidade de um novo projeto, também de histórias de terror e sobrenaturais. Quem sabe nos próximos meses consiga fazer algo a respeito.



 Escrito por Marcelinho às 15h58
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ROCK

 

Som melódico e pesado

Divulgação

Da esquerda pra direita: Jimmy Bain, Cozy Powell, Dio, Blackmore e Tony Carey

Que o guitarrista Ritchie Blackmore sempre foi a alma da banda inglesa Deep Purple não há dúvidas. Isso ficou evidente em 1975, quando o músico largou o grupo, um dos três mais importantes do heavy metal, para formar o Rainbow, seu próprio projeto. O Purple descambou para uma combinação de funk e soul com rock até encerrar as atividades em 1976. Já o Rainbow, em seus primeiros anos de atividade, pareceu concentrar toda a energia perdida pelo combo original de Ritchie.

Um dos mais técnicos guitarristas do rock, Blackmore soube trazer o sentimento para os seus solos, em uma combinação de influências tão diversas quanto o blues, a música clássica e o rock’n’roll. Se no Purple, ele criou alguns dos mais belos riffs e solos da história do rock, não poderia ser diferente no Rainbow. A exemplo de seu grupo anterior, no Rainbow as influências clássicas e populares se fundiam na estrutura da música, melódica sem deixar de ser pesada.

Inicialmente a banda se chamava Ritchie Blackmore’s Rainbow. Este também era o nome do primeiro disco do projeto, lançado em 1975. A curiosidade é que para gravar o álbum Blackmore aproveitou quase todos os membros do grupo americano ELF, menos o guitarrista.

O destaque ficou com o vocalista Ronnie James Dio. A exemplo de Ritchie, Dio se consagrou pela extrema técnica, no caso vocal, muito influenciada pelo canto lírico. Outra marca que deixou no Rainbow, no Black Sabbath e em seu projeto solo é o talento como melodista e as letras inspiradas em mitos e contos de fadas. O álbum de estréia do Rainbow destacava Man on the Silver Mountain, Catch the Rainbow e ainda uma versão de Still I’m Sad, dos Yardbirds.

O segundo disco, Rainbow Rising, de 1976, é o melhor de todos. Trazia uma formação já bem diferente do anterior. Aliás, isto seria outra característica do conjunto, com todas os line-ups em torno do temperamental e egocêntrico Ritchie Blackmore, uma figura que, dizem por aí, não é das de mais fácil convivência.

Voltando ao assunto, em Rising estavam, além de Blackmore e Dio, o baixista escocês Jimmy Bain, o tecladista americano Tony Carey e o fenomenal baterista inglês Cozy Powell, um dos mais importantes do rock.

Rising abria com Tarot Woman, com direito a uma introdução de teclado progressiva, para logo cair no peso. Starstruck lembrava o velho Deep Purple do início dos anos 70 e A Light in the Black antecipava o classic metal da década de 80 nos solos da guitarra e do teclado. O momento explosivo do álbum, no entanto, ficava com Stargazer, a começar da intro cachalotesca de Cozy. A música seguia em uma levada arrastada e ia ao ápice com o solo esfuziante de Ritchie em um de seus grandes momentos, com forte influência da música oriental.

Em 1977, o Rainbow gravou o ao vivo On Stage. O disco tinha início com um trecho do filme O Mágico de Oz, com Judy Garland, antes de entrar a pauleira acelerada de Kill the King, puxada pela bateria de Powell. Em 1978, saiu Long Live Rock’n’Roll, último trabalho com Dio. No ano seguinte Ronnie abandonou o grupo para juntar-se ao Black Sabbath.

Em 1979, saiu Down to Earth, com o veterano Graham Bonnet nos vocais. A surpresa ficou com a chegada de Roger Glover para o baixo. Ao que se sabe, Glover era um antigo desafeto de Ritchie. Deixou o Purple em 1973 por exigência do guitarrista. Na época, o baixista afirmou: “Não entendi. Primeiro o cara me expulsou do Deep Purple e depois me chamou para tocar com ele novamente”.

Down to Earth é até um disco legal de rock ainda que Bonnet às vezes peque pela afetação. Com a saída de Graham em 1980 e a vinda de Joey Lynn-Turner o Rainbow tornou-se mais uma banda pop rock do que heavy, o que desagradou antigos fãs.

Em 1980, Cozy Powell também decidiu encerrar sua colaboração de quatro anos com Blackmore. O batera se recusou a gravar açucarada I Surrender, de Russ Ballard, nos vocais de Lynn-Turner. Powell considerou a canção muito comercial. Quem acabou gravando a bateria foi Roger Glover, antes que Bob Rondinelli ocupasse as peles.

O grupo de Blackmore prosseguiu até 1984, quando o guitarrista retornou ao Deep Purple. Após sair novamente do Purple, nos anos 90, o músico reativou brevemente o Rainbow, antes de enveredar pela música renascentista. Como se vê: gostando-se ou não dele, Ritchie Blackmore pode ser tudo, menos previsível.

 



 Escrito por Marcelinho às 19h48
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POESIA

Abaixo uma pequena experimentação em versos

SÉRIES RADIOFÔNICAS
TRABALHADORES AUTONÔMOS JÁ PODEM SE CADASTRAR
RADIO, LOCUTOR, NOVELA
ENCANADOR, PEDREIRA, COSTUREIRA, JARDINEIRO
TODOS EM SEUS BALÉS HELIOCÊNTRICOS
FOCO DE ORIENTAÇÃO
CADASTRAMENTO, PENSAMENTO
PASTILHAS VALDA DIET
A PARTIR DA ADOÇÃO DOS CRITÉRIOS DE QUALIDADE
PUNKS CORREM PELO RADIOCENTER
BOOTS VELHOS, ENVENENADOS
NOTÍCIA OFICIAL
ESTES JORNAIS NÃO SERÃO MAIS VENDIDOS AQUI
E ENQUANTO A EQUIPE VENCEDORA GRITA
FALO PARA MARIA APOLONÉSIA, A COZINHEIRA:
POR FAVOR, MAIS UM CHAZINHO COM BOLO DE ABÓBORA

 



 Escrito por Marcelinho às 23h08
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INUSITADO

Exploited e a vitrolinha da Minnie

Reprodução

Junto com as minhas paixões pela música, cinema, literatura e artes em geral fatos inusitados constituem matéria-prima para os textos que escrevo neste blog há mais de três anos.

Amigo meu há mais de duas décadas, Sérgio Fontenele, conhecido como Sérgio Cabeça, é uma das pessoas de minha convivência que sempre me inspira a produzir textos, fictícios ou baseados em fatos reais.

Desenhista dos mais talentosos que já vi, Cabeça prima por sua imaginação desenfreada e calcada no surrealismo. Muitas vezes, até parece que conta um fato de outro mundo, no entanto, fala absolutamente de um acontecimento real.

Dia desses, por telefone, Serginho me informava que em novembro a banda de hardcore escocesa Exploited virá tocar no Brasil, e aqui em Brasília. Empolguei-me, pois gosto muito dessa linha de punk oitentista, também integrada por nomes como o magistral G.B.H. e o Rattus, da Finlândia.

Lá pelas tantas, Cabeça voltou ao passado para contar que ainda na primeira metade da década de 80, quando punk e metal borbulhavam em sua casa, comprou o álbum do Exploited Let’s Start a War (Said Maggie One Day), aquele com a caveira de moicano na capa.

Sérgio disse que ouvia música num velho três em um dos seus pais feito de madeira. Segundo ele, os botões pareciam tampinhas de Coca-Cola. Um dia, este aparelho pifou e Cabeça viu-se no desespero, sem poder escutar seus discos de barulho.

A solução veio com um jeitinho bem brasileiro. Meu amigo lembrou-se que sua irmãzinha tinha uma vitrola da Minnie. Não sei se alguém se lembra. Era um toca-discos de vinil vermelho pequeno e com a estampa da famosa ratinha de Walt Disney.

Cabeça pegou emprestada a vitrolinha e pôs o Exploited para tocar nela. Perguntei se o disco rodou direitinho, no que ele me respondeu: “Ficou mais HC ainda. Exploited na vitrolinha da Minnie é hardcore!!”.

Sérgio disse que enquanto o som dos seus pais não voltou do conserto ouviu muito Exploited e outras bandas no toca-discos da irmã. “Escutei aquele disco até as músicas sumirem”, confessou no habitual tom abstrato.

No meio deste papo sobre Exploited, Cabeça lembrou daquele velho mito de que se você pusesse discos de vinil de metal pra tocar ao contrário, ouviria mensagens satânicas.

Em tom bem humorado, Serginho comentou a teoria. “Acredito no contraditório. Se você puser LP da Xuxa ao contrário, vai tocar Slayer. Se pegar o Slayer e rodar ao inverso, você escuta historinhas infantis daqueles disquinhos coloridos”, afirmou.

Depois dessa, vou ouvir Slayer!

 

 

 

 



 Escrito por Marcelinho às 14h02
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