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HORROR

Sam Raimi volta com tudo ao terror

 

Divulgação

 

Se Christine Brown pudesse adivinhar o que uma negativa de um empréstimo para uma aparentemente frágil velhinha cigana traria para sua vida, não hesitaria em retroceder em sua decisão. Amaldiçoada pela cliente, Christine, interpretada por Alison Lohman, mergulha num universo sobrenatural de pânico. Este é o enredo de Arraste-me para o Inferno (Drag me to Hell), retorno bem sucedido do diretor norte-americano Sam Raimi ao gênero do terror.

Sam é melhor conhecido do público mais novo pelo sucesso da trilogia do Homem-Aranha, estrelada por Tobey Maguire. Bem antes disso, em 1983, o cineasta se revelou com um filme já considerado um clássico do terror: Evil Dead (Uma Noite Alucinante). Com Arraste-me ao Inferno, Raimi volta a um gênero que cultiva com grande talento.

Christine Brown trabalha em uma agência bancária e sonha com uma promoção. Seu chefe sinaliza que as decisões que ela vir a tomar servirão para colocá-la ou não na cadeira em que deseja sentar-se. Neste exato momento, adentra em sua agência uma cigana idosa e doente, pendurada em dívidas e prestes a perder sua casa. A mulher já renegociou seus débitos duas vezes, sem conseguir quitá-los. Pede uma nova chance. Brown, preocupada com o que um erro de avaliação de crédito pode trazer para seu futuro profissional, nega a renegociação. A velha cigana ajoelha-se e provoca uma cena. Sentindo-se humilhada, joga uma praga na funcionária do banco.

Desde este momento, Christine vê-se atormentada por uma série de aparições e ruídos. Procura um vidente hindu e descobre que a maldição cigana colocou em seu encalço um demônio em forma de cabra chamado Lamia. Com a ajuda do namorado e do sensitivo, entra numa corrida desesperada para salvar sua alma e escapar do ser maligno.

Em Arraste-me para o Inferno, Sam cria um labirinto medonho em que a protagonista vai se afundando, sem perspectivas de escapatória. O diretor usa situações clássicas de filmes de horror para fazer o espectador dar pulos na cadeira e aposta pesado nos efeitos especiais, mas sem naufragar na banalidade e parecer excessivo.

Também não esquece das velhas referências de filmes de zumbi quando alguma gosma voa de algum corpo, o que inevitavelmente provoca risadas na platéia. Sam Raimi sabe produzir um humor mórbido sem soar ridículo.

Com todos esses elementos combinados, Arraste-me para o Inferno representa no mínimo uma boa chance de divertimento. E quando for abordado por aí, por alguma cigana querendo ler sua mão ou lhe vender algo, pense muito bem antes de dizer um não (rs).



 Escrito por Marcelinho às 12h15
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OBITUÁRIO

Les Paul morre aos 94 anos

 

Compilação do guitarrista. Dê uma olhada na turma com quem ele toca

Meu primeiro contato com o nome Les Paul foi na adolescência. Fascinado pelo Led Zeppelin, escutava sempre sobre a paixão de Jimmy Page pela guitarra Les Paul, da Gibson. Mais tarde,  descobri que Les Paul era também um dos mais talentosos guitarristas de todos os tempos, que influenciou uma penca de gente, do próprio Page a Eddie Van Halen.  Les morreu hoje aos 94 anos, de complicações causadas por uma pneumonia no hospital White Plains, em Nova York.

Nascido Lester William Polfus, Les Paul entrou para a música com apenas oito anos de idade. Registrou suas primeiras gravações em 1936, inicialmente como músico acompanhante. Nos anos 40, já em carreira solo, tornou-se um dos principais popularizadores da guitarra elétrica, instrumento básico para o desenvolvimento do rock’n’roll. Também foi um dos incentivadores do uso das gravações multipista. Esta técnica permitiu que os músicos passassem a gravar separadamente, fator que possibilitou uma melhora na qualidade do som.

Virtuose, rápido e dono de um estilo alegre, o guitarrista enveredou por diversos gêneros, como o jazz, o rhythm’n’blues, o pop e até pela música étnica. Les Paul gravou temas como hino bop How High the Moon, Mr. Sandman, St. Louis Blues e até composições brasileiras como Tico-Tico no Fubá. Les foi casado com a cantora Mary Ford, dona da voz em vários de seus hits.

Les Paul ainda pode ser considerado um precursor da surf music, estilo vocal e instrumental do rock surgido nos anos 60 e popularizado por grupos como Beach Boys, Dick Dale & The Dell Tones e Trashmen. Estes grupos foram buscar inspiração em Les para criarem uma pegada veloz e com influências de gêneros modais.

No início dos anos 50, a Gibson lançou o modelo de guitarra que leva seu nome. Uma das mais populares, a Gibson Les Paul foi usada ao longo dos anos por gente como o já citado Jimmy Page, Peter Frampton, Duanne Allman, Eric Clapton, George Harrison, Gary Moore, David Gilmour, Pete Townshend e muitos outros.

Vá tranqüilo, Les. Em seus quase 95 anos você deixou uma invejável contribuição para música. A guitarra do século XX não seria a mesma sem seu toque.  

 



 Escrito por Marcelinho às 19h51
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SAÚDE

Tem um vírus na laringe

 

Meu martírio começou na madrugada do último domingo, quando senti dor na garganta durante a noite. Isso me ocorre eventualmente e com o passar do dia o incômodo vai embora. Atribuí o problema ao excesso de cigarros de sábado.

Na madrugada de segunda, a dor volta, desta vez com mais intensidade. Mesmo assim, quando me levanto o sofrimento passa. O problema é que desta vez fiquei com  a seqüela de rouquidão na voz. Na noite de segunda, já estou praticamente afônico.

O pior veio na madrugada de terça. O incômodo da dor de garganta quase não me deixou dormir e nem desapareceu com o fim da noite. Telefono para o trabalho, quase mudo, e sou aconselhado a visitar um hospital, pois acabei de chegar de viagem. Embora Cuiabá, onde tenha passado uns dias, não constitua área de risco, pelo clima bem quente, nunca se sabe sobre os vírus em aeroportos e aviões.

Vou à emergência de um hospital aqui em Brasília. Ao entrar, me sinto como no romance A Peste, de Albert Camus. Algo vai acontecer. Recepcionistas, pacientes, enfermeiros, médicos e até a funcionária do café usam máscaras. O pânico começa a rondar meus pensamentos ao perceber a enorme quantidade de gente tossindo. Há até poucos meses, isso não me incomodaria, mas em tempos de gripe A, surge o temor.

A recepcionista me indica procurar o otorrino. Percorro corredores do hospital, sem deixar de esbarrar em um monte de mascarados. Chego à sala  do doutor, me identifico e aguardo a chamada.

Poucos minutos se passam e sou introduzido no consultório. Enfiam um enorme aparelho com câmera por minha goela. Antes que a náusea me vença, o médico anuncia o diagnóstico: "uma laringite considerável. E não é bacteriana. É viral".

Menos mal, penso, pois já me via incluso nas estatísticas de vítimas da gripe suína. Afinal me assustei com uma conversa que tive com uma colega no dia anterior, que me falou que a doença paralisa o pulmão e impossibilita que o paciente respire.

Quando tudo parecia perdido, volto para casa mais tranqüilo, sem voz, e com a tarefa de passar alguns dias tomando antiinflamatórios. Menos mal. Por enquanto, tudo tranqüilo.

Será, mestre?

 



 Escrito por Marcelinho às 15h04
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MÚSICA

Um trio pra lá de original

 

A banda norte-americana Morphine, uma das melhores dos anos 90

Uma combinação de um rock de formato mais independente com o jazz. Talvez não seja bem esta definição para o som do trio da cidade de Cambridge, mas o Morphine aliava uma distorção e uma energia típicas de certos grupos dessa tendência ao lado da sofisticação e suingue do jazz.

Talvez o próprio Mark Sandman, frontman do Morphine, não gostaria da minha comparação. Em sua primeira turnê européia, declarou a um programa da TV francesa que considerava que havia pouco de rock em sua música e mais de jazz e outros sons como música árabe e mambo.

O Morphine surgiu há 20 anos. A formação não poderia chamar mais a atenção por sua originalidade: um cantor no estilo meio down e baixista só com três cordas no instrumento, um saxofonista barítono e bateria. Essas posições tinham como ocupantes respectivamente Sandman, Dana Colley e Jerome Dupree.

O primeiro disco, Good, saiu em 1992. Em meio às gravações do segundo, Dupree teve que abandonar o posto por conta de problemas de saúde. Billy Conway entrou como substituto.

O novo trabalho, Cure for Pain, foi responsável pela projeção internacional do Morphine, principalmente por conta de Buena, canção que sintetiza a mistura de jazz e rock desenvolvida pela banda americana. O baixo puxando uma levada meio crua e suja de um lado, o sax atacando com o jazz por outro e a bateria no meio do caminho davam a tônica.

Diga-se de passagem, os integrantes eram ótimos músicos. Alguns podem fazer pouco caso da técnica de Sandman por usar um baixo só de três cordas, porém acho que fazia o difícil: tirar mais som do instrumento nestas condições do que muito baixista com cinco ou seis cordas à disposição. Além de tudo, Mark tocava o baixo convencional, piano e trombone.

Em 1995, o Morphine lançou Yes e em 1997, Like Swimming. Em 1999, Jerome Dupree voltou a tocar com o grupo como um quarto integrante. A banda seguia numa trajetória importante até o dia 3 de julho daquele ano, em um show na cidade italiana de Palestrina. Mark Sandman morreu no palco, vítima de um ataque cardíaco fulminante, aos 47 anos. Sua morte provocou imensa tristeza, pois se perdia ali uma figura criativa, cheia de energia e carisma.

Mark Sandman morreu cedo e deixou muita saudade

Em 2000, saiu o disco póstumo The Night, dedicado em memória a Mark Sandman, um dos maiores talentos que vimos surgir nos últimos 20 anos. Apesar da curta trajetória, de apenas uma década, o Morphine registrou uma obra memorável.



 Escrito por Marcelinho às 14h29
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