OBITUÁRIO
Morre Glenn Ford
Ele interpretou inúmeros papéis mas há de ser mais lembrado como o homem que sucumbe à sensualidade da personagem de Rita Hayworth no filme Gilda, um clássico dos anos 40. Glenn Ford morreu ontem, aos 90 anos, em sua casa, na Califórnia. Nascido no Canadá, passou boa parte da vida nos Estados Unidos, onde seguiu carreira como um dos mais populares atores de Hollywood.
Particularmente, gosto de lembrar de Glenn como o professor de Sementes da Violência (Blackboard Jungle), de 1955, filme que lançou a canção Rock Around the Clock, de Bill Halley and his Comets, considerada pelos historiadores como hit inaugural do rock and roll. Na produção, Ford fazia papel de um professor lidando com uma turma de adolescentes desajustados, entre eles o jovem Sidney Poitier e o futuro diretor Paul Mazursky. A temática do filme tinha tudo a ver com a insatisfação dos jovens com a América conservadora daqueles tempos.
Glenn Ford também interpretou o pai terrestre adotivo de Clark Kent no Super Man de 1978. Mais um que parte e um dos últimos representantes de uma fase de ouro do cinema.

Glenn Ford dá duro com os alunos em cena de Sementes da Violência
Escrito por Marcelinho às 17h36
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Mais fotos de terror dos anos 30 e 40

Lon Chaney Jr. como lobisomem

Tod Browning barbarizou em Freaks

Inspirado em H.G. Wells o diabólico Homem Invisível
Escrito por Marcelinho às 21h10
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História do Cinema de Terror
Quinta parte: os Monstros
Drácula e Frankenstein. Bela Lugosi e Boris Karloff. Os filmes de terror da década de 30 estão essencialmente ligados aos nomes desses dois personagens e dois atores. Ambos originários de clássicos da literatura, Drácula e Frankenstein foram os mais populares astros da legião do terror daquele período. Ambos imigrantes em Hollywood, o húngaro Lugosi e o britânico Karloff personificaram de tal forma esses ícones do terror que poucos conseguiram escapar dos moldes criados por eles e pelos criativos diretores e equipes com quem trabalharam.
Viciado em morfina no fim da vida, Lugosi chegou a trabalhar com o papa do trash, Ed Wood e até ganhou uma homenagem da banda de rock gótica Bauhaus com a música Bela Lugosi is Dead. Karloff continuou fazendo filmes de terror até perto de sua morte, em 1969.
A influência dos dois protótipos marcou não apenas os filmes do cinema como também desenhos animados, seriados cômicos de TV e histórias em quadrinho. Não há quem saiba o mínimo de cultura pop e não reconheça imediatamente os estereótipos de Drácula, com sua capa preta, cara pálida, cabelo engomado e dentes pontiagudos; e o Monstro de Frankenstein, com a cabeça quadrada, o corpo agigantado e os famosos parafusos na nuca. Embora essas imagens hoje pareçam caricatas e as adaptações desses personagens tenham sido muito pouco ou quase nada fiéis aos originais literários, o pioneirismo é indiscutível em caracterizar dois personagens fundamentais do imaginário do terror.
O Drácula com Lugosi chegou ao cinema em 1931, sob direção de Tod Browning. Cineasta que começou trabalhando com Lon Chaney, em 1932 Tod filmou com pessoas deformadas de verdade Freaks, um escândalo pra época ao retratar gente com diversos problemas físicos em um circo. A Continental lançou Freaks em DVD e recomendamos que você adquira filme tão singular.
No mesmo ano em que Browning adaptou Drácula, James Whale dirigiu Frankenstein, para muitos a versão definitiva no cinema da novela de Mary Shelley. Drácula e Frankenstein geraram continuações, como A Noiva de Frankenstein e A Filha de Drácula, e uma série de imitações. Também abriram o caminho para filmes de terror que reinaram nos anos 30 e em parte dos 40. Karloff interpretou a Múmia e também o diabólico vilão chinês Fu Man Chu. Do livro de Robert Louis Stevenson, a história do Doutor Jeckyl e Mr. Hyde teve Fredric March, em 1931, e Spencer Tracy, dez anos depois, encarnando a dualidade bem e mal de um mesmo homem.
Destaquemos ainda O Homem Invisível, de James Whale (mesmo de Frankenstein), Lon Chaney Jr. (filho de Lon Chaney) como o lobisomem em O Homem Lobo, e Charles Lawton como O Corcunda de Notre Dame. A gente poderia ficar aqui páginas e mais páginas falando de tantas produções de terror dos anos 30 e 40, mas o melhor mesmo é ver esses filmes e muitos deles podem ser encomendados pela Internet ou comprados em lojas. Corra atrás.

Oficialmente, Bela Lugosi encarnou o primeiro Drácula

Karloff como o monstro criado por Victor Frankenstein
Continua. A seguir: Anos 50: império dos filmes B
Escrito por Marcelinho às 21h09
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História do Cinema de Terror
Quarta parte: Terror em Hollywood
Ainda na década de 20, durante o cinema mudo, começaram a ser rodados os primeiros filmes de terror nos Estados Unidos, produções bastante influenciadas pelo cinema expressionista alemão, como Sparrows, de 1926, dirigido por William Beaudine e estrelado pela mocinha Mary Pickford. Imerso em uma atmosfera gótica, Sparrows mostra um grupo de crianças escravizadas e aterrorizadas por um casal de fazendeiros.
Com o terror, a meca do cinema mundial descobriu um filão que jamais abandonou e que se desmembrou em oito décadas nas mais variadas tendências. Casas mal assombradas, vampiros, monstros de outros mundos e lobisomens são parte dos temas até hoje revisitados. Conforme lembrou nosso amigo Marlos “Strafoferinsky” Marques, grandes diretores americanos modernos, como Stanley Kubrick, Steven Spielberg, Brian de Palma e Francis Ford Coppola passaram pelo gênero. Artistas desse quilate deram ao terror o status de arte e não apenas de um mero estilo para entretenimento.
O primeiro ator importante do gênero em Hollywood foi o americano Lon Chaney. Em 1923, Lon deu vida a um dos mais famosos personagens da literatura de horror: o Corcunda de Notre Dame, criado pelo escritor francês Victor Hugo e levado às telas por William Dieterle. Colocado injustamente junto a vilões como Drácula, o Monstro de Frankenstein e a Múmia, Quasimodo, o dito corcunda, figura nesse conjunto apenas pela deformidade física, pois, na verdade, era uma boa pessoa.
Em 1925, Lon Chaney protagonizou o Fantasma da Ópera, sob direção de Rupert Julian. Figura perversa, o Fantasma vagava pelos caminhos secretos de um teatro e aterrorizava público e funcionários do estabelecimento. Com esse marcante trabalho, Lon virou um astro em Hollywood. Daí em diante, tornou-se protótipo e referência para o gênero do horror. Elogie-se ainda a maquiagem do fantasma, o incrível trabalho do diretor Julian e os incríveis cenários, tudo com muita influência expressionista.
Lon Chaney morreu em 1930, vítima de um câncer. Deixou um grande legado em interpretação para outros vilões do cinema de terror. Com a chegada do som ao cinema, começou uma nova era para o terror, com adaptações das histórias de Drácula e Frankenstein, assunto de nosso próximo episódio.

Lon Chaney interpretando o Fantasma da Ópera: nítida influência expressionista
Continua. A seguir: A hora dos monstros.
Escrito por Marcelinho às 12h51
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História do Cinema de Terror
Terceira parte: os precursores/os expressionistas
O expressionismo apareceu primeiro na pintura, na virada do século XIX para o XX. Tons sombrios e imagens exageradas marcavam essa tendência altamente subjetiva que, como o próprio nome dizia, valorizava a expressão a partir de pontos de vistas mais obscuros do ser humano.
No cinema, o expressionismo se destacou principalmente na Alemanha, país onde surgiu, no final da década de 10. Levando elementos das artes plásticas para as telas e somando-os a outras inovações, o expressionismo nas telas tornou-se uma das mais importantes referências do cinema. Influenciou e influencia diretores das mais variadas tendências; de Tim Burton a Alfred Hitchcock; de David Lynch a Terry Gillian; de Roman Polansky a Orson Welles.
Embora não seja uma escola de filmes de terror e suspense e transcenda estes estilos, o expressionismo lançou estatutos para esse tipo de filme: cenários tortuosos, iluminação recortada ou deficiente, ambientes sombrios e, sobretudo, figuras mórbidas e sinistras.
Tal qual na pintura, o expressionismo cinematográfico destacou-se, sobretudo, na Alemanha, no intervalo entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial; em meio à depressão econômica provocada pelo conflito iniciado em 1914 e a subida ao poder do nazismo e ao clima de perseguição étnica e política que viria a seguir. Por conta disso, os diretores expressionistas carregaram suas obras com angústia, insatisfação, desespero, solidão, tristeza e fatalismo.
A primeira produção expressionista a ganhar repercussão foi O Gabinete do Dr. Caligari, de 1919, dirigida por Robert Wiene, em que um hipnotizador coloca um sonâmbulo para cometer crimes. Wiene também dirigiu logo depois Orlac, o pianista, que mostra as mãos de um músico possuídas pela alma de um criminoso. Nada mais terror que isso.
Outra obra fundamental do movimento foi Nosferatu, de 1922, de F.W. Murnau. O Nosferatu foi o primeiro Drácula das telas, no entanto, por problemas de direitos autorais relacionados à família de Bram Stoker, Murnau precisou mudar o nome do personagem. Careca, com os famosos dentes caninos pontiagudos, com unhas enormes e vestido de preto, Nosferatu é uma das mais aterrorizantes figuras da história do cinema. Merece destaque neste filme o encontro de Jonathan Harker com o vampiro no castelo. Mesmo não usando o nome Drácula, o filme de Murnau foi mais fiel ao livro de Stoker do que a maioria das adaptações feitas posteriormente.
Nascido na Áustria, Fritz Lang representou outro genial diretor do expressionismo e dirigiu filmes como o clássico da ficção científica Metrópolis e a série do maligno criminoso Dr. Mabuse.
Com a chegada de Hitler ao poder, em 1933, o expressionismo recebeu um golpe fatal. À essa altura, seus principais diretores tinham fugido para a América, levando sua técnica e talento para Hollywood.

O Gabiente do Dr. Caligari alavancou o movimento expressionista

Com Nosferatu, Murnau levou Drácula às telas pela primeira vez
Continua. A seguir: o terror chega a Hollywood.
Escrito por Marcelinho às 17h33
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História do Cinema de Terror
Segunda parte: os precursores/cinema fantástico
O cinema já nasceu despertando medo nas pessoas. Pode-se dizer que o terror surgiu junto com a Sétima Arte. Afinal, o primeiro filme oficialmente reconhecido pelos historiadores, A Chegada do Trem à Estação, dos irmãos Lumière, exibido em 1895, no Grand Café do Boulevard des Capucines, em Paris, provocou pânico na platéia. Desconhecendo a nova tecnologia, o público se assustou ao ver a aproximação do trem, no primeiro susto do cinema.
O surgimento do terror nas telas tem ligação direta com o cinema fantástico, que surge nos primeiros anos da sétima arte. No início do século XX, diretores franceses como Zaca e George Meliès produziam efeitos de deixar os espectadores boquiabertos – até hoje surpreendem, dadas as primárias condições de produção da época. Meliès dirigiu, em 1902, Viagem à Lua. O diretor trouxe para a tela monstros e outros seres esquisitos em suas produções. Também adaptou A Maldição de Fausto, em 1903, inspirado no famoso mito – celebrizado na literatura por Goethe – do homem que se entrega ao diabo. O expressionista Murnau foi outro a levar a história às telas, quase 20 anos depois de Meliès.
Egressos da literatura de ficção científica de Júlio Verne, os franceses foram mestres do cinema fantástico nas primeiras cinco décadas do século XX. René Clair deixou sua marca nesse gênero com Paris que dorme, de 1923, no qual um cientista cria uma máquina que põe a capital francesa para dormir.
Poeta, artista plástico e diretor de cinema, existencialista, Jean Cocteau explorou o fantástico e tinha um pé no gótico. Nos anos 40 adaptou para as telas o conto infantil A Bela e a Fera, com seu ator favorito, Jean Marais. O mesmo protagonizou Orfeu, em 1949. Cocteau transpôs para os tempos modernos o mito grego de Orfeu e Eurídice. Na história, Orfeu precisa descer aos infernos em busca da amada Eurídice. No entanto, na versão de Jean Cocteau, Orfeu fica gamado mesmo é pela Morte, personalizada em uma mulher, interpretada pela belíssima atriz espanhola Maria Casares.
Espanhol, Luis Buñuel iniciou a carreira de cineasta na França, como assistente de Jean Epstein em A Queda da Casa de Usher, baseado no conto de Edgar Allan Poe. Em 1929, dirigiu Um Cão Andaluz, referência no cinema surrealista e com algumas pitadas de horror.

O fantástico é a tônica de Meliès, diretor de Viagem à Lua

O trem dos Lumière pôs
medo no público francês
Continua. A seguir: Os precursores/Os expressionistas
Escrito por Marcelinho às 14h56
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História do Cinema de Terror
Primeira parte: Mitologia, folclore e literatura
Amigos, conforme prometi começo aqui uma história – dividida em episódios – do cinema de terror. Porque resolvi contar a história dessa expressão? Porque... porque... porque... Não tem porquê. Sou um fã desse tipo de filme e dos contos de terror, a exemplo de muita gente aprecio artistas como diretores e escritores que sabem criar climas de terror e provocar o medo. Na verdade, não sou historiador e nem pretendo fazer aqui nenhuma biografia completa do gênero – o que pode ser encontrado facilmente na Internet ou em livrarias. Pretendo apenas dividir impressões com os amigos.
Incontáveis devem ser as teses tratando deste assunto: por que motivo há décadas filmes do gênero fazem tanto sucesso e levam muitas pessoas aos cinemas do mundo inteiro? Como não sou psicanalista e nem outro estudioso do comportamento humano, prefiro apenas assumir a paixão pelo terror e curtir. Nada melhor do que entrar no escuro do cinema ou em algum cômodo da casa para uma sessão de DVD e mergulhar no universo do medo. Senhoras e senhores, com vocês, o terror no cinema.
Mitologia e folclore – Impossível saber quando e onde surgiu a primeira história de terror, mas o gênero já se fazia presente nas mais ancestrais mitologias, com monstros como o Minotauro, homem com cabeça de touro que, segundo a lenda, aterrorizava a ilha de Creta e devorava seres humanos, ou a Esfinge – cabeça de homem e cabeça de leão – egípcia, que propunha enigmas às pessoas com quem se defrontava. Quem não adivinhasse a pergunta, terminava devorado pela terrível criatura.
As lendas populares dos índios e de outros tipos brasileiros como o homem do campo também são repletas de figuras assustadoras, como a mula-sem-cabeça, que soltava fogo, e o curupira, que tinha um pé para trás e atacava os caçadores de animais.
Na literatura a tradição do horror firmou-se no século 19, com escritores como Mary Shelley – criadora de Frankenstein, um dos ícones do terror – e o norte-americano Edgar Allan Poe. Baseado em climas psicológicos e não em demônios e forças sobrenaturais, Poe criou uma das obras mais ricas e consistentes da literatura universal.
Outros nomes mergulharam fundo nessa corrente, como Ambrose Bierce, Guy de Maupassant, Algernoon Blackwood, Sheridan Le Fanu e H.P. Lovecraft. Na virada do século XIX para o XX o irlandês Bram Stoker criou o personagem mais célebre da literatura gótica e também o mais adaptado para as telas: Drácula, o vampiro sugador de sangue. O morto-vivo mais famoso da Transilvânia sobrevive há mais de um século, tendo fomentado a imaginação de gerações de leitores e cinéfilos. Dos umbrais de Ambrose Bierce, passando pelo vampiro de Stoker ou pelo Frankenstein de Mary Shelley, aos horripilantes monstros de Lovecraft, a literatura de terror deixou um enorme manancial de inspiração para o cinema, sem falar nos papas modernos do gênero, como norte-americano Stephen King, revelado na década de 70 e que teve dezenas de obras levadas à tela, e o britânico Clive Barker, criador do Hellraiser.

Bram Stoker imortalizou Drácula

Bierce fazia seus personagens desaparecerem

King: papa do terror moderno
Continua. A seguir: os precursores.
Escrito por Marcelinho às 17h21
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Nova pérola do terror japonês
Assistindo à TV sábado de noite, tomo conhecimento de mais um caso de barbárie inexplicável. Um pai, em São Paulo, desiludido com a separação dopou os três filhos e matou-os em seguida usando uma arma de fogo. Após cometer os crimes, suicidou-se com um tiro. Como em várias situações desse tipo, parentes e amigos dizem não acreditar no ocorrido e que não imaginariam que o criminoso pudesse ser capaz de um ato assim. Acontecimentos como esse povoam as páginas de jornais do mundo inteiro. Loucos que chacinam a própria família, que violentam e mutilam crianças e mulheres e tiram a própria vida. A loucura parece ser a única causa que a ciência – no caso a psiquiatria – encontra para explicar a violência, embora alguns não cansem de atribuir componentes sobrenaturais a tais incidentes.
Vocês devem estar se perguntando o porquê de eu citar um crime para abrir um comentário sobre um filme de terror japonês, no caso Almas Reencarnadas (Rinne), do diretor Takashi Shimizu, o mesmo de Ju-On-The Grudge (O Grito, em português), em cartaz nos cinemas brasilienses. É que a exemplo das produções mais célebres do cinema japonês e oriental de terror, os fatos fantásticos narrados em Almas Reencarnadas se relacionam a atos brutais de violência. Massacres acabam desencadeando maldições responsáveis pelo aparecimento de fantasmas assustadores. Graças a esse conteúdo, o Japão e países como a Coréia do Sul e Taiwan entraram – e entraram bem na fita, como diria a gíria – no mapa de uma tradição cinematográfica até pouco tempo dominada por cineastas anglo-americanos.
O título do filme em português pode parecer piegas, mas não se engane, Almas Reencarnadas não é a nova novela das seis e nem o Vale a Pena Ver de Novo. As semelhanças com qualquer novela param no nome do filme. Nessa película Takashi Shimizu conta a história de um diretor e sua equipe. Eles trabalham na reconstituição de um crime ocorrido há 36 anos. Na ocasião, um professor hóspede de um hotel chacinou onze pessoas e filmou cada morte. A atriz protagonista começa a ter visões com fantasmas das vítimas e de seu matador e tudo piora quando a equipe vai para o dito hotel fazer umas cenas mais “realistas”.
Não vou ficar dando muitos detalhes sobre Almas Reencarnadas. Melhor verem. Digo apenas que é uma das obras-primas dessa safra de terror japonês que vingou no novo milênio. Um maestro do terror e suspense, Takashi Shimizu dirigiu um filme tenso, com sustos do começo ao fim, a exemplo de O Grito, produção que alcançou tanta repercussão e que até teve uma versão norte-americana, com o próprio cineasta nipônico à frente do projeto. Em meio a esse clima de tensão, o que estimula os fãs do gênero é que Shimizu leva o público para um labirinto sem fim de horror, onde quase nunca há pausa para um suspiro ou para que os personagens – e quem está assistindo – relaxem. Como em todo bom filme de terror, você sabe que não vai acabar bem. Um susto puxa outro ainda mais forte.
Claro, não poderíamos deixar de falar de elementos que marcam o cinema de Shimizu e de outros colegas nipônicos e orientais: a maldição desencadeada por um ato de violência e que marcha como uma besta faminta para suas vítimas, os cenários abandonados tortuosos, os espectros perdidos e deformados, saltos no tempo e a iluminação recortada tendendo para o expressionismo.
Almas reencarnadas pode ser visto no Cinemark, ParkShopping e Pátio Brasil. Se você tem medo desse tipo de filme, vá acompanhado. Se for sozinho, ao sair do cinema, só não esqueça de olhar de vez em quando para o banco de trás do seu carro, para ver se algum fantasma não está te fazendo companhia.
Foto: divulgação

Essa menina vai tirar seu sono
Escrito por Marcelinho às 14h23
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Crítica
Micarê rumo ao túmulo
Moro no meio da Asa Sul e faz uns três dias que escuto um barulho de música de noite. Pensei: “devem ter aberto um bar de música ao vivo aqui na área. Coitado de quem mora perto”. Só no sábado, uns dois dias depois, me toquei que se tratava da Micarê Candanga chegando perto da minha janela e querendo peitar meus discos do Led Zeppelin. Tão desligado que estava de tão “encantador” evento, nem notei que, pelas ruas, tinha esbarrado várias vezes com as pessoas que usam aqueles uniformes (abadás) ridículos, coloridos com um mau gosto de fazer a gente passar mal.
Ontem, lendo os jornais, soube que Ivete Sangalo e mais uma meia dúzia desses axés passaram pela cidade no fim-de-semana com aquela música de quinta categoria, que eu considero uma das piores coisas já feitas na música brasileira junto com o pagode, o sertanejo e o funk carioca. Umas letras tipo “ê ô ê ô ê ô ê á”, um timbre de voz que parece abafado por um pregador no nariz e que é típico de todos esses malas do axé, o bate-estaca e aquelas guitarrinhas insuportáveis.
Algo, no entanto me deixou feliz. Pelo visto, parece que a cada ano essa festa vai perdendo mais o gás. Posso estar errado – até porque não passo nem perto disso – mas antes, há uns 10 anos, a Micarê era bem mais badalada. Meses antes você já via as propagandas de vendas dos abadás, a preços exorbitantes e disputados no tapa por patricinhas, malas e playboys. Como repórter de jornal, lembro do verdadeiro suplício que era ser obrigado a fazer matéria sobre o assunto. Felizmente, me pouparam de ter que encarar uma noite ouvindo Chiclete com Banana, Asa de Águia, Netinho e troços afins. Por outro lado, tive que ir cobrir num plantão de domingo, se não me engano em 1996, no Gama, a morte de jovens que se meteram em confusão na chamada área da “pipoca”, fora da segurança dos cordões e onde ficam aqueles que não têm condições de pagar os preços astronômicos do abadá.
A primeira vez que eu e Micarê mantivemos contato foi em 1994. Uma namorada que gostava me implorou para dar uma passada com ela na Esplanada para olharmos. Atendi ao pedido e vi um monte de gente pulando em bloco perto do Congresso. Na época, a Micarê não tinha tanta popularidade, mas já causava um estrago no gramado da Esplanada, sem contar no lixo que aquele povo espalhava por ali. Tiveram o bom senso de pelo menos mandar a festa lá pra cima, depois da Torre de TV, para não pôr em risco o patrimônio cultural brasiliense. Este ano, fizeram no estacionamento do Estádio Mane Garrincha.
Tempos bons chegaram para os organizadores da farra carnavalesca fora de época, até que a folia começou a dar sinais de desgaste. Para reverter o quadro, os caras chegaram a chamar Jorge Ben Jor pra tocar, para dizer que o evento era eclético e MPB, que também tocava música de qualidade e outras baboseiras. Depois, percebendo a decadência da axé music, os produtores tentaram diversificar, assimilando a música eletrônica e os DJs, por conta do sucesso desse outro modismo.
O fato é que a Micarê Candanga só serviu mesmo para encher o bolso de quem produz a festa. Do ponto de vista cultural, Brasília não ganhou nada com esse festival de artistas de qualidade absolutamente duvidosa. A cidade perdeu.
De uns seis anos pra cá, a festa perdeu fôlego. Sinal de que os seus antigos freqüentadores que abandonaram o barco melhoraram seu gosto musical? Provavelmente apenas trocaram um lixo por outro, embalados por Tigrões e Calypsos da vida. Tenho certeza que é uma questão de tempo para esse evento desaparecer. Pode levar mais alguns anos, porém sucumbirá. Boto fé nisso. Axé meu pai!

Seja uma alma caridosa . Se você conhece
alguém que ouve axé: mostre o Led Zeppelin pra ele
Escrito por Marcelinho às 21h47
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Ê-Mula
Mais dicas de vídeos dando sopa na web
Kings of Glam: documentário da TV inglesa BBC sobre artistas britânicos de Glam/Glitter Rock. Destaque para David Bowie, Marc Bolan, Slade, Roxy Music e Elton John.
Miles Davis - So What: Performance do trompetista e de seu quinteto, que inclui o saxofonista John Coltrane em um programa de TV nos anos 50.
Leonard Cohen - Live at Austin: Show do cantor, poeta e compositor canadense em 1988. A apresentação faz parte da turnê do álbum I'm the Man. Boa qualidade de imagem e som. No repertório, Cohen canta Everybody Knows, First We Take Manhattam, The Partisan e outras.

Show no Texas em 88 é pérola de Leonard Cohen
Escrito por Marcelinho às 12h47
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IPODIANDO
Já que dedicamos uma coluna a Tim Maia por esses dias, aí vai uma sessão Ipodiando só com esse mestre
- Azul da Cor do Mar
- Primavera
- Acenda o Farol (ao vivo)
- All I want
- Pais e Filhos
- Me dê motivos
- Gostava tanto de você
- Descobridor dos sete mares
- Canário do Reino
- Até parece que foi sonho (com Fábio)
- Velho Camarada (com Fábio e Hyldon)
- Vou com gás
- Samba da pergunta

Tim Maia: que beleza!
Escrito por Marcelinho às 21h44
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CRÔNICA
Os vôos de Fredinho Zidane
Frederico Baroné é uma das figuras mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer nesses meus 36 anos de vida. Sou amigo dele há 15 anos, bem como de sua esposa Maria Frrrrrnanda. Flamenguista em estado terminal, morador da Asa Norte, fã de Slayer e de João Gilberto, pai e psicólogo com mestrado pela Universidade de Brasília (UnB), Baroné chama a atenção por seu comportamento extrovertido e por sua eterna disposição em tomar uma cerveja gelada.
Fredinho Baroné também confessa há mais de uma década ser adepto das projeções astrais, faculdades que alguns juram possuir e que permitem sair do corpo e viajar espiritualmente pelo mundo e pelo universo.
Utilizando essa capacidade, Baroné diz já ter saído do corpo à noite, atravessado a parede e chegado à casa do vizinho. "Nunca entrei lá fisicamente, mas sei que o apartamento tem um bar e é muito bem decorado", conta. Em outra ocasião, Fredinho declarou ter se "levantado" no meio da noite e passado horas voando. Quando percebeu, tinha amanhecido e sobrevoava o Setor de Clubes. Olhou para baixo e viu seus primos jogando vôlei no clube que sua família freqüenta.
Baroné conta outras histórias do arco-da-velha. Disse que, certa vez, foi visitar familiares no interior de Minas por meio da projeção astral e encontrou com o fantasma de uma velha senhora, que voava com um longo vestido preto. Fred lembra que não ficou com medo do espectro e até cumprimentou a figura, que como ele, descobriu que dá para economizar uns bons trocados com passagens aéreas e de ônibus saindo do corpo.
Fredinho relatou-me, ainda, que antes da inauguração da Ponte J.K., ele já conhecia o empreendimento, pois, uma noite, em uma festa no Lago Sul, saiu do corpo e foi sobrevoar o monumento.
Narrativas desse tipo acabaram me inspirando a criar uma letra, há uns 10 anos. Na época, eu e Fred brincávamos de tocar numa banda de rock. A música chamava-se pirated (não é pirateado em inglês, mas um trocadilho misturando pirado em português com o inglês) e tratava das viagens aeroespaciais do meu amigo.
Pra fechar, a última curiosidade. Anos antes que o craque francês Zinedine Zidane metesse a cabeça num jogador italiano, na final da Copa da Alemanha, Fredinho tinha o hábito inusitado de dar cabeçadas nos amigos. Ele arrasta o pé como um touro, pronuncia algumas palavras em línguas estranhas e manda ver. "É um gesto de carinho e não uma agressão como o Zidane fez", explica o precursor desse cumprimento. Por causa da semelhança, Baroné está sendo chamado pelos amigos de Fredinho Zidane. Ainda bem que ele não joga bola; só assiste pela TV.
Pirated (Marcelo/Fred). Letra que compus em homenagem a Baroné
Eu vou voar. Eu vou voar
Vou sair do corpo
No oceano cósmico singrando eu vou
Pegando fogo lá no rabo do cometa
E foi um raio de energia em que eu me transformei
E lá embaixo todo mundo me acenando hey
Eu vou Voar. Eu vou voar
Vou sair do corpo. Eu vou flutuar
Sei que andam dizendo que sou maluco
Mas na verdade vôo lá no espaço do absurdo
Se você pensa que o que eu falo é mentira,
Dá uma olhada na janela e vê se me espia, baby
Foto: divulgação

À semelhança do craque francês, Fredinho também dá cabeçadas
Escrito por Marcelinho às 11h59
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RÁDIO
Nas pick-ups: Dj Celsão
Para quem ouve rádio aqui na cidade desde os anos 80, o nome do DJ Celsão é referência. Passou por várias emissoras em Brasília como a 105 FM e a extinta Jornal FM. Mais do que um vozeirão, o DJ é um profundo conhecedor e divulgador da black music e foi um precursor em tocar em nossas rádios funk, soul, rap e charm (apelido brasileiro pra versão mais moderna do rhythm’n’blues).
Lembro dele, há muitos anos, contando uma história de que quando tocava em festas em cidades como a Ceilândia, sempre vinha alguém lhe pedir para tocar um James Brown. Quando vejo essa nova geração de DJs tocando som black, não deixo de pensar que, há muitos anos, antes desse revival, Celsão nos apresentava esses e outros sons da música negra nas pistas da cidade.
Celsão comandou durante anos o programa Mix Mania e, se não me falha a memória, também produzia e apresentava o On the Beat (título retirado do maior hit do BB & Q Band). Em espaços radiofônicos como esse ouvi pela primeira vez artistas dos anos 80 como BB & Q Band e Kurtis Blow. Lembro nitidamente, em 85, escutando rádio na hora do almoço e ouvindo Celsão apresentando a música Basketball, com Kurtis Blow e comentando a letra: “they’re playing basketbaaallll...”. Nos anos 80, Celsão também teve uma fase televisiva, apresentando o programa 105 FM TV.
Não vamos ficar falando só do passado. Pioneiro em bailes black em Brasília e arredores, o DJ Celsão até hoje agita as noites, tocando charm e rap. Aliás, ele é um dos grandes incentivadores do rap candango e nacional, figura bastante respeitada no movimento hip hop. Celsão está todas as quintas a partir das 7 da noite na QUINTA DO CHARME. Ele e convidados tocam o melhor da black music ,na CHOPPERIA BOX 58, no SHOPPING BOULEVARD CENTER-SDS-2o Subsolo.O som rola até a meia-noite.
Particularmente, acho Celsão um cara gente boa pra caramba, que sempre dedica aos amigos e conhecidos o maior carinho e atenção, quando encontra o pessoal pela cidade.
Um grande abraço, Celsão e continue mandando ver na black music!
Foto: Cláudia Melo

DJ Celsão na ativa: mandando ver no som e animando a festa
Escrito por Marcelinho às 14h22
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O inesquecível Tim Maia
Panegíricos são desnecessários quando se fala de um artista como Tim Maia. Não estou cá para ficar chovendo no molhado ou na roseira em relação ao que já se disse anos sobre o cantor e compositor carioca. Gostaria mais de dividir uma experiência pessoal que tive ao entrevistar o músico, em 1993, quando eu trabalhava na Rádio Cultura de Brasília.
Essa foi a primeira entrevista coletiva importante da qual participei. Estava lá na rádio, mexendo com programações musicais. Tinha três programações musicais pra fazer, meu irmãozinho. Minha amiga Kakau Teixeira partia para entrevistar Tim na Academia de Tênis e me chamou para ir junto. Na noite daquele dia (uma sexta-feira) Tim Maia e a Banda Vitória Régia tocariam na Academia.
Era perto da hora do almoço e o cantor já chegou "mamado", com um copo e uma garrafa de uísque à mão. "Produção, gelo, por favor", pediu. Sentou-se em uma mesa em um salão e começou a responder às perguntas da imprensa brasiliense.
Tão logo tive a chance, fiz a minha pergunta. Indaguei o cantor sobre o fato dele ter sido um dos nomes da MPB a assimilar influências do funk e do soul americanos, no que ele disparou: "Eu não tenho influência de POOOOOOOOOORRRAAAAAAAAAAAAA nenhuma". Logo depois, incomodado com perguntas feitas por um outro jornalista o artista perguntou para o rapaz de forma constrangedora: "Vem cá, meu filho, você é gay, bi ou quadribi (sic)?".
Conhecendo a fama do desbocado Tim, não me acanhei e continuei com outras perguntas e até recebi um elogio do intérprete e compositor que me disse que eu fazia umas "perguntas inteligentes". O momento mais legal, pra mim, no entanto, aconteceu quando Maia sacou um CD dele interpretando bossa nova, registrado no início dos anos 90, e me deu de presente. Entretanto, os demais jornalistas chiaram e disseram que o disco tinha de ser sorteado. Frustrado, logo voltei a ficar contente, ao ser sorteado com o disco, em meio a toda a turma. Destino? Não acredito nessas bobagens, mas peguei o álbum e pedi pro Tim autografar. Até hoje guardo com orgulho na minha discoteca. `
À noite fui assistir ao show, que não considerei dos melhores. Tim saiu várias vezes do palco, deixando o som a cargo da Vitória Régia, implicou com seguranças e com o som e fez subir ao palco um rapaz numa cadeira de rodas. Nunca mais vi o canto novamente. Anos depois, morreu, após passar mal no palco e permanecer alguns dias no hospital.
Tim Maia deixou mais do que saudades: uma das melhores obras da música popular brasileira, com sua combinação de soul e funk com ritmos brasileiros como o samba e o baião, sua voz incrível e seu talento de compositor. Curiosamente, nos últimos tempos os jovens parecem ter (re) descoberto sua música, principalmente a da fase Mundo Racional, de 74. As músicas desse período proliferam no repertório das festinhas da moda desse revival de samba rock. A fase racional é legal, mas ainda tem muito mais músicas interessantes gravadas dos anos 70 aos 90 pelo artista, como o disco Tim Maia Disco Club, de 1978.

Tim: vozeirão e irreverência no palco
Escrito por Marcelinho às 15h14
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Em breve no blog: O inesquecível Tim Maia, Os vôos de Fredinho Zidane e uma História do Cinema de Terror
Escrito por Marcelinho às 17h24
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TV
Relembrando Moacir
Em homenagem a Moacir Santos, morto na semana passada, a Globo News reprisou hoje uma entrevista do ano passado que o maestro concedeu ao jornalista Chico Pinheiro. Acompanhado dos músicos Mário Adnet e Zé Nogueira, responsáveis pelo ressurgimento da carreira de Santos no Brasil, com o CD Ouro Negro, o pernambucano fala nesse bate-papo sobre sua infância, os tempos da Rádio Nacional e as trilhas que compôs para o cinema, como Ganga Zumba, do diretor Cacá Diegues.
Mesmo com as seqüelas de um derrame sofrido dez anos antes, que dificultavam a sua expressão, Moacir na ocasião conseguiu dar depoimentos emocionantes, como o de que tinha a música em sua vida desde que nasceu. "Com dois anos eu já ficava batendo latas no quintal de casa", contou. A meia-hora de entrevista trouxe ainda imagens raras do artista, como um workshop em 1985 durante o festival Free Jazz.
Valeu reapresentarem

Escrito por Marcelinho às 17h23
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Registro

Foto do vosso escriba por Carla Miranda
Escrito por Marcelinho às 22h50
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IPODIANDO
João Donato - Batuque
Edu Lobo - Ponteio
Rolling Stones - You can't always get what you want
The Jam - The bitterest pill I ever had to swallow
Artic Monkeys - Get on your dancing shoes
Eumir Deodato - 2001 (Also sprach Zaratustra)

O maestro, arranjador, compositor e instrumentista Deodato
Escrito por Marcelinho às 22h13
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ESCLARECIMENTO
Pessoal, quem for ao fim da página para clicar nos arquivos antigos talvez não consiga achá-los. Por favor, clique ao lado da página, onde estão as datas com os arquivos anteriores. Grato pela atenção.
Escrito por Marcelinho às 21h15
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COLUNA
Ê-MULA

Como assíduo freqüentador da web, a idéia dessa coluna aqui é dar dicas sobre material downloadiado, principalmente shows, clipes, imagens raras de música. Basicamente, quero compartilhar algumas pérolas encontradas no mundo virtual. OK, amigos: aí vão algumas sugestões pra procurarem, com condição satisfatória de áudio e imagem. Vale a pena!
Thin Lizzy - The Boys are Back in Town: show da banda irlandesa em Sidney, na Austrália, em 1979. É curto (menos de 40 minutos), mas contém petardos como Bad Reputation, Waiting for an Alibi, Jailbreak e o hino The Boys Are Back in Town. Coalhadinhaaaaa!
Peter Frampton and Foo Fighters - Show Me The Way: o guitarrista inglês e sua banda se juntam ao grupo de Dave Grohl em um programa de TV para uma, no mínimo, curiosa interpretação para o hit de Frampton nos anos 70.
Led Zeppelin - Live in Seattle 77: pra quem curtiu o DVD duplo ao vivo lançado do Zep há 3 anos, esse show é outra boa referência, com qualidade legal de imagem e som. Na futura terra do grumge, Jimmy Page (guitarra), John Bonham (bateria), Robert Plant (vocais) e John Paul Jones (baixo) executam porradas zeppelinianas como The Song Remains the Same. Confira.
Voltamos a qualquer momento com mais di-caaaaaaasssssssssss (como diria aquele professor de cursinho).
Escrito por Marcelinho às 20h09
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CRÔNICA

Conversas em tempos de PCC
No ônibus para São Paulo, um homem e uma velha senhora conversam.
- A senhora está indo pra São Paulo?
- Estou, meu filho. E você?
- Também. Desculpe a pergunta: mas a senhora não tem medo de ir pra lá nesse momento? A senhora sabe, essa violência toda do PCC, o crime organizado afrontando a lei, esses atentados terroristas...
- Meu filho, confesso que não tenho medo disso não. Hoje a violência está aí em todas as cidades modernas. E a mídia, você sabe, sempre dá uma exagerada.
- Eu não sei não. Me preocupa muito essa situação.
- Você tem medo?
- Tenho sim, senhora. estou indo para uma viagem a trabalho e só vou sair mesmo por conta do meu compromisso. O resto do tempo eu quero passar trancado no quarto do hotel, bem seguro.
- Vai a São Paulo a trabalho... E o que faz?
- Sou policial civil. Estou indo para um encontro de delegados de polícia.
Escrito por Marcelinho às 15h47
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CRÔNICA
"Minino Veio Podre"
Ele é uma lenda nos meios culturais brasilienses, mas já ameaçou processar e fazer uma macumba para quem usasse seu nome em vão. Por esse motivo, não vou me arriscar a citar seu nome real e usarei um fictício para me referir a ele.
Jornalista, produtor, músico, compositor, poeta, ator, dramaturgo, diretor de teatro, Nelson Caramujo milita no cenário artístico local há três décadas. Discípulo de Cruz e Souza, Pixinguinha, Glauber Rocha, Gonçalves Dias e João do Vale, Caramujo já encenou diversas peças inspirado na cultura popular brasileira, como o samba e o Carnaval. Também foi, por vários anos, vocalista de um grupo de rock conceitual, teatral e futurista chamado Tetragamatron. Além disso, escreveu em jornais da cidade críticas as mais ácidas e, não era raro, o ameaçavam de morte.
O que chama a atenção nesta figura tão querida do meio cultural brasiliense, misto de Lex Luthor com faraó egípcio, é seu humor sarcástico e cheio de inteligência, bem como seus rompantes de super star. Nascido no interior do Maranhão, na cidade de Barra do Corda, Nelson utiliza em seus colóquios com extrema freqüência a expressão “minino véio”. A combinação dessas duas palavras é, no mínimo antagônica, pois, como alguém pode ser menino se é velho, e vice-versa?
Alguns estudiosos crêem que o “véio” possui outro significado e se relaciona a algum termo carinhoso, como “companheiro”, “amigo”, a exemplo do uso praticado por jovens brasilienses. Outros já observam no termo uma dose de deboche, e que o “véio” significaria justamente uma pessoa imatura. Há, ainda, uma terceira corrente certa de que não existe qualquer significado na palavra. Não importa! Nelson Caramujo usa o termo com tanta força, expressividade e humor, que nem pensamos realmente no que tal palavra queira dizer.
Bem, um dos episódios mais curiosos que me lembro sobre Nelson Caramujo foi quando ele apresentou uma peça em um sala de teatro da cidade, faz uns 15 anos. Após a performance, Nelson conversava com seu produtor, Franz Treim, quando um garoto de cerca de 10 anos foi até o artista pedir-lhe um autógrafo. Na verdade, a criança tinha confundido Nelson com algum ator de televisão – se não me falha a memória, com o falecido Raul Cortez.
- Moço me dá um autógrafo – pediu o garoto.
Nelson encarou-o com seriedade e perguntou:
- Por que você quer meu autógrafo, minino véio? – questionou Nelson.
- Você não é aquele ator da novela...? – perguntou o menino em tom ingênuo.
Ofendido por ter sido confundido com um global, ao invés de ver seu trabalho valorizado, mesmo que por uma inocente criança, Nelson virou-se para o garoto e lançou um comentário fulminante:
- Franz Treim, amigo, tira esse minino véio podre da minha frente. Aposto que é filho de algum conhecido, que veio aqui só pra arrasar o meu trabalho.
Prometo para já, novos episódios de Nelson Caramujo.

O maranhense João do Vale, uma
das influências de Nelson Caramujo
Escrito por Marcelinho às 14h30
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CRÔNICA
DAQUI A POUCO NO BLOG:
"MININO VÉIO PODRE"
Escrito por Marcelinho às 11h00
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Levaram o Precioso
Normalmente, quando alguém tem o carro roubado e consegue recuperá-lo, o mais comum é achar o veículo em estado deplorável, todo depenado. Se não vendem o automóvel inteiro, os ladrões costumam a levar os pneus, as calotas, os bancos, o som e outros acessórios fáceis de serem carregados. Com um amigo meu aconteceu o inverso. Acreditem, os bandidos roubaram o carro e ele recuperou o veículo melhor do que estava antes.
O fato se sucedeu a Danilo Cecílio, professor de história da música e regente de corais. Dandan – como o apelidaram alguns amigos – é proprietário de um chevete 1976. Os amigos também chamam Danilo de Professor, por causa da sua profissão. Batizado pelo Professor carinhosamente de o “Precioso”, numa referência ao Senhor dos Anéis, o carro já há algum tempo pedia (ou melhor, urrava) por uns consertos. Sem cinto de segurança, com o banco do motorista afundado, todo amassado, com os pneus mais carecas que o Kojak, desalinhado e todo sujo por dentro, sabe-se lá que mágica ainda mantém o Precioso circulando pelas ruas da cidade.
Pois é, há alguns dias, Dandan, ao voltar de um concerto, percebeu que seu carro tinha desaparecido. Não foi a primeira vez que tal infortúnio se sucedeu a ele. Outros Preciosos caíram nas mãos de malandros. Desesperado, por ter perdido seu único meio de transporte, Dandan registrou queixa na delegacia mais próxima. “Pessoaaaallll, vocês têm que me ajudar a recuperar meu caaaarrroooo. Eu sou um múuusiiiiicooo. Preciso do veículo para me transpooortar aos meus recitaaaiss”, disse Dandan com seu sotaque mineiro de Araxá e com sua voz arrastada aos policiais.
Para a felicidade do maestro, a polícia localizou o precioso. Melhor ainda: ao ver o carro, o professor constatou que os ladrões fizeram algumas reformas nele, a fim de vendê-lo. Desamassaram a lataria, lavaram, recuperaram o estofado dos bancos, tiraram todo o lixo de dentro e puseram o cinto de segurança. Porém, para azar deles, os gatunos caíram nas garras da polícia antes de venderem o produto do roubo. Sorte do Professor. “Caaara, o carro voltou melhor do que antes. Os ladrões deram um traaaato no Precioso”, disse-me Dandan em recente conversa.
Ah, se todos os ladrões fossem como esses.

Foto do Precioso após levar um "trato" dos meliantes
Escrito por Marcelinho às 17h26
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IPODIANDO
Banda Black Rio - Maria Fumaça
Banda Black Rio - Tem que ser agora
Moacir Santos - Nanã
Edison Machado - Nanã (arranjo de Moacir Santos)

MFSB - Poinciana
Leonard Cohen - I can't forget
Led Zeppelin - Custard Pie
Escrito por Marcelinho às 10h28
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SECA

A Galiléia é aqui
Temperatura por volta dos 30 graus centígrados, umidade relativa do ar abaixo dos 20% e um sol forte de rachar a cuca de qualquer um. Essa é Brasília nos meses de julho, agosto e setembro, quando não cai sobre a cidade uma gota de chuva - a não ser em raros momentos.
Você olha para o céu e não vê uma única nuvem. O barro vermelho voa pela capital e enche nossos cabelos e roupas de poeira. Penoso pra quem sofre de alguma doença respiratória, como asma, rinite e bronquite, em meio ao céu de azul infinito. E o que dizer de sair na rua entre 11h e 16h? É como se a gente fosse derreter no asfalto.
O tempo tão seco passa a forte sensação de que você está andando por um deserto, como se estivesse no Oriente Médio - felizmente sem guerras e atentados. Segundo um amigo meu, o designer Sérgio Augusto Fontenele Marques, o Sérgio Cabeça, nesses momentos Brasília mais parece uma extensão de localidades de Israel, como a Galiléia. "Kafarnaum é ali no meio das oficinas da Asa Norte. É sol nas costas e peia no lombo", brinca.
Ainda segundo Cabeça, um papa em cunhar frases de caráter surrealista, nesses momentos Brasília fica tão Galiléia, que é capaz de você ir ao Parque da Cidade e encontrar João Batista (aquele que perdeu a cabeça pra Salomé) fazendo cooper.
É crianças, tomem água e rezem pra chuva não demorar!
Escrito por Marcelinho às 16h19
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Obituário
Adeus, Ouro Negro
Uma triste notícia nos meios musicais, com a morte, no último domingo, aos 80 anos, do maestro, saxofonista, compositor e arranjador pernambucano Moacir Santos. Ele morreu em Los Angeles. O músico vivia nos Estados Unidos há 40 anos. Santos era mais conhecido na terra do Tio Sam do que no Brasil, a exemplo de artistas como Airto Moreira, Flora Purim, Eumir Deodato, Bola Sete, Hermeto Pascoal, Paulinho da Costa e Dom Um Romão.
Um incrível talento, Moacir Santos repercutiu seu trabalho no exterior principalmente na década de 70, ao misturar elementos brasileiros com jazz, funk, soul e pop. Uma de suas composições mais famosas é Nanã. Além de Moacir, outros artistas gravaram o tema, como o baterista Edison Machado (outro que fez carreira nos States). Com arranjos de Moacir Santos, o batera artblakeyzou o tema em seu disco de estréia, em 1964. Vale a pena correr atrás desse trabalho, relançado recentemente em CD, sob os cuidados de Charles Gavin.
A carreira de Moacir Santos voltou a ter relevância aqui no Brasil em 2001, quando vários artistas se uniram para homenageá-lo com o CD duplo Ouro Negro. Entre os participantes estavam Milton Nascimento, Ed Motta e Gilberto Gil. Nos anos 70, o arranjador gravou pelo renomado selo de jazz Blue Note os álbuns Maestro e Saudade, duas peças bastante importantes para qualquer discoteca.
Em tempos em que os arranjadores vendem seu serviço a preço de banana aos astros da música, para produzirem resultados na maior parte das vezes duvidosos, a morte de um talento como Moacir Santos deixa um vazio dificilmente preenchido.

Escrito por Marcelinho às 12h46
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SHOW COMENTÁRIO
BANDA BLACK RIO?
Já faz algumas semanas que meu amigo Luiz Carlos dos Reis havia me falado que haveria um show da lendária Banda Black Rio, na Arena(Setor de Clubes Sul), aqui em Brasília. "Éeee, caaara. Vai ser maaaasa. Vamos lá", sugeriu Louis. Fiquei bastante empolgado porque nos anos 70 os caras eram sinônimo do melhor soul, jazz e funk brasileiro. Criaram uma mistura bastante original desses estilos de origem norte-americana com ritmos brasileiros como o samba e o baião. Não foi sem motivos que projetaram seu nome internacionalmente, inclusive com um recente revival na Inglaterra. Lembro como se fosse hoje do sensacional tema Maria Fumaça, usado na abertura da novela Locomotivas, naquele longínquo ano de 1977. Quase 30 anos se passaram. O dia finalmente chegou, no sábado passado (05 de agosto). Fui para lá na companhia dos meus amigos Louis, Cobrinha e Julie Lollypop. Confesso que, em alguns minutos de show, o entusiasmo cedeu lugar à decepção, por vários motivos. Um deles: nenhum dos integrantes da formação original estava no palco. William Magalhães, filho do falecido saxofonista Oberdan, reuniu outros músicos e criou um novo projeto, utilizando o nome do extinto conjunto carioca. Imaginem se Julian ou Sean, filhos de John Lennon, chamassem outros músicos e fizessem uma nova versão dos Beatles. Ninguém iria cair nessa, por melhor que fosse o resultado extraído desse time. Outro ponto: a nova Black Rio tocou apenas umas três músicas do grupo dos anos 70, entre elas a celebrada Maria Fumaça, hit entre os artistas cover no recente revival de samba rock. Devo dizer que esses foram os melhores momentos da apresentação, com os arranjos impecáveis. Não podemos negar: os músicos da atual Black Rio são excelentes e instrumentistas de primeira categoria. De resto, dedicaram-se a interpretar clássicos do funk brasileiro, de nomes como Tim Maia e Jorge Ben Jor, e novas composições no formato soul mauricinho da gravadora Trama. Bem tocado? Sem dúvida, mas nada que outros covers da Banda Black Rio e de samba rock não façam - guardadas as devidas proporções. Com todo o respeito a William e aos novos membros do grupo, acho que deveriam mudar esse nome e assumir a nova identidade e não viver do passado, ainda mais quando o que tocam se distancia bastante do original. Ouvindo os velhos álbuns Maria Fumaça e Gafieira Universal e comparando com o que presenciei sábado passado, só posso concluir mesmo que de Banda Black Rio sobrou apenas o nome. Não é fato?

Capa de álbum da verdadeira Black Rio nos bons e velhos tempos
Escrito por Marcelinho às 20h23
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MÚSICA ESPACIAL

JULIE E SEU TECLADO SIDERAL
O pianista Juliano Goulart, conhecido nos meios artísticos brasilienses como Julie Lollypop, está em estúdio remixando canções do seu CD Vontade Sol, lançado no ano passado. Lollypop também está criando músicas novas e pondo muita eletrônica em seu trabalho, incorporando loops ao material de Vontade Sol. Bastante influenciado pela ufologia e por outros temas, Juliano rebatizou-se artisticamente como Julie Ovni. Eu ouvi a música Uma Pedrinha e gostei. Bem legal. Esperamos que em breve que este trabalho pouse nas discotecas da cidade ou esteja disponível na web.
Escrito por Marcelinho às 19h46
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OLD SPECKLED HEN
http://
Classificação: 
Valor médio: R$ 18 Comparar preços
Muito bom.
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por Marcelinho às 17h23
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E aí, Lirou
Agradecimentos especiais A Chica Magalhães Arroba Uol (Lirou) pelos toques gráficos e infográficos. Chica Magalhães é tão artista, que até seus vetidos são um projeto gráfico (aqueles caras Clodovil).
Escrito por Marcelinho às 16h27
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IPODIANDO - IPOD; IPOD NÃO
     
- Oasis : Morning Glory
- Nicola Conte: Sofistica
- Patricia Barber: Too rich for my blood
- Yardbirds: Heart full of soul
- The Troggs: Her Emotion
- T-Rex: Metal Guru
- Thin Lizzy: Sweet Marie
- The Stooges: I got a right
- Waltel Branco: Satiricon
- Cassiano: Onda
- Style Council: Long hot summer
- Spencer Davis Group: I'm a man
- Sonic Youth: Eric's trip
- Quincy Jones: Love, I never had it so good
- Peter Frampton: Show me the way
- The O'Jays - I love music
- Nick Cave and the Bad Seeds: Red right hand
- New York Dolls: Showdown
- Neil Young: Like a hurricane

Nicola Conte
imagem: reprodução
Escrito por Marcelinho às 11h03
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THIN LIZZY

Lynott, vocalista do Thin Lizzy. Rock emblemático e sem firulas
COALHADA E O ROCK AND ROLL
Comandado pelo cantor e baixista Phil Lynott (foto), o Thin Lizzy é o que se pode chamar de um dos puro-sangue do rock and roll. Com sua música energética, pesada e sem enfeites, o Thin Lizzy gravou uma série de discos e canções clássicas do rock, principalmente na década de 70, sua fase áurea. Se você gosta de rock de qualidade, não passará incólume a petardos como The Boys are Back in Town, Massacre, Jailbreak e Don’t Believe a Word.
Fisicamente muito parecido com personagens do humorista Chico Anysio (meu irmão, Cláudio Perturbado, tem a teoria de que Chico se inspirou em Lynott para criar alguns de seus tipos) como o jogador Coalhada e o malandro Azambuja, Phil Lynott nasceu em Birmingham, na Inglaterra, filho de mãe irlandesa e pai brasileiro. Cresceu na Irlanda, nos arredores de Dublin. Ali, desenvolveu sua carreira musical. No final dos anos 60, junto ao guitarrista Gary Moore montou o Skid Row (nada a ver com aquela banda farofeira americana dos anos 80 e 90). Gary também participaria de algumas fases do Thin Lizzy, durante a década de 70.
Calcado no folk e no blues, o Skid Row conseguiu alguma repercussão, mas logo Lynott abriu o gás, para formar, no começo dos anos 70, o Thin Lizzy. Em sua formação inicial, o Lizzy trazia, além de Lynott, o baterista Brian Downey e o guitarrista Eric Bell, egresso do Them, de Van Morrison.
No começo com um som com influências do blues, do folk e da psicodelia, o Thin Lizzy virou uma banda mais pesada em 74, com entrada do norte-americano Scott Gorham e do escocês Brian Robertson nas guitarras. As bases e solos de guitarras combinados formaram uma poderosa usina heavy metal, que influenciou bastante grupos dos anos 80 como o Iron Maiden e o Metallica. Ao mesmo tempo, o Thin Lizzy jamais abandonava suas raízes blueseiras e roqueiras e nem se deixou seduzir pelo virtuosismo gratuito.
Em 79, Robertson deixou a banda e Gary Moore assumiu a guitarra. Em 80, o instrumento passou para as mãos de Snowy White – session man que tocou com um monte de artistas, como o Pink Floyd, na turnê do The Wall – e, depois, para John Sykes, futuro Whitesnake. No começo de 1986, após participar do álbum Run for Cover, de Gary Moore, Phil Lynott morreu, após um colapso provocado por anos de abuso de álcool e drogas pesadas como cocaína e heroína. Calou-se ali uma das vozes mais instigantes do rock e um de seus rebentos mais carismáticos.
DI-CAAAAAAAAAAAAAAAAA: Para os não iniciados, uma boa dica para se introduzir na obra do Thin Lizzy é a coletânea Greatest Hits, com dois CDs. Lá estão faixas como Showdown, uma mistura de funk e rock que lembra Curtis Mayfield; Whiskey in the Jar, canção tradicional irlandesa que ganhou um arranjo roqueiro com o Lizzy e versão há alguns anos do Metallica; The boys are back in town (em versão estúdio e ao vivo); Trouble boys, canção meio punk; Bad reputation; Black Rose, um metal meio celta; e outras.
MEMÓRIA PESSOAL E GUINNESS: Thin Lizzy tem tudo a ver com cerveja de qualidade. Um hábito cultivado por mim e por meio irmão Cláudio Perturbado é fazer churrasco, tomar cerveja e ouvir o Coalhadinha e o Thin Lizzy. Nunca vou esquecer em um inverno gelado, dentro de um pub em Dublin, tomando uma pint de Guinness. De repente, começou a tocar The boys are back in town. Olhei pra cima do pub e vi o símbolo do Thin Lizzy enorme e pendurado no telhado. Fiquei muito emocionado. É zaaaaaaaaaaaaacaaaaa.
CURIOSIDADE: Phil Lynott – com o Thin Lizzy, em seus discos solo e em outros projetos em estúdio e ao vivo – gravou com um monte de gente diferente. A lista inclui o parceiro Gary Moore, Mark Knofler, Mamas Boys, membros dos Sex Pistols e do Damned, Motorhead, Nick Lowe, Elvis Costello, Rory Gallagher, Huey Lewis e muitos outros.
Escrito por Marcelinho às 13h56
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ROCK DO BOM PRA ELES. SERTANOJO PRA GENTE.
Quando os produtores de Brasília vão acordar e começar a trazer atrações musicais que prestem pra esta cidade? Depois de um breve período de fertilidade, quando tivemos Diana Krall, B.B. King e George Benson, o lixo volta a imperar. Enquanto no Rio e São Paulo teremos Slayer e Franz Ferdinand, aqui, na Esplanada dos Ministérios, em meio à moderna arquitetura de Oscar Niemeyer, algo não tão moderno assim: Pão Music com Zezé Di Camargo & Luciano (arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh).
Escrito por Marcelinho às 20h52
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SOM DA BORBOLETA DE FERRO

Imagem: reprodução
SÍNTESE HEAVY-PSICODÉLICA
1968, ano de muitas revoluções na música pop. Reinava a psicodelia, com os resultados sonoros das experimentações lisérgicas de artistas como os Beatles fase Sargeant Peppers, Pink Floyd (com Syd Barrett) e The Doors. Na Califórnia, mesma terra de Jim Morrison e sua banda, o Iron Butterfly (borboleta de ferro, em inglês) também realizou viagens em meio a mares ácidos, ao mesmo tempo em que abriu caminho para o estilo que ficou conhecido nos anos 70 como Heavy Metal.
O grupo começou sua carreira em 1966 em San Diego, formado pelo compositor, organista e cantor Doug Ingle, pelo baterista Ron Bushy, pelo baixista Jerry Penrod, pelo vocalista Darryl DeLoach e pelo guitarrista Danny Weis. Após dois anos excursionando pelos Estados Unidos e tocando com grupos como os Doors e o Jefferson Airplane, o Iron conseguiu um contrato para gravação.
Em 1968, lançaram o álbum de estréia, com o título apropriado de Heavy (pesado). Embora com influências dos climas psicodélicos dos teclados e guitarras do The Doors, o Iron Butterfly converteu esses elementos em timbres mais pesados e sombrios. Reforçando essa atmosfera soturna estavam os vocais graves e com vibrato de Doug Ingle. Com esse formato musical, o Iron Butterfly enveredou pelo chamado acid rock, uma versão mais pesada do rock psicodélico e considerado um intermediário entre este gênero e o heavy metal. A melhor música desse disco é a instrumental Iron Butterfly Theme, que parece ter saído diretamente da trilha sonora de algum filme de terror, pesada e repleta de ruídos. Como diria um amigo meu do Maranhão ao escutar essa música: “Ai, minino veio. Isso é o Diabo!!”
Logo após o primeiro álbum, DeLoach, Weis e Penrod deixaram o grupo, dando lugar ao guitarrista Erik Braunn e ao baixista Lee Dorman. Essa formação gravou, também em 68, o álbum mais famoso da banda, In-a-Gadda-Da-Vida. O elepê vendeu mais de quatro milhões de cópias e permaneceu em torno de um ano entre os dez mais da parada norte-americana. O disco foi puxado pela faixa-título, uma suíte de cerca de 17 minutos com direito a solos de guitarra, teclados e bateria, em uma ambientação acida e sombria. Com inusitado nome, In-a-Gadda-Da-Vida tornou-se um clássico e uma das canções mais famosas da história do rock. O álbum ainda trouxe outras pérolas calcadas na combinação de guitarras pesadas e furiosas; teclados psicodélicos, com timbres que lembravam melodias de igrejas; vocais góticos e baixo e bateria na marcação em canções como Most Anything You Want (uma espécie de “prima” de Light My Fire, dos Doors) e Mirage.
Na seqüência, o Iron Butterfly gravou Ball, em 1969, com Erik Braunn na guitarra. Após esse disco, Braunn foi substituído pelos guitarristas Mike Pinera e Larry Reinhardt. O grupo chegava ao fim da linha, um pouco decepcionado pelo fato de os fãs não se interessarem nos shows da turnê européia por quase nada além de In-A-Gadda-Da-Vidda, o que forçava a banda a cansativas repetições do tema. Em 1970 o Iron Butterfly fez seu registro ao vivo em Live e em 71 lançou Metamorphosis. Depois desses álbuns, uma das mais importantes bandas de rock encerrou suas atividades.
Sem a força criativa de Doug Ingle, o gênio da banda, o Iron tentou um retorno com o fraco Scorching Beauty, em 75, sob as bênçãos de Jon Anderson, vocalista do Yes. Outras tentativas de retorno – que persistem até hoje – também fracassaram, sem a presença de Ingle, que imortalizou o som do grupo com seus vocais e teclados.
Muitos fãs até hoje cultuam aquela música heavy e psicodélica do fim dos anos 60 e ainda se empolgam com trip de In-A-Gadda-Da-Vida. A música, aliás, já serviu de inspiração para filmes de terror, sendo usada em algumas trilhas sonoras do gênero. No Massacre da Serra Elétrica II, um dos psicopatas vai até a DJ de uma rádio pedir que ela toque essa música e diz em tom insano: “It’s heaaaaaaaaaaavvvyyyyyyyyyyyyy”. Sem dúvida, a música tem tudo a ver com aquelas enormes e desertas estradas de filmes de terror americano dos anos 70, onde viajantes desavisados acabam caindo nas mãos de freaks perigosos, como o monstro Leatherface, do Massacre da Serra Elétrica.
Cuidado!!!!
Escrito por Marcelinho às 11h32
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ELEIÇÕES 2006

A IDÉIA SURGIU EM 1994, DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL. NA ÉPOCA, CRIEI UM PERSONAGEM CHAMADO TIJOLO, CANDIDADO A DEPUTADO DISTRITAL (PELO DF). O DISCURSO BRINCAVA COM AS PROMESSAS MAIS ABSURDAS, QUE OS POLÍTICOS NÃO CANSAM JAMAIS DE FAZER. VOLTANDO AS ELEIÇÕES E AS PROMESSAS MAIS SURREAIS QUE ACOMPANHAM PARTE SIGNIFICATIVA DOS CANDIDATOS, LÁ VAI O DISCURSO, CRIADO HÁ 12 ANOS E QUE AINDA ACHO "ATUAL":
"MEUS AMIGOS. NA ÉPOCA DAS ELEIÇÕES É SEMPRE ASSIM: OS CANDIDATOS VÊM, LHE DÃO UM TAPINHA NAS COSTAS, SORRIEM. DEPOIS DE ELEITOS, LHE VIRAM A CARA. COMIGO É DIFERENTE. SOU HOMEM DO POVO, COMO O SENHOR E A SENHORA. POR ISSO ESCOLHI O TEMA DA MINHA CAMPANHA COMO TIJOLO. O TIJOLO É A BASE DE TODA A SOCIEDADE. O TIJOLO CIMENTA TUDO. DE TIJOLO EM TIJOLO CONSTRUIREI CRECHES, HOSPITAIS, POSTOS DE SAÚDE, SHOPPING CENTERS, DELEGACIAS, MACENARIAS, MAÇONARIAS. NA HORA DE VOTAR O SENHOR JÁ SABE: SAIA DE CIMA DO MURO. É TIJOLO NA CABEÇA! VOTE: TIJOOOOOOOOOOOLOOOOOOO!!!"
(CANDIDATO TIJOLO, AINDA SEM PARTIDO E NA CORRIDA PARA A CÂMARA LEGISLATIVA).
Escrito por Marcelinho às 17h11
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NO IPOD
O GRUPO SOUL BLUE MAGIC

ALLMAN BROTHERS: MIDNIGHT RIDER
BEATLES: BESAME MUCHO
BLACK SABBATH: YOU WON'T CHANGE ME
BLUE MAGIC: SIDESHOW
CHESTNUTS: LITTLE CYCLE ANNIE
CREAM: TALES OF BRAVE ULYSSES
CURTIS MAYFIELD: THE OTHER SIDE OF TOWN
DEEP PURPLE: HUSH
DONALD BYRD: YOU AND MUSIC
THE DOORS: STRANGE DAYS
THE DRAMATICS: THIN LINE BETWEEN LOVE AND HATE
EARTH WIND & FIRE: SUN GODDESS
FI FI FOUR: I WANNA COME BACK
THE FENTONES: THE MEXICAN
GARY MOORE: SPIRIT
GILL-SCOTT HERON: THE BOTTLE
     
Escrito por Marcelinho às 16h47
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