VIAGEM
"O cabra só come insosso se quiser"  Centro da ensolarada e quente cidade potiguar de Mossoró Faz duas semanas estive em viagem de trabalho a Mossoró (RN). Foi interessante porque passei por lá e pela cidade de Assu para conhecer trabalhos desenvolvidos junto a pequenas comunidades. Em Mossoró, cobri o lançamento do primeiro melão do mundo certificado em Comércio Justo, aquele onde a produção se relaciona a uma série de critérios, como respeito a questões como o meio ambiente e a legislação trabalhista e com foco em geração de emprego, renda e sustentabilidade. Em Assu, visitei um assentamento em que com apoio de entidades como o Sebrae e a Fundação Banco do Brasil, uma comunidade bastante empreendedora vive da produção de castanhas, da agricultura familiar e da criação de artesanato feito com palha de milho. Esse tipo de trabalho tem grande importância de inclusão social, principalmente quando, além do apoio, existe a vontade do beneficiado em crescer e em montar um negócio de viabilidade comercial. Por Natal, tive apenas brevíssimas estadas na ida e na volta da viagem. Aproveitei mesmo para curtir o visual da estrada em mais de três horas nos percursos de ida e volta da capital potiguar a Mossoró, onde me hospedei no hotel Garbos. Recomendo o trajeto, com um visual fantástico da vegetação rasteira das caatingas, as montanhas e enormes pedras que mais parecem estátuas gigantes. A quente e ensolarada Mossoró, uma cidade de porte médio, é servida de ótimos estabelecimentos para comer e destaco no centro do município a Praça da Convivência. No local, há um conjunto de restaurantes nas especialidades japonesa e frutos do mar, entre outras. Na primeira noite por lá, na volta para o hotel, após uma ida a um restaurante, peguei um táxi com um motorista para lá de bem humorado cujo nome não vou me recordar. Ao comentar com ele sobre a força econômica de Mossoró, pólo petrolífero e de produção de sal, o taxista observou: “O cabra aqui só come insosso se quiser”.
Escrito por Marcelinho às 16h57
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CULTURA
Sem Feira do Livro este ano em Brasília  Depois de incertezas, confirmou-se a notícia de que em 2009 não haverá Feira do Livro em Brasília. Ao invés disso, será em março de 2010, como parte das comemorações dos 50 anos de Brasília. Não deixo de lamentar, pois desde adolescente frequento a Feira, oportunidade de se adquirir bons títulos, muitas vezes a preços bem em conta, tanto nos sebos quanto nas livrarias mais comerciais. Já estava a juntar uns trocados para comprar algo, porém isto terá de esperar. O que parece ter motivado a não realização da Feira do Livro de Brasília em 2009 foi a falta de lugar. Desconheço a razão, mas o evento deixou o shopping Pátio Brasil, onde aconteceu até 2008. Pretendia-se fazer o grande encontro literário da cidade na Esplanada, entretanto o fato não se concretizou. Feiras como esta, em Brasília e em qualquer lugar, representam não apenas a chance de se incentivar o crescimento do mercado de livros, mas também uma oportunidade de se estimular o hábito da leitura. Visitas de escolas, encontros com escritores, oficinas e palestras constituem uma das formas de se promover o gosto por ler, importantíssimo para a nossa formação educacional, cultural, profissional, humana e tudo mais. Que pelo menos a Feira do Livro de Brasília, para compensar a ausência em 2009, mereça a mesma atenção que outros festejos ligados ao cinqüentenário da capital do País. Ainda falando em livros, vi esses dias que a Estante Virtual, imensa rede de sebos nacionais, completa quatro anos. Não sei quem inventou o site, no entanto o parabenizo pela idéia genial. Não há obra que não se encontre ali. Comprei alguns exemplares por meio desse endereço eletrônico e fui muito feliz, encontrando com facilidade títulos que não se acham nas livrarias convencionais. Bem, aproveito para fazer um comercial. É que Daniel Mafra, do programa de livros da Secretaria de Cultura do DF, me convidou para fazer um lançamento da minha única obra, Não Abra – Contos de Terror, na Biblioteca Pública de Taguatinga (DF), às 17h, no dia 14 de novembro. Haverá mais três autores lá, todos, como eu, patrocinados pelo Fundo da Arte e da Cultura do Distrito Federal. Quero levar alguns exemplares para vendê-los ao preço mais acessível que puder. Até lá.
Escrito por Marcelinho às 13h58
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CONTO
Conversas do Sr. Arp e do Sr. Diabo 
Alguém bate à porta. Abro. Lá está o Sr. Diabo. Convido-o a entrar. “Por favor, entre. A casa é sua”. Ele veste o indefectível terno preto. Traz uma garrafa de aguardente. O Sr. Diabo entra, senta-se no sofá. Vou pegar copos. Abro a garrafa e sirvo. Permaneço em pé. Tomo a bebida, que desce forte, rasgando meu esôfago. Puxo uma cadeira e sento. A conversa toma vários rumos e vai parar no ridículo vestido usado pela obesa Madame Cochon em recente evento festivo local. “Nunca vi tamanho mau gosto em seu excesso de estampas e em seus sapatos que misturam equívoco estético com esnobismo em uma tarde repleta de mosquitos à beira de um rio”, diz o Sr. Diabo, com seus comentários habitualmente ácidos. Brinco: “Por que não a leva ao Inferno?”. Ele ri e rebate: “Perdoe-me o trocadilho, mas, pelo amor de Deus, jamais arrastaria uma rapariga assim ao meu reduto. No Inferno, é preciso ser perverso, porém há que se ter bom gosto”. “Seus comentários sempre são perfeitos, Sr. Diabo”. Entre copos e copos de aguardente, o tempo vai, entre observações maldosas dirigidas à gentalha em mais uma noite dos infernos. Propriedade de Marcelo Araújo (2009). Direitos reservados Proibido o uso sem autorização.
Escrito por Marcelinho às 22h49
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LIVROS
Skoob relaciona pessoas pela leitura  Imagem da entrada do site brasileiro
Na semana passada, enquanto visitava meu tio Fernando em sua casa, em Natal, ele me mostrou uma novidade da web que me empolgou bastante: o site Skoob (www.skoob.com.br). Fernando, um dos meus grandes incentivadores no mundo da leitura na infância e na adolescência, apresentou-me esta rede de relacionamento que funciona por meio da literatura. No Skoob, além de criar seu perfil com informações pessoais e formar uma rede de contatos, como no Facebook, Twitter e Orkut, o internauta monta a sua Estante Virtual. Nela acrescenta com capa e uma sinopse as obras que já leu, que está lendo, que abandonou e que vai ler. A pessoa cadastrada na rede ainda tem a possibilidade de classificar seus livros com estrelas e de por resenhas a respeito deles. A correria até agora só me permitiu resenhar dois exemplares. Quando acrescenta os livros à sua estante, o membro do Skoob pode comprá-lo por meio de links com sites de vendas. Evidentemente que não encontrará no site todas as obras que já leu. Quando isso ocorre, o Skoob oferece a opção de que se coloque o título ausente na lista. Num país como o nosso em que ler, infelizmente, é um prazer para uma seleta parcela da população, quem sabe iniciativas como esta consigam incentivar, nem que seja um pouquinho, o surgimento de novos leitores. Grande idéia o Skoob. Seus criadores estão de parabéns.
Escrito por Marcelinho às 08h51
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CONTO
Reflexões de um certo Sr. A Ouço Lohengrim, de Wagner, e imediatamente me transporto para uma batalha há dois séculos, num combate que não sei como irá terminar. Às armas! Antes que algo aconteça, que seja dado um tiro, ou que os cavalos disparem, o cenário muda. Novos preparativos para a luta sangrenta, que se intensificam à medida que entram as notas de Marte, o Emissário da Guerra, de Holst. Aviões sobrevoam a cidade, prontos para soltarem suas bombas, enquanto, lá embaixo, ao sol, reluzem os capacetes dos soldados, a couraça dos tanques e as metralhadoras. Resta-me apenas acender um cigarro, pois na fumaça, todas as minhas imagens tomam forma e ganham vida. Propriedade de Marcelo Araújo (2009). Direitos reservados Proibido o uso sem autorização.
Escrito por Marcelinho às 22h17
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